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Ataques em Paris deixam pelo menos 120 mortos; Presidente Hollande declara estado de emergência na França

Atiradores e homens-bomba atacaram restaurantes, uma casa de espectáculos e um estádio em Paris na noite de sexta-feira, matando pelo menos 120 pessoas no que o abalado presidente da França, François Hollande, chamou de ataque terrorista sem precedentes.

Uma autoridade do município de Paris disse que homens armados assassinaram sistematicamente cerca de 100 pessoas que assistiam a um espectáculo de rock na casa Bataclan. Comandos anti-terrorismo iniciaram uma ofensiva no local, mataram os atiradores e resgataram dezenas de sobreviventes chocados.

Cerca de outras 40 pessoas foram mortas em até cinco outros ataques na região de Paris, afirmou a autoridade municipal, incluindo um aparente duplo atentado suicida no lado de fora do estádio nacional onde Hollande e o ministro das Relações Exteriores alemão assistiam a um amistoso jogo de futebol.

No entanto, o procurador de Paris, François Molins, disse que o número total de mortos era de pelo menos 120 pessoas. Cinco criminosos foram “neutralizados”.

O ataque aparentemente coordenado ocorreu no momento em que a França, um dos países fundadores da coligação que tem realizado ataques aéreos liderados pelos Estados Unidos da América contra combatentes do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, está em alerta elevado para atentados terroristas antes de uma conferência climática global no fim deste mês.

Depois de ser retirado do estádio, Hollande declarou estado de emergência nacional – o primeiro em décadas – e anunciou o encerramento das fronteiras da França para evitar a fuga dos criminosos.

O sistema de metropolitano de Paris foi fechado e escolas, universidades e edifícios municipais receberam ordens para não abrir no sábado. No entanto, alguns serviços ferroviários e aéreos devem continuar em operação.

“Isso é um horror”, disse Hollande, visivelmente abalado, num discurso à nação em rede de televisão, antes de presidir uma reunião de emergência do gabinete. Mais tarde, ele foi ao local do ataque mais sangrento, a casa de espectáculos Bataclan, e prometeu que o governo irá travar uma luta “implacável” contra o terrorismo.

Todos os serviços de emergência foram mobilizados, folgas de policiais foram canceladas, 1.500 soldados do Exército foram convocados para reforçar as operações de segurança na região de Paris e hospitais convocaram as suas equipas para lidar com a situação de emergência.

Não estava claro se algum atirador ainda estava foragido. Emissoras de rádio transmitiram avisos para os parisienses ficarem em casa e não circularem, além de pedir aos moradores para oferecer abrigo a quem estivesse retido nas ruas.

O ataque mais mortífero foi no Bataclan, uma sala de espectáculos populares, onde o grupo de rock californiano Eagles of Death Metal actuava. O local fica a apenas algumas centenas de metros da antiga redacção do jornal satírico Charlie Hebdo, que foi alvo de um ataque mortal de islâmicos armados em Janeiro.

Testemunhas no Bataclan ouviram os atiradores gritar frases islâmicas e condenarem o papel que a França vem desempenhando na Síria. “Sabemos de onde esses ataques vêm”, disse Hollande, sem identificar qualquer grupo individual. “Há, na verdade, boas razões para se ter medo.”

ALERTA MÁXIMO

A França está em alerta máximo desde que 18 pessoas morreram nos ataques contra o jornal Charlie Hebdo e um supermercado kosher em Paris, em Janeiro. Hollande cancelou os planos de viajar para a Turquia no fim de semana para participar da cúpula do G20, grupo formado pelas principais economias do mundo. Ele convocou uma reunião de emergência do seu conselho de segurança nacional para sábado de manhã.

O presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, lideraram um coro mundial de solidariedade à França, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, condenou os “ataques desprezíveis”.

O jornalista da rádio Europe 1 Julien Pearce estava dentro da casa de espectáculos quando o tiroteio começou. Num relato publicado no site da emissora, ele disse que vários indivíduos muito jovens, que não estavam a usar máscaras, entraram na sala enquanto o espectáculo decorria acontecia armados com fuzis de assalto Kalashnikov (AK47) e começaram a “atirar cegamente contra a multidão”. “Havia corpos por toda parte”, disse ele.

Toon, um mensageiro de 22 anos que mora perto do Bataclan, estava a caminho do espectáculo com dois amigos em torno de 22h30 locais quando viu três jovens vestidos de preto e armados com metralhadoras. Ele ficou do lado de fora. Um dos atiradores começou a atirar contra a multidão.

“As pessoas estavam a cair como dominós”, contou à Reuters. Ele disse que viu pessoas baleadas na perna, no ombro, nas costas e várias vítimas deitadas no chão, aparentemente sem vida. Não houve reivindicação imediata de responsabilidade, mas apoiantes do grupo militante extremista Estado Islâmico, que actualmente controla faixas de território de Iraque e Síria, disseram em mensagens no Twitter que o grupo havia realizado os ataques.

“O Estado do califado atingiu a casa da cruz”, segundo uma das mensagens.

Duas explosões foram ouvidas perto do Stade de France, no subúrbio de Saint-Denis, ao norte de Paris, onde ocorria o jogo entre França e Alemanha. Uma testemunha afirmou que uma das detonações chegou a atirar as pessoas para o ar do lado de fora de um restaurante do McDonald’s em frente ao estádio.

A partida continuou até o fim, mas houve pânico no meio da multidão devido aos rumores sobre os ataques, e adeptos permaneceram no estádio, alguns se reuniram no relvado de forma espontânea.

Helicópteros da polícia sobrevoaram o estádio enquanto Hollande era levado às pressas de volta ao Ministério do Interior para lidar com a situação.

No centro de Paris, um tiroteio começou fora de um restaurante cambojano, no 10º distrito da capital francesa. Dezoito pessoas foram mortas quando um atirador abriu fogo contra pessoas que jantavam em terraços ao ar livre na popular área de Charonne, nas proximidades do 11º distrito.

A polícia ainda parecia estar à procura de suspeitos. Também houve relatos não confirmados de tiroteios em outros locais, incluindo o shopping central Les Halles.

A carnificina em Paris ocorreu dias depois que militantes islâmicos reivindicaram ataques contra um distrito muçulmano sunita do sul de Beirute, no Líbano, e uma aeronave de turismo russa que caiu na península do Sinai, no Egipto.

Mais cedo nesta sexta-feira, os Estados Unidos da América e a Grã-Bretanha disseram que lançaram um ataque na cidade síria de Rakka contra um militante britânico do Estado Islâmico conhecido como “Jihadista John”, mas não tinham certeza se ele foi morto.

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