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Beira – Autoridades portuárias negam responsabilidade em relação a escassez de combustível no Malawi

As autoridades gestoras do Porto da Beira, na Província de Sofala, Centro de Moçambique, negam qualquer tipo de responsabilidade em relação a crise de combustível no Malawi.

A vizinha República do Malawi debate-se com escassez de combustível desde as últimas semanas, situação que já provocou ondas de protestos que obrigaram a intervenção das autoridades policiais do País.

Agências internacionais de notícias veicularam há dias informações dando conta que o Presidente do Malawi, Bingu wa Mutharika, responsabilizava os portos moçambicanos da Beira e Nacala pela escassez de combustível no seu País.

Citando as mesmas agências, na nossa edição de 16 de Fevereiro de 2011 referimos que o Presidente Bingu wa Mutharika fez um discurso ao País transmitido por uma emissora estatal e explicou que o Malawi depende de outros países para importar o seu combustível.

“Nós não controlamos o fluxo de bens quando entram nos portos” – explicou, declarando que a escassez é devido ao embaraço nos portos moçambicanos da Beira e Nacala.

Entretanto, o Chefe do Terminal de Petróleo do Porto da Beira, Jeremias do Rêgo, disse em entrevista ao nosso jornal que ao nível dos CFM nunca foi recebido qualquer queixa das autoridades do Malawi sobre o trânsito de combustível.

Do Rêgo recordou que no ano passado houve registo de agitação semelhante, em que se procurou dar a entender que a escassez de combustível no Malawi tinha a ver com o Porto da Beira, mas das investigações feitas chegou-se a conclusão de que o problema residia na incapacidade financeira daquele País para suportar as despesas com a importação de combustível.

“Nessa altura chegamos a fazer um exercício para perceber o que realmente se estava a passar e constatamos que na Beira todas as gasolineiras tinham combustível e havia inclusive combustível com destino ao Malawi”.

O Chefe do Terminal de Petróleo do Porto da Beira sossegou que do “nosso” lado não existe de forma alguma qualquer tipo de discriminação de navios que chegam, muito menos em função do destino da carga. “Aqui o nosso lema é: o primeiro que chegou a barra é o primeiro a ser atendido” – esclareceu.

Na opinião daquele responsável portuário, o Malawi precisa criar capacidade interna de armazenagem de tal ordem que esteja equacionada com o tempo de trânsito de combustível.

A fonte mencionou igualmente a disponibilidade financeira do País para reunir stocks suficientes, recordando o pior momento em curso que o mercado internacional de combustível está atravessar.

Há menos de duas semanas foi noticiado que o Malawi havia solicitado uma linha de crédito de cinquenta milhões de dólares para reaprovisionar as reservas do País em combustível.

“Há vezes em que eles dizem que não tem combustível no Malawi enquanto a Beira tem, então seria uma questão de negociarem o adiantamento, o que é possível” – frisou.

Importações de combustíveis para o Malawi em baixa

Por outro lado, O Autarca soube que a frêquencia de navios que chegam no Porto da Beira com carregamento de combustível para o Malawi é muito reduzida.

Na passada sexta-feira quando visitamos o Terminal de Petróleo do Porto da Beira fomos informados que além do que estava a descarregar encontravam- se na barra mais quatro navios e não constava nenhum trazendo carregamento para o Malawi.

O volume de importação de combustível do Malawi em 2010 representa apenas vinte por cento do total manuseado pelo Terminal de Petróleo do Porto da Beira, mas desde Janeiro do corrente ano os níveis caíram para menos de cinco por cento – segundo deu a conhecer Jeremias do Rêgo.

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