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Avenida Eduardo Mondlane beneficia de reabilitação na Beira

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Em Moçambique, 2009 foi declarado como ano do “arquitecto da Independência e da Unidade Nacional”, Eduardo Mondlane, morto em atentado com carta-bomba já passam quase 40 anos.

As obras decorrem num troço de um pouco mais de um quilómetro, compreendido entre o edifício da delegação provincial do Instituto Nacional do Algodão, em Sofala, e a Praça 3 de Fevereiro, que, antes da Independência nacional proclamada no dia 25 de Junho de 1975, se designava Praça Almirante Reis.

Em contacto com o nosso Jornal, Augusto de Jesus Passipanaca, director de Estradas e Pontes no Conselho Municipal da Beira (CMB), explicou que o projecto inicialmente esboçado previa que as obras fossem levadas a cabo durante três meses, mas porque os fundos aplicados são de receitas próprias, o período tem sido dilatado involutariamente, para dar lugar à colecta de outros valores monetários para a aquisição dos materiais, a exemplo de cimento para a produção de pavês, entre outros.

 

Passipanaca garantiu, contudo, que dentro de um espaço de tempo curto a reabilitação poderá ser concluída e, consequentemente, reinaugurada por Daviz Mbepo Simango, edil que a partir deste ano vai governar por mais cinco anos consecutivos o Município da Beira, mercê da sua vitória nas eleições de 19 de Novembro de 2008, quando concorreu na qualidade de candidato independente.

A reabilitação abrange os passeios e sistema de drenagem daquele troço que mereceu estas obras, em virtude de se encontrar em estado acentuado de degradação, devido fundamentalmente à progressão das raízes das frondosas árvores que proporcionam sombra aos transeuntes e não só.

Os trabalhadores envolvidos nas obras têm instruções para eliminar apenas algumas raízes que crescem até à surperfície. Eles fazem-no com muito cuidado, porquanto as árvores não devem ser cortadas, na medida em que foram já declaradas um património da cidade da Beira, na Avenida Eduardo Mondlane, que foi o primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e considerado o arquitecto da Unidade Nacional.

“Não me é possível mencionar os valores monetários a serem aplicados na reabilitação, porque inicialmente tínhamos vários cenários desenhados, mas chegámos à conclusão de que a tecnologia a aplicar nas obras seria a colocação de pavês, que permitem que quando uma parte se degrade, possamos substituir imediatamente por outra” – disse Passipanaca, acrescentando que “contávamos fazer a reabilitação com os fundos do Governo, mas não os recebemos durante todo o ano de 2008”.

“O Conselho Municipal da Beira, outrora Câmara Municipal, achou conveniente aplicar os fundos de receitas próprias para devolver melhores condições de transitabilidade aos automobilistas que já reclamavam insistentemente”, afirmou Passipanaca, referindo ainda que os próprios passageiros que se fazem transportar de “chapa-100” queixavam-se também do precário estado de conservação daquela rodovia.

Importância

A Avenida Eduardo Mndlane é considerada de vital importância para todos os efeitos, pois serve de ligação entre a baixa da cidade e o bairro de Macúti, onde se localiza o Hospital Central da Beira, que recebe doentes de várias regiões do centro do país, daí que seja a opção dos transportes semicolectivo de passageiros.

Passageiros há também que se servem da rodovia em alusão, que vivem no bairro da Ponta-Gêa, ou os cidadãos que pretendem tratar assuntos de seu interesse, sendo de destacar os estudantes da Universidade Católica de Moçambique (UCM), e da Universidade Pedagógica (UP), delegação da Beira, que se localiza numa rua paralela.

A UCM está a funcionar no edifício que no tempo colonial era o Colégio Nossa Senhora dos Anjos, no lado direito da Avenida Eduardo Mondlane, próximo do Cinema 3 de Fevereiro, que até então tinha o nome de Cine-Teatro São Jorge, que se localiza na antiga Praça Almirante Reis. Na altura do colonialismo português este cinema era o maior de Moçambique, conforme os depoimentos dos cidadãos que o conheceram naquela altura, a exemplo de Maria Celestial Pinto e Faquira Inácio, abordados pela nossa Reportagem, a propósito da história desta avenida.

