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Casos de desnutrição crónica continuam assustadores em Moçambique

A desnutrição crónica em famílias de baixa renda está a aumentar nas províncias da região norte do país, sendo Nampula a que maiores índices apresenta com uma taxa de cerca de 55 porcento. A situação em causa afecta maioritariamente crianças menores de cinco anos de idade. De acordo com dados divulgados no Congresso Nacional de Nutrição, organizado recentemente pela Universidade Lúrio, as taxas de desnutrição no país são assustadoras, tendo sido identificados 33 distritos dos 183 existentes, propensos e vulneráveis a esta problemática, apesar de não estarem na iminência de enfrentar bolsas de fome.

Informações colhidas pelo @Verdade dão conta que os distritos de Ribáuè, Murrupula, Muecate, Malema, Nacala-à-Velha, Mogincual e Nacarôa na província de Nampula lideram a lista dos mais afectados pela problemática da desnutrição crónica no país, apesar dos elevados níveis de produção agrícola que os mesmos registam. A semelhança de Nampula, alguns distritos localizados na região norte da província de Gaza, e outros da província Tete, também registam problemas de desnutrição crónica, e carecem de um acompanhamento permanente, face à sua vulnerabilidade a este problema. Especialistas da área têm estado a atribuir o elevado índice de desnutrição ao facto de não se diversificar a dieta alimentar no seio de algumas famílias.

“Nampula produz muita mandioca e as pessoas comem isso todos os dias sem variar”, disse um dos especialitas. O Primeiro Ministro, Alberto Vaquina, que participou do Congresso Nacional de Nutrição que teve lugar recemente na cidade de Nampula, reconheceu que a problemática da desnutrição crónica no país é uma realidade, tendo apelado ao envolvimento de todos os actores da sociedade na sencibilização das famílias sobre a promoção de bons hábitos alimentares. O governante referiu que a desnutrição crónica que assola algumas regiões do nosso país, constitui uma das causas do insucessos escolar de alguns petizes, o que poderá fazer com fiquem com seus futuros profissionais comprometido.

Por seu turno, Hélder Martins, antigo ministro da Saúde de Moçambique, lançou duras críticas ao Governo, alegadamente pelo incumprimeto dos planos elaborados no âmbito de combate à desnutrição crónica no país, tendo apontado a componente formação de nutrucionistas, o que mais falha neste ramo. A título de exemplo, disse que o país conta actualmente com cerca de cem nutricionistas, dos quais 97 foram graduados nos dois últimos anos pela Universidade Lúrio, número que está longe de responder à demanda da população do país que carece de assistência.

De acordo ainda com Martins, o baixo peso, a obesidade, entre outros males, constituem as principais causas de mortes e internamentos um pouco por todas as unidades sanitárias instaldas no país, sendo que estes se registam no Hospital Central de Nampula. “Há necessidade de introduzir nas famílias a educação alimentar e nutricional, e os govenantes devem introduzir nos seus planos orçamentos para responder a problemática de desnutrição, sobretudo nos sectores de Educação, Saúde, Agricultura”, sublinhou a fonte, acrescentando contudo, que a desnutrição crónica deve ser encarada como um problema de saúde pública.

Por outro lado, Hélder Martins defende a necessidade da criação de incentivos no que tange a salários, habitações condignas para que os nutricionistas se sintam motivados para trabalhar nos distritos, onde se registam casos de desnutrição crónica. Entretanto, dos 21 nutricionistas graduados pela Unilúrio no ano de 2012, três abandonaram o sector público para as organizações não-governamentais, devido aos bons salários que são pagos estas. Os que tiveram colocação encontram-se afectos à Direcção Provincial de Saúde, Hospital Central em Nampula, Centro de Saúde 1º de Maio também na cidade de Nampula, e nos Hospitais Rural de Moma, Ribáuè, Malema e Memba, e Gerais de Angoche e Nacala-porto, onde os problemas de destrunição são pouco notórios.

Edgar Cossa, do Secretariado Técnico de Segurnaça Alimentar e Nutricional (SETASN), do Ministério de Agricultura, reconhece igualmente a problemática da desnutrição crónica com o que o país se debate, e considera tratar-se de um assunto que deve ser atacado em conjunto. Entretanto disse que no âmbito do SETSAN, nos últimos três anos, houve uma redução significativa de insegurança alimentar e nutricional no país na ordem de 11 porcento.

“A questão da desnutrição crónica não se resume apenas à falta de alimentos, os casamentos prematuros, a escolha de alimentos nos agregados familiares, o acesso aos serviços de saúde água, ausência do consumo de sal iodado, entre outros, constam do rol das questões que influem no problema”, frisou Cossa. De acordo com o nosso interlocutor, o sector da Agricultura, atráves do SETSAN, está a desenvolver acções que se traduzem no acompanhamento dos primeiros dois anos de vida das crianças que padecem de desnutrição.

Cossa referiu, por outro lado, que no âmbito do SETSAN está em processo de elaboração de um Plano Estratégico de Mudança de Comportamento a nível da Saúde e da Estrategia de Redução de Desnutrição Crónica que vai envolver a assistência às mulheres grávidas e latentes e adolescentes, agregados familiares das regiões rurais, entre outros. “Há um avanço significativo nos cinco nutricionistas que o país tinha em 2007, subiu para cerca de cem, e queremos apelar para o cometimento dos sectores públicos e privados para investirem mais nos planos de segurança alimentar e no cambate ao problerma de desnutrição crónica”. Sublinhou a fonte.

A nivel do país, o SETSAN será institucionalizado em 41 distritos, com vista a mitigar a desnutrição crónica e assegurar que não haja bolsas de fome em todo territorio nacional. Entretanto, apesar de liderar a lista das províncias com maior indíce de desnutrição, Nampula não registou quaisquer sinais de bolsas de fome, segundo fontes do sector da Agriccultura a nível daquela regiao. Na campanha agrícola 2013/2014 a produção situou-se em 6.5 milhões de toneladas de culturas diversas, sendo 81 porcento referentes à cultura da mandioca.

“O grande nó de estrangulamento é como confeccionar estes alimentos”, disse Cossa, a concluir. Com aproximadamente 25 milhões de habitantes, o país necessita de pelos menos três mil nutricionistas, se se tiver em conta que a nível internacional a proporcionalidade é de 600 nutricionistas para um universo de cinco milhões de habitantes.

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