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Atentado à bomba durante a final do Mundial fez 74 mortos no Uganda

Atentado à bomba durante a final do Mundial fez 74 mortos no Uganda

Na África do Sul jogava-se a final do Campeonato do Mundo de Futebol e também no Uganda as atenções estavam viradas para Joanesburgo. Foi o período escolhido pelo grupo islamita somali al-Shabaab, com ligações à Al-Qaeda, para lançar um atentado em Kampala, capital do Uganda. A explosão de duas bombas fez, pelo menos, 74 mortos. Os ataques foram dirigidos contra um restaurante etíope e contra um clube de râguebi, locais onde a população se reuniu para assistir ao jogo da final entre Espanha e Holanda. A primeira bomba rebentou perto dos 90 minutos de jogo, depois das 23h locais e houve um intervalo de cerca de 25 minutos até à segunda explosão.

Os ataques provocaram a morte a dezenas de ugandeses, mas também a cidadãos estrangeiros, havendo registos de um jogador americano de râguebi que morreu, mais tarde identificado pela embaixada norte-americana como sendo Nate Henn, que trabalhava com crianças no Uganda. Entre os mais de 70 feridos contavam-se também seis missionários americanos.

Na segunda-feira, o grupo al-Shabaab, que já tinha ameaçado atacar o Uganda e o Burundi, reivindicou a autoria do atentado: o “Al-Shabaab esteve por trás das duas explosões no Uganda”, disse o porta-voz do grupo em Mogadíscio, Ali Mohamud Rage.

Um dos comandantes do grupo mostrou-se também satisfeito com o ataque: “Estas foram as melhores notícias que poderíamos ter recebido.” Motivos O Uganda tornou-se economicamente importante na região, devido às descobertas recentes de petróleo. Juntamente com o Burundi, o país tem sido um dos que mais contribuem para a Missão da União Africana na Somália (AMISOM), um grupo que luta para preservar o frágil governo de transição somali e que o al-Shebaab quer derrubar.

As tropas da AMISOM são vistas pelos islamitas como uma ameaça: “Se eles [Uganda e Burundi] não tirarem as suas tropas da AMISOM da Somália, as explosões vão continuar e vão acontecer também em Bujumbura [capital do Burundi]”, ameaçou o porta-voz do grupo. O al-Shabaab está ligado à rede Al-Qaeda. Num site árabe foi mesmo divulgada uma mensagem de Abu Al Zubeir, identificado como o “emir do al-Shabaab na Somália”, para o Uganda e o Burundi: “Vocês serão alvo da nossa retribuição pelos massacres perpetuados pelas vossas forças contra os homens, mulheres e crianças somali em Mogadíscio.”

O site confirma a ligação à rede de Osama bin Laden e tem sido também usado como veículo de propaganda islâmica, com vídeos em que acusam os ugandeses de serem infiéis e que enaltecem os objectivos do grupo extremista. Ontem, o grupo abriu mesmo uma nova página apenas para receber mensagens a felicitar o al-Shabaab pelas “operações abençoadas” no Uganda.

De acordo com uma declaração do governo ugandês, o presidente do Uganda Yoweri Museveni declarou uma semana de luto nacional pelas vítimas dos ataques. Museveni, que ontem visitou o centro desportivo de râguebi onde rebentou a bomba mais mortífera, dirigiu-se ao grupo somali: “Se querem lutar, porque é que não atacam soldados ou instalações militares em vez de lutar contra pessoas inocentes que apenas viam um jogo de futebol?”

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