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Caló, um santo da casa que pode devolver o título nacional de futebol ao Ferroviário de Maputo

Caló

Foto de Adérito CaldeiraCarlos Manuel prepara-se para jogar, no próximo domingo, os 90 minutos mais importantes da sua carreira de treinador de futebol e devolver aos locomotivas de Maputo o título do Moçambola que lhes foge desde 2009. “É o meu primeiro jogo do título nacional, embora antes já tivesse estado aqui nos dois últimos títulos do Ferroviário em 2008 e 2009 na condição de treinador adjunto. Hoje é diferente, vou para este jogo como treinador principal. A emoção é totalmente diferente”, disse-nos Caló, como também é conhecido o treinador do Ferroviário de Maputo.

Após mais um sessão de treino descontraída e animada com uma peladinha, os jogadores do Ferroviário de Maputo reúnem-se em círculo, equipa técnica incluída, e juntos agradecem por mais um dia de trabalho. “Nós em tudo o que fazemos temos que acreditar em Deus, começando de casa até ao nosso trabalho temos também que tentar incutir isto. E nós quando chegamos cá incutimos aos jogadores que antes e depois dos treinos nós tínhamos que pedir e depois agradecer a Deus, pelo dia, pelo trabalho que nós realizamos. Passou a ser essa a nossa mística aqui dentro do grupo, fazemos isto e acreditamos nisto. Quem acredita em Deus eu penso que tem meio caminho andado, temos que acreditar sempre”, revelou Caló em entrevista ao @Verdade, sem entrar em detalhes sobre todo o trabalho que tem feito desde que assumiu os comandos da locomotiva de Maputo.

Carlos Manuel é um santo da casa locomotiva de Maputo, em 2007 foi adjunto de Artur Semedo e depois trabalhou com Mussá Osman até a conquista do Moçambola de 2008. Voltou a ser adjunto do brasileiro Paulo Camargo até este ser substituído por Chiquinho Conde em meados de 2009.

Esteve ao lado de Chiquinho na conquista do bicampeonato em 2009 tendo-se mantido como adjunto até a saída do antigo capitão do Mambas em meados de 2011. Nessa altura assumiu o comando interinamente até Nacir Armando chegar.

Entretanto, Caló passou a trabalhar na área de formação dos locomotivas e simultaneamente orientou a selecção feminina de futebol. Em 2013 assumiu o comando do Têxtil de Púnguè e assegurou a permanência dos “fabris” da Manga no Moçambola.

No ano seguinte iniciou a época no Chibuto FC mas tornou-se adjunto de João Eusébio, entretanto contratado pelos guerreiros de Gaza. Mas ao fim de duas jornadas o treinador português não resistiu e Carlos Manuel assumiu interinamente o comando técnico da equipa.

O trajecto a partir da 11ª jornada

Foto de Adérito Caldeira“Voltei este ano para secretário técnico do futebol de formação, fiquei praticamente seis meses na formação, mas convivia praticamente com o grupo, tinha conhecimento do balneário, via os jogos quase todos da equipa e isto de certa forma ajudou a resolver com alguma facilidade os problemas que a equipa tinha”, afirmou ao @Verdade. Carlos Manuel recebeu o Ferroviário do técnico português Victor Pontes a descarrilar no quarto lugar com 15 pontos, em 30 possíveis, em resultado das três derrotas e três empates somados em dez jornadas. Na época anterior Pontes tinha comandado os locomotivas da capital moçambicana para a sua pior época terminando numa desonrosa décima posição.

Na área de formação Caló e outros funcionários do Ferroviário de Maputo têm feito um trabalho digno de destaque. “Temos nove equipas de formação, temos uma equipa B, temos no final de cada ano o “locomotiva de esperança”, que é um torneio de captação de talentos, e nós daqui a mais algum tempo vamos colher para a equipa sénior os frutos do trabalho que vem sendo desenvolvido”.

“Quando nós viemos para aqui a Direcção (que entretanto passou a ser presidida por Sancho Kipisso Júnior) pediu-nos que era para segurarmos a equipa até organizarem as ideias”, acrescentou o jovem treinador que tem trabalhado basicamente com os jogadores que encontrou, salvo o médio Sassi. “O que nós chegámos e fizemos cá foi simplesmente ajustar algumas posições, havia um trabalho iniciado e bem feito simplesmente as vitórias é que não estavam a aparecer. Nós chegámos, moralizámos um bocadinho o grupo, os jogadores conheciam-nos e foi fácil a nossa integração. Ambientámo-nos rapidamente com o grupo, não mudámos nada em termos de treinamento, simplesmente foi ajustar uma e outra pedra”.

A 3 de Junho, Caló estreou-se como o novo “maquinista” dos locomotivas de Maputo empatando no estádio da Machava com o Chibuto FC. Na jornada seguinte sofreu uma dura derrota diante dos ainda bicampeões.

“Nós tínhamos consciência de que o Ferroviário era uma equipa que em tudo que participa tem de ganhar, é uma equipa que luta pelos títulos em todas as provas em que participa. Então o que nós fizemos foi trabalhar mais nos aspectos ofensivos, somos uma equipa que tem que assumir sempre os jogos e o tipo de trabalho que viemos dar continuidade era o trabalho ofensivo”, explicou-nos Carlos Manuel.

Efectivamente, à 13ª jornada os locomotivas começaram a voltar aos carris, venceram por quatro golos justamente diante do adversário da partida do título, o Ferroviário de Nampula. Depois voltaram a vencer com muitos golos o Ferroviário de Quelimane mas foram travados com um empate pelo Maxaquene, que à 15ª jornada ainda era candidato ao título.