Através da Avenida Eduardo Mondlane, os cidadãos têm acesso igualmente à praia da Ponta-Gêa, entre outros locais de interesse público, daí a razão pela qual a rodovia joga um papel extremamente importante para a vida dos munícipes e não só, tal como considerou o director de Estradas e Pontes do CMB.

“Por isso, vimos que era inadiável a sua reabilitação, embora não tivéssemos fundos do Governo” – sublinhou a fonte que temnos vindo a citar. “Esperamos conseguir terminar as obras dentro em breve, porque é nosso interesse ver os munícipes a viajar com comodidade e possam chegar onde queiram sem se sentir magoados, porque este e outro serviço não está a correr bem, não é isso que desejamos” – sublinhou.

Enquanto decorrem as obras de reabilitação naquele troço, os automobilistas têm desviado para a rua Correia de Brito, que se apresenta com condições razoáveis de transitabilidade.

O Governador

O próprio governador de Sofala, Alberto Vaquina, tem utilizado o mesmo percurso quando sai do palácio até ao seu gabinente de trabalho e vice-versa. O timoneiro sofalense vive na margem direita da Avenida Eduardo Mondlane, mais precisamente próximo da Praça da Independência, que antigamente era chamada Praça da Índia e mais tarde Praça Doutor Vieira Machado, local escolhido pelas autoridades governamentais de Sofala para erguer o busto em memória de Samora Machel, o primeiro Presidente de Moçambique.

Nas margens da Avenida Eduardo Mondlane, para além da UCM (Faculdade de Economia e Gestão), existem várias infra-estruturas de utilidade pública, destacando-se o Centro de Saúde da Ponta-Gêa, que já se designou Hospital Central Rainha Dona Amélia e também Hospital Europeu, a Farmácia Beira, cujo nome se mantém desde a era colonial, o Pavilhão dos Desportos da Beira, então Pavilhão de Desportos da Mocidade Portuguesa, a Escola Primária Eduardo Mondlane, a Direcção da Educação, Juventude e Tecnologia da Cidade, a Catedral, onde fincionava igualmente a Escola de Artes e Ofícios, em frente do Pavilhão dos Desportos da Beira, bem como outras igrejas.

A antiga Avenida da República começava um pouco antes da Administração do Parque Imobiliário do Estado (APIE) e terminava na Praça Almirante Reis (actualmente Praça 3 de Fevereiro), de acordo com dados que constam do caderno “Roteiro da cidade da Beira”.

Actualmente, a Avenida Eduardo Mondlane começa na Praça do Município (então Praça Almirante do Gago Coutinho e também Largo do Município, no antigo bairro residencial Aruângua, actualmente bairro Chaimite) e termina na Praça da Independência, segundo o vereador para a área de Construção e Urbanização do CMB, Agusto Manhoca. O troço acrescentado era designado Avenida 5 de Outubro, que partia da Praça Almirante Reis até à Praça da Índia, conforme dados do “Roteiro da cidade da Beira”.

Escola Eduardo
Mondlane

No entanto, este ano a Escola Primária do 1º grau Eduardo Mondlane vai beneficiar de obras de reabilitação, para permitir que os mais de quinhentos alunos da 1ª a 5ª classe possam estudar em boas condições.

A garantia da reabilitação foi dada por Teixeira Basílio, director da Educação, Juventude e Tecnologia da Cidade da Beira, explicando que as obras de restauração das infra-estruturas deste sector decorrem de forma faseada, consoante a disponibilização de fundos.

“Entendemos que as escolas devem ser reabilitadas, por isso a Eduardo Mondlane enquadra-se nesta perspectiva” – disse a concluir o nosso
interlocutor.

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