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Bolívia tenta encerrar a crise policial, mas surge outro conflito

O governo da Bolívia esforçava-se, esta Terça-feira, para resolver um violento motim policial que já dura cinco dias, o segundo conflito social grave no país seguido e que ocorre na véspera da chegada a La Paz de um novo foco de preocupação para o presidente Evo Morales, uma marcha da oposição indígena.

Apesar de exibir cifras económicas positivas, Morales, um líder indígena cocalero que denunciou uma conspiração por trás do motim, sofre um dos períodos de maior tensão do seu governo, com uma série de conflitos sociais, enquanto aproxima-se de cumprir a metade do seu segundo mandato.

“Avançamos em vários pontos, esperamos que depois de uma reflexão hoje (terça-feira) resolva-se este conflito para que a tranquilidade volte”, disse o vice-ministro do Interior, Jorge Pérez, ao anunciar, durante a madrugada, uma pausa no diálogo entre o governo e os amotinados.

A negociação das reivindicações salariais e administrativas dos suboficiais e policiais rebeldes foi retomada logo que uma suposta maioria dos rebeldes rejeitou um acordo assinado, Domingo, e endureceu o protesto.

Enquanto aguarda-se a retomada do diálogo a qualquer momento, o motim fez com que os serviços policiais fossem paralisados em quase todo o país, situação que agravou o costumeiro caos no trânsito nas cidades e obrigou os bancos a recorrerem à segurança particular para permanecerem abertos.

A praça Murillo de La Paz, onde ficam os palácios presidencial e legislativo, continuava tomada pelos amotinados, que gritam duros slogans contra Morales enquanto exibiam armas de fogo e armas anti-distúrbios.

“A intransigência de alguns policiais, que recusaram o acordo e usaram violência contra cidadãos, mostra que eles buscam algo além de melhoras salariais, buscam uma desestabilização”, disse, Terça-feira, a ministra das Comunicações, Amanda Dávila.

A acusação do governo, que vem sendo repetida desde Domingo, foi negada tanto pelos líderes do protesto como pelos chefes da oposição.

“Não há tais preparativos golpistas, o que temos é um perigoso plano golpista do governo ou pelo menos uma densa cortina de fumaça que pretende encobrir o desgaste governamental”, disse o ex-prefeito de La Paz, Juan del Granado, ex-aliado de Morales e agora líder da oposição.

O motim acontece logo logo depois do encerramento, semana passada, de um conflito entre aliados de Morales e o grupo suíço Glencore pelo controle de uma mina de estanho e zinco.

O presidente resolveu a disputa nacionalizando a mina. Tudo isso enquanto outro movimento social, constituído por vários povos indígenas, caminha há dois meses rumo a La Paz, no segundo protesto deste tipo em menos de um ano contra o projecto de uma rodovia que atravessaria o parque nacional Tipnis.

Os indígenas, ainda que visivelmente divididos e em menor número do que no ano passado, chegarão, Segunda-feira, às portas da capital política boliviana e disseram que entrarão na cidade depois de ser concluída a manifestação policial.

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