Na jornada seguinte voltaram às vitórias, diante do homónimo de Nacala, e somaram novo empate em Vilanculo. A equipa de Caló tremeu, primeiro no Chiveve, onde foi derrotada pelo Ferroviário local, e depois com um empate sem golos diante do Costa do Sol, que entretanto tinha assumido a liderança do Moçambola.

“Privilegiamos muito os aspectos de natureza ofensiva, finalização, demos alguma confiança a alguns jogadores que não vinham jogando, é o caso concreto do Maurício, do Luís que vinha de uma lesão, foram os jogadores fundamentais na manobra ofensiva da equipa e penso que isto acabou surtindo o seu efeito. Penso que levou algum tempo a aparecer mas depois a veia goleadora, a veia ofensiva da equipa veio ao de cima e os golos apareceram”, relatou ao @Verdade o treinador do Ferroviário de Maputo que voltou às vitórias em Quelimane, e na jornada seguinte venceu o HCB de Artur Semedo, de quem Caló foi adjunto em 2007 nos locomotivas da capital do país.

Já perto do topo da tabela classificativa o Ferroviário de Carlos Manuel venceu o clássico contra o Desportivo de Maputo e em seguida venceu outro Desportivo, o de Nacala. Depois os locomotivas descarrilam no Chibuto, parecia faltar estofo de campeão.

“Entre os Ferroviários sempre há uma grande rivalidade”

A 30 de Setembro o Ferroviário de Maputo venceu os bicampeões em título e posicionou-se na liderança do Campeonato Nacional de futebol, porém com os mesmo 43 pontos que o Costa do Sol. Caló disse em entrevista ao @Verdade que ainda não encomendaram as faixas de campeão nacional, “(…) faltam 90 minutos extremamente difíceis”.

Sobre um eventual favorecimento que o Ferroviário de Nampula possa fazer para a festa dos homónimos de Maputo Carlos Manuel não hesitou em afirmar que “entre os Ferroviários sempre há uma grande rivalidade, o passado tem mostrado isso. Embora tenhamos ganho o jogo cá, da 1ª volta por 4 a 0, mas este jogo reveste-se de uma característica diferente.”

Aliás, “por não ser importante para o Ferroviário de Nampula, porque jogar contra uma equipa que não tem nada a ganhar e não tem nada a perder é extremamente complicado, estão desinibidos, estão muito mais à vontade do que nós. Vai ser um jogo com carga emocional muito grande, os níveis de ansiedade estarão muito altos e a equipa quererá ganhar a todo o custo então é isso que nós temos que tentar controlar durante este jogo contra o Ferroviário de Nampula. Mas é preciso reconhecer que se nós entrarmos bem para o jogo, com aquilo que nós temos estado a trabalhar, com os níveis de confiança da equipa penso que não teremos muitas dificuldades em conseguir resolver este jogo”, disse Caló.

“Apelar que estes senhores que decidem sobre os jogos sejam imparciais”

Para o jogo de domingo o goleador principal do Ferroviário está lesionado, “Lesionou-se no jogo contra a Liga Desportiva de Maputo foi engessado e previa-se que tirasse o gesso a 22 mas quando foi lá voltaram a colocar-lhe outro, porque não estava cicatrizado ainda, é o único jogador que está fora de questão”.

Foto de Adérito CaldeiraMas essa baixa não parece ser uma dor de cabeça para Carlos Manuel que já sabe quem irá marcar golos no estádio 25 de Junho “Temos um outro jogador, o Lewis, que não tem jogado a titular mas tem sido sempre a segunda opção de ataque, tem também sete golos, e é um jogador que poderá vir a ser o melhor marcador, jogando em Nampula claramente”.

Caló tem contrato que termina no fim desta época mas isso não lhe tira o sono, afinal são treinadores da casa. “Estamos preocupados em fazer um trabalho bom, penso que até aqui, independentemente daquilo que acontecer no domingo, teremos feito uma época boa. Vamos deixar isto para a Direcção, que tem responsabilidades em organizar a próxima época da equipa, mas por aquilo que nós fizemos, por aquilo que se tem falado penso que há condições de nós continuarmos cá para a próxima temperada, mas não há nada definido ainda, não há nada conversado mas pelo menos acreditamos que pelo trabalho que desenvolvemos há condições de nós continuamos cá”.

Porém, se continuar como timoneiro, do mais do que provável próximo campeão nacional, Carlos Manuel revelou-nos que vai apostar na formação. “Os primeiros jogadores da “locomotiva de esperança” poderão provavelmente entrar para a equipa sénior nos próximos tempos. Por estarmos a trabalhar cá nós, somos produto da formação também, acho que estará facilitada a integração dos jogadores que vêm da formação. Sabemos que em Moçambique não temos tido muita coragem de apostar em jogadores que saem dos juniores directamente para a equipa principal, sobretudo nas equipas grandes do futebol nacional, mas é simplesmente um acto de coragem só, porque qualidade e talento existe sempre, penso que dois ou três jogadores no próximo ano poderão estar na equipa principal da equipa do Ferroviário”.

Caló prefere não falar sobre o adversário na luta pelo título e sem querer falar dos árbitros o @Verdade conseguiu-lhe arrancar um apelo. “Apelar que estes senhores que decidem sobre os jogos, sobretudo nesta última jornada, sejam imparciais e ponham a verdade desportiva em primeiro lugar e penso que o futebol é que sairá a ganhar com isto”.

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