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Baixa um por cento índice de seroprevalência de SIDA em Moçambique

O índice de seroprevalência de Sida em Moçambique baixou dos anteriores 16 por cento para os actuais 15 por cento entre a população adulta, segundo dados revelados por ocasião do Dia Mundial de Luta Contra Sida.

O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, que dirigiu as cerimónias centrais para assinalar a data, defendeu, que não obstante esta indicação encorajadora, a prevenção continua a ser prioridade do Governo. “15 por cento não é ainda onde queremos chegar, mas surge como uma indicação encorajadora de que estamos a começar a encontrar o caminho para onde queremos ir.

Por isso, a prevenção continua a nossa grande aposta. A prevenção encerra muitas complexidades e pressupõe que aceitemos que seja o receptor da mensagem quem deve determinar o seu conteúdo e os mecanismos para a sua transmissão”, disse. De acordo com Guebuza, o país precisa de intensificar o uso de mecanismos de prevenção e de testagem voluntária como aposta para a redução da prevalência do HIV/SIDA no seio da população. O 1/o de Dezembro, Dia Mundial de Luta contra a SIDA, este ano se assinalou sob o lema “Olhe para o futuro. Faça o teste do HIV”.

Para o estadista moçambicano, 15 por cento de prevalência é uma indicação encorajadora, atendendo o esforço que vem sendo feito para o combate à pandemia no país. Segundo Guebuza, apesar das várias acções levadas a cabo na área da comunicação, estudos recentes demonstram que ainda há muitos cidadãos que não conhecem aspectos importantes como o que é, como se transmite e como se pode prevenir o HIV/SIDA.

Neste contexto, o Presidente da República reiterou a necessidade de intensificação e de massificação da informação, educação e comunicação para a melhoria do nível de conhecimento de todos em relação à pandemia. Outra questão colocada pelo Chefe do Estado tem a ver com o facto de muitos cidadãos desconhecerem se estão infectados ou não, porque nunca fizeram o teste e muitos só descobrem quando chegam às unidades sanitárias em estado grave.

Fazer o teste, segundo o mais alto magistrado da Nação moçambicana, permite assumir comportamento de menor risco, para além de se constituir em activista entre os demais, reduzindo a possibilidade de novas infecções. Guebuza alertou para a pertinência dos cidadãos que tenham contraído a doença se dirigirem às unidades sanitárias, o mais cedo possível, para beneficiarem do tratamento anti-retroviral. Uma exortação particular foi lançada às instituições especializadas no sentido de intensificarem e participarem nas actividades de aconselhamento e testagem de saúde, incluindo do HIV, programas para os quais é chamada a adesão dos cidadãos. “O nosso empenho deve continuar para que mais compatriotas nossos tenham os serviços de aconselhamento e testagem mais perto das suas residências”, disse.

Está actualmente em curso a elaboração do Plano Estratégico da resposta ao HIV/SIDA 2010-2014, que deverá priorizar o reforço da prevenção em todas as suas vertentes. O plano, segundo Armando Guebuza, procura dar ênfase às acções direccionadas à família, à mulher, à criança, ao adolescente e ao jovem, para além de acções que contribuam para o combate ao estigma e à marginalização. “Neste Dia Mundial de luta contra a SIDA reiteremos o nosso compromisso colectivo de contribuir para travar novas infecções. Reiteremos, igualmente, a nossa determinação de assegurar que os que estão já infectados tenham acesso à informação, cuidados de saúde e tratamento para uma melhor saúde, em defesa da vida”, disse. Representantes das confissões religiosas presentes no acto solidarizaramse com os esforços em curso para o combate à doença e ressalvaram o seu interesse numa estratégia baseada na prevenção com o respeito à ética e aos valores da Igreja.

Ligeira redução patamar de estabilização

Para o Ministro da Saúde, Ivo Garrido, 15 por cento significa uma ligeira diminuição em relação à última ronda epidemiológica realizada em 2007, que apontava para um índice de 16 por cento. Com base nos resultados apresentados no Dia Mundial de Luta contra a Sida, Garrido considera que a epidemia apresenta um grão de maturação com uma tendência de estabilização. “Considerando que o método utilizado em todas as rondas foi sempre o mesmo, podemos falar duma ligeira diminuição da prevalência, mas a mensagem mais importante é ter-se atingido o patamar da estabilização”, disse o Ministro. Dados divulgados na ocasião referem que 1.6 milhão de moçambicanos está infectado pelo HIV/SIDA.

Estima-se, igualmente, que mais de 120 mil novas infecções ocorram por ano, o que significa 440 por dia. Registaram-se até ao momento 90 mil óbitos devido à SIDA e perto de 510 mil crianças são órfãs devido à doença. A ronda de vigilância epidemiológica 2009 incluiu um total de 300.373 mulheres grávidas em 36 postos sentinela nas unidades sanitárias espalhadas por todas as províncias do país. No final foram analisados os dados de 12939 mulheres grávidas, cujo sangue foi testado para verificar a presença de anticorpos contra o vírus. Os resultados dessas análises permitiram determinar a taxa de seroprevalência. Usando métodos estatísticos aprovados pela Organização Mundial da Saúde, fez-se a extrapolação para a restante população adulta moçambicana.

Comparativamente aos anos anteriores, constata-se que a taxa de prevalência baixou de 16.2 por cento em 2004, para 16 por cento na ronda de 2007 e, finalmente, 15 por cento este ano. Para a presente ronda, está a ser considerado um intervalo de confiança situado entre 14 e 17 por cento. Segundo o Ministro da Saúde, quando se fala do HIV/SIDA em Moçambique, refere-se a três realidades distintas. Por um lado, a região Norte cuja estabilização se situa abaixo de dez por cento, a central em que a mesma ainda se situa abaixo de 20 por cento, e finalmente a região Sul, onde a situação é mais preocupante, uma vez que apesar de se caminhar para a estabilização, a tendência não é tão clara em relação às restantes, situando-se acima de 20 por cento.

Os resultados da ronda epidemiológica 2009 mostram uma estimativa de prevalência para a região Norte de nove por cento, 18 pontos percentuais para o centro e 21 para o Sul. Em 2004, as regiões sul e centro estavam com uma prevalência de 19 por cento e a Norte com nove. Na ronda seguinte (2007), a região sul subiu para 21 por cento, a centro baixou para 18, enquanto que a norte se manteve nos nove por cento. “A estimativa não calibrada da prevalência do HIV/SIDA na população adulta moçambicana é de 15 por cento.

Tendo em conta os limites da plausibilidade desta estimativa, esta taxa pode estar entre 14 e 17 por cento (intervalo de confiança)”, disse Ivo Garrido numa cerimónia testemunhada pelo Chefe do Estado, Armando Guebuza, pelos parceiros de cooperação e membros da sociedade civil. De acordo com o Ministro da Saúde, as tendências da prevalência nacional mostram que a realização das rondas epidemiológicas de dois em dois anos é particularmente importante, na medida em que indica a progressão verificada ao longo desse período.

Com efeito, a tendência dos últimos anos é de estabilização depois de um período de crescimento que começa nos finais de 1990 até 2004. Espera-se que no primeiro semestre de 2010, o país tenha informação mais completa sobre o HIV/SIDA, bem como sobre o comportamento dos moçambicanos em relação à doença.

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