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Banco de Moçambique adia reunião sobre política monetária “por razões técnicas”

Banco de Moçambique não consegue impor Taxa MIMO aos bancos comerciais

O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique (CPMO) cujas decisões têm contribuído para o aumento da inflação e desvalorização do metical, em relação ao dólar e ao rand, adiou a sua sessão ordinária prevista para esta segunda-feira(18) “por razões técnicas” não especificadas.

As decisões restritivas que este órgão do Banco Central tem imposto desde finais do ano passado tem vindo a asfixiar as pequenas e médias empresas moçambicanas, e aos cidadãos comuns, pois os aumentos nas taxas de referência tem originado a subida das taxas de juros nos bancos comerciais tornando o acesso ao dinheiro cada vez mais elevado.

“(… )A leitura da conjuntura pode levar a pensar que o aumentos das taxas de referência pode resolver a situação mas com uma análise aprofundada percebe-se claramente que esta situação não vamos resolver nem com uma taxa de referência a 40%. Se não encontrarmos outras medidas a nível da política fiscal, a nível das políticas agrárias nós não vamos conseguir ultrapassar isto”, disse ao @Verdade em entrevista recente Eduardo Sengo, porta-voz da Confederação das Associações Económicas de Moçambique.

O @Verdade tentou sem sucesso questionar ao Banco de Moçambique se tem o conhecimento que estas suas decisões de política monetária não estão a estimular a produção nacional de comida conforme recomenda o Governo como forma de ultrapassarmos alcançarmos a autosuficiência alimentar?

A economista Oksana Mandlate explicou ainda ao @Verdade que “o aumento das taxas de juro pelo BM é baseada na assumpção de que a inflação está ligada ao excesso da procura na economia, e visa abrandar o consumo e o investimento doméstico. Mas no caso de Moçambique, que tem a sua economia dependente das importações, uma boa parte da inflação nos bens de consumo é importada, em parte devido a desvalorização da taxa de câmbio. As cadeias de valor domésticas imputam altos custos nos produtos, tanto por conta da pequena escala de operação como por conta de altos custos e lucros, decorrentes da estrutura da economia e dos mercados. E se aumentamos o custo de financiamento das empresas e inviabilizamos os projectos orientados para a produção dos bens básicos, em que medida isso combate a inflação?”, questiona a economista que é assistente de investigação no Grupo de Investigação sobre Economia e Desenvolvimento do Instituto de Estudos Sociais e Económicos(IESE).

A inflação, segundo o Instituto Nacional de Estatística(INE), voltou a aumentar em Junho, nos últimos seis meses “o País registou um agravamento do nível geral de preços na ordem de 9,29 por cento”, além disso esses dados, “quando comparados com os de igual período de 2015, mostram que o País registou um aumento de preços na ordem de 19,72 por cento”.

A falta de divisas é uma realidade desde os finais de 2015, altura em que o Banco de Moçambique teve que recorrer a um crédito do Fundo Monetário Internacional para equilibrar as Resersas Internacionais Líquidas que passaram de 3,8 biliões de dólares norte-americanos em Agosto de 2014 para 1,7 biliões em Maio de 2016.

Nos bancos comerciais o dólar norte-americano foi transccionado nesta terça-feira(19) a 65,95 meticais porém no mercado paralelo, onde ainda é possível encontrar divisas, foi vendida a 72 meticais e, segundo fontes do mercado “vai continuar a subir”.

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