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‘Bleus’ deixam imagem lamentável no Mundial da África do Sul

Jogo deprimente, escândalos sexuais, desdém, hermetismo, greve de treinamento: os ‘Bleus’ e seu treinador deixaram uma imagem lamentável da selecção francesa de futebol no Mundial da África do Sul-2010.

Seria preciso ver as notícias da TV brasileira, carregadas de incredulidade diante das imagens, no domingo, do campo de Knysna, que a seleção francesa deixou vazio depois de desistir de treinar. Os jogadores da selecção não são santos, tudo bem, mas os ‘Bleus’ pegaram pesado.

“Sokker skandal!” (escândalo no futebol), intitulava, na terça-feira, em idioma ‘afrikaans’ a primeira página de um jornal de Bloemfontein com uma foto de Roselyne Bachelot, ministra francesa do Desporto, que chegou ao luxuoso hotel dos ‘Bleus’ para tentar controlar o motim. Mas na verdade, a própria classificação dos ‘Bleus’ para este Mundial simbolizou seu tormento.

 Em 18 de novembro de 2009, a festa pode ter sido muito agradável. Mas o empate com a Irlanda, que carimbou o passaporte dos franceses para a África do Sul, na repescagem, foi manchado pela mão de Thierry Henry, que deu uma ajeitadinha na bola antes de fazer o passe para William Gallas, que marcou o golo, deixando a França feia na foto. Na tarde de segunda-feira, em meio a todos os dissabores da equipe, um jornalista inglês perguntou se tudo o que estava a acontecer não era outra coisa senão “justiça” pela desonesta jogada de mão de Henry.

Raymond Domenech o ignorou olimpicamente. Os jornalistas estrangeiros, particularmente os anglófonos presentes nas colectivas de Domenech com suas respostas irritantes – tipo, “Como vão jogar? Vamos jogar de azul e os irlandeses, de verde” – já pegaram o hábito de chamá-lo de “french arrogant!” (arrogante francês). Mas a má fase parece ter começado bem antes. Em 3 de março de 2010, contra a Espanha, campeã da Europa, os ‘Bleus’ perderam por 2-0 e foram vaiados por todo o Stade de France por causa do fraco desempenho e, das arquibancadas, alguém exibia um cartaz com a frase, “Cadê você, ‘Zizou’?”, clamando a presença do craque aposentado Zinédine Zidane.

Depois seguiu-se o “caso Zahia”, a prostituta que revelou ter tido relações sexuais com três ‘Bleus’, sendo que com dois deles – entre os quais estava Franck Ribéry – ainda quando era menor de idade. Assim, a imagem de jovem simples e gentil caiu na lama. Mas o pior ainda estava por vir. Os insultos do atacante Nicolas Anelka a Domenech (“Vai tomar no cu, seu sujo filho da puta!”) por tê-lo criticado pelo posicionamento em campo durante o intervalo do jogo contra o México, pelo grupo A do Mundial – que os latino-americanos venceram por 2-0 -, foi a gota d’água.

O jogador foi expulso da equipe após as revelações da imprensa dois dias depois e a isto seguiu-se a greve de treinamento dos “jogadores milionários” em apoio ao ‘destituído’ Anelka, na presença de 200 jornalistas. Assim ruía o mito do “grupo unido que vive bem” no hotel de luxo Pezula, em Knysna. Na França, o escândalo fez eco na política e no meio publicitário, que sofrerá enormes perdas entre os patrocinadores dos ‘Bleus’. Quanto à torcida, o divórcio parece facto consumado. E o desporto no meio disso? A França perdeu dois jogos, contra o México (2-0) e a África do Sul (2-1) e empatou sem golos contra o Uruguai. No cômputo final, os ‘Bleus’, vice-campeões do mundo, deixaram a África do Sul após marcar um único golo.

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