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Austrália combate praga de sapos-boi

No passado dia 5 de Abril, no norte do estado de Queensland, na Austrália, houve dia de caça ao sapo. À noite, centenas de pessoas de cinco comunidades diferentes saíram para o campo, com sacos e luvas na mão, e lá vai disto – 3600 sapos – boi capturados vivos (era uma das regras), prontos para serem medidos, identificados e mortos no dia seguinte, em ambiente de festa.

“Ver o ar das crianças enquanto nós pesávamos e mexíamos nos sapos e depois os sacrificávamos…”, disse aos jornalistas Vern Veitch, vereador da cidade de Townsville, no norte do estado, parando de falar para deixar escapar um suspiro. “As crianças entraram mesmo no espírito da iniciativa”, explicou, concluindo o pensamento.

A medida parece uma celebração quase medieval, mas foi uma das formas de mitigar um problema grave com mais de 70 anos de história e que está a dizimar várias espécies do nordeste da Austrália. O Bufo marinus, o nome científico do sapo-boi, foi introduzido em Queensland no início dos anos de 1930 para combater o Dermolepida albohirtum, um escaravelho que era uma dor de cabeça para os agricultores que tinham plantações de cana-de-açúcar.

O insecto alimentava-se da cana e tornou-se rapidamente numa praga. Na altura esperava-se que o sapo, vindo directamente da Amazónia, na América do Sul, saltasse o suficiente para dar cabo do problema. Mas não, os escaravelhos continuaram a alimentar-se sossegadamente no topo das canas-de-açúcar onde permaneciam inalcançáveis para as pernas dos sapos – que até não são pequenos e podem chegar aos 20 centímetros de comprimento. O projecto foi abandonado e ao Bufo marinus ficou com um território imenso para explorar, que foi o que fez.

De bestial a besta

Na região da Amazónia, o veneno com várias toxinas que o sapo segrega da pele mantém-no vivo e integrado dentro da rede alimentar. Mesmo com esta defesa, o anfíbio continua a ser uma presa para diversos animais como serpentes, caimões e vários peixes, e é alvo de doenças que foram evoluindo paralelamente com o sapo. Mas o grupo de indivíduos que chegou à Austrália não tinha nenhum inimigo natural e os que tentaram fazer dele uma refeição acabaram por morrer devido ao veneno.

Ao longo das décadas, os sapos foram-se multiplicando e espalhando. Para além de dizimarem várias espécies de insectos, também se alimentam de rãs, répteis e mamíferos pequenos, e até de aves. Por outro lado, algumas espécies de aves, serpentes, e uma espécie nativa de gato-marsupial, viram as suas populações ficar reduzidas por tentarem alimentar-se do sapo.

A expansão do sapo-boi está a assustar especialmente os biólogos por causa do crocodilo-pigmeu-de-água-doce. Este crocodilo, com poucas centenas de indivíduos, existe em apenas dois locais e apesar de pertencer à espécie endémica do crocodilo de água doce, que chega a ter três metros, estas populações têm metade do tamanho e já há quem as considere uma subespécie. Nas últimas semanas, os voluntários dos parques encontraram várias dúzias de crocodilos-de-água-doce mortos por se terem alimentado do anfíbio e os dois territórios onde vivem os crocodilos-pigmeus fazem parte da zona de expansão do sapo-boi.

À procura de soluções

Em Queensland há cada vez mais pessoas atentas ao anfíbio e prontas a liquidá-lo, mas estudam-se soluções mais agressivas que passam pela introdução de novas espécies que sejam predadores específicos do sapo-boi como formigas-assassinas da Amazónia, ou a introdução de um vírus específico para neutralizar a espécie.

O dia de caça ao sapo foi mais uma forma de mitigar o problema. A ideia veio de Shane Knuth, que é uma política de Queensland. O raciocínio foi simples: se cada fêmea produz 20 mil ovos, mesmo que só se matem alguns milhares consegue-se aliviar o território de alguns milhões de sapos.

Durante o domingo várias pessoas passaram o dia a identificar os sapos apanhados na véspera, para terem a certeza de que estavam a liquidar a espécie correcta. Teve-se em conta o sofrimento dos anfíbios que foram sacrificados ou através da congelação ou dentro de sacos cheios de dióxido de carbono.

O destino das carcaças foi variado: alguns sapos transformaram-se em troféus, outros foram para museus, em alguns casos a pele foi utilizada para objectos de ornamentação. Mas foram os restos transformados em adubo para as plantações de cana-de-açúcar que deram o final mais digno à viagem destes sapos-boi.

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