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Boa governação versus má governação

Mo Ibrahim, o multimilionário britânicosudanês e uma das maiores figuras mundiais do ramo das telecomunicações, voltou a surpreender os líderes do continente africano com uma intervenção proferida numa conferência de promoção de boa governação que teve lugar esta semana em Dar-es-Salam, na Tanzânia.

Ibrahim tomou a palavra e falou curto e grosso: “Lamento ter de dizer isto, mas alguns dos nossos países [africanos] pura e simplesmente não são viáveis.” E prosseguiu mais acutilante: “Muitos deles são demasiado pequenos para continuarem a existir nestes moldes. A ideia de que 53 pequenos Estados de África conseguem competir com a China, Índia, Europa ou os Estados Unidos é uma falácia. O comércio intra-africano representa apenas 4 a 5% do nosso comércio internacional! Isto é inacreditável!”

Em seguida repetiu várias vezes porquê, porquê? Depois, voltou à carga e foi mesmo muito incómodo para a audiência – o presidente tanzaniano, Jakaya Kikwete, era um dos presentes – afirmando que alguma coisa estava “drasticamente errada”. Porque um continente com 900 milhões de habitantes – 2/3 da população da Índia -, portanto muito longe da sobrepopulação e bafejado por riquezas naturais que o tornam potencialmente auto-suficiente e até bastante excedentário, encontrando-se numa situação como a actual, extremamente pobre e com uma população faminta, só pode ser mesmo devido à má governação.

“Penso que temos o direito, perante este estado de coisas, de perguntar aos nossos líderes se são realmente sérios?”, inquiriu, para espanto de todos. As soluções apresentadas pelo milionário passam, urgentemente, por uma rápida, profunda e séria integração regional, a nível económico – incluindo uma moeda única – e político. Mas é acima de tudo na boa governação que reside a chave do sucesso. Todos os exemplos positivos em África – e ainda são alguns – estão associados a ela. As estatísticas falam por si.

Países que adoptam boas práticas governativas – falo de respeito pelos direitos humanos, liberdade de imprensa, alternância política, políticas económicas ajustadas à realidade, desburocratização e despartidarização do aparelho de Estado, combate à corrupção, etc. – estão no topo da lista como é o caso do Botswana, África do Sul, Gana, Cabo Verde, Benin, Togo.

Na cauda encontram-se, justamente, os que constantemente violam as práticas da boa governação. Os seus nomes são sobejamente conhecidos. Somália, Guiné Conacri, Guiné- Bissau, Zimbabwe, Angola, RDC, Congo Brazzavile, Serra Leoa, Libéria e… muitos mais.

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