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Angola: aura de “Zenu”com brilho escasso

José Filomeno dos Santos, mcp “Zenu”, não goza de aceitação para substituir o pai na Presidência da República de Angola em meios considerados referenciais da sociedade angolana, entre os quais se contam independentes, mas também outros, pertencentes ou conotados com a elite política e económica do próprio regime do MPLA.

Os elementos mais comuns nas manifestações em relação a “Zenu” conhecidas nos referidos meios são considerados próprios de sentimentos de indiferença ou de rejeição:

– Os indiferentes têm manifestações “inócuas”; os argumentos tipo em que se baseiam (não conhecem a pessoa de “Zenu”; não sabem acerca dele o suficiente para se pronunciar), são, porém, considerados depreciativos em relação a alguém com o estatuto e a projecção social de “Zenu”.

– Os que denotam antipatia por “Zenu” apoiam-se em argumentos como o de que se trata de alguém que, simplesmente “fascinado” pelo poder que a sua progenitura lhe assegura, já acalenta altas aspirações políticas.

No último congresso do MPLA “Zenu” foi rejeitado como candidato ao Comité Central; fazia parte de uma lista de candidatos que o Presidente do partido tem a prerrogativa de apresentar. Nos últimos anos revela apetência/interesse pelos assuntos políticos, mas não lhe são reconhecidas qualidades ou méritos inerentes.

Os rumores de que José Eduardo dos Santos (JES), seu pai, o destinou a substituílo na Presidência inspiram-se na experiência de Omar Bongo, do Gabão, que promoveu o filho (adoptivo), Ali Bongo, como seu sucessor. A diferença, conforme os críticos de “Zenu” alegam, é que Ali Bongo “tem gabarito”.

2. Da “má impressão” em relação a “Zenu” faz parte a ideia de que “tem caprichos” que obstinadamente alimenta. Exemplos apontados:

– Não se conformou com objecções levantadas por um antigo ministro da Saúde, Sebastião Veloso, face à sua pretensão de construir a sede do seu banco (à data Banco Quantum; agora Banco Kwanza Invest), em terrenos de servidão da Maternidade de Luanda; o ministro viria a ser demitido e a sede do banco foi construída no local pretendido.

– Supostamente também contra o parecer do ministro demitido ou já com a permissão do actual, construiu vários edifícios, cerca de 10, em terrenos da Escola de Enfermagem, Morro Bento.

– Ao ser-lhe mostrada uma vivenda de luxo mandada construir por Manuel Vicente, actual Vice-Presidente, em Talatona, de que gostou, moveu-se no sentido de se apropriar da mesma. A atenção ultimamente prestada a “Zenu” nos meios políticos e na sociedade foi em larga escala gerada pela sua estreita ligação ao recém-criado Fundo Soberano, visto como um fulcro de poder e de influências ajustado a eventuais planos de o promover a substituto do seu pai, JES.

Um sentimento considerado comum em manifestações individuais de aversão/antipatia referenciadas em determinadas alas da classe política, é a inveja. Na má vontade de que “Zenu” é objecto também é notado tal sentimento; enriqueceu muito e depressa; tem ambições exorbitantes – conforme se comenta.

3. “Zenu” também é desfavorecido por tendências que revela como a de se rodear de estrangeiros no plano profissional (pessoal idem). Um suíço de origem mas já com dupla nacionalidade angolana, Jean-Claude de Morais Bastos, filho de um português com passado em Cabinda, passa por ser o seu “master-mind”.

A sua imagem é tratada por profissionais estrangeiros, contratados através de agências baseadas em Portugal e Inglaterra (também Dubai). A referida tendência para se rodear de estrangeiros é vista como um artifício destinado a colmatar insuficiências e inabilidades consideradas inatas de “Zenu”.

4. A “família presidencial” revela união em torno do seu “patriarca”, JES, mas é desavinda entre si, por razões de que fazem parte os seus dife- rentes ramos. A mãe de “Zenu” é Filomena de Sousa “Necas”, de origem cabo-verdiana, recentemente promovida ao escalão principal da carreira diplomática.

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