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Ataque aéreo mata 30 pessoas numa cidade síria sob controle dos rebeldes

Um bombardeio do governo sírio matou 30 pessoas, esta Quarta-feira (15), numa cidade dominada por rebeldes, e um sequestro colectivo no vizinho Líbano agravou os temores de que a violência sectária possa espalhar-se pela região.

Cidadãos da Turquia e da Arábia Saudita, cujos governos apoiam a insurgência sunita da Síria, estão entre os reféns feitos por xiitas libaneses num episódio relacionado à crise na Síria.

O caso mostra como o conflito está a dividir a região por critérios sectários, enquanto as potências mundiais permanecem em situação de impasse.

Em Azaz, cidade síria próxima à fronteira com o Líbano, um médico disse que muitas pessoas ficaram feridas por causa dum bombardeio aéreo do governo. Várias casas estavam em ruínas e dezenas de homens vasculhavam os escombros à procura de sobreviventes.

O grupo Observatório Sírio de Direitos Humanos disse que há dezenas de mortos. Um activista da cidade afirmou que pelo menos 30 corpos foram localizados. Um vídeo divulgado pela internet mostrava pessoas a gritatem e uma multidão a erguer uma laje e descobrir o braço empoeirado duma criança.

“Essa é uma verdadeira catástrofe”, disse um activista que identificou-se como Anwar. “Toda a rua foi destruída.” Sete reféns libaneses mantidos em Azaz também ficaram feridos, e quatro outros continuam desaparecidos, segundo um comandante rebelde.

“O prédio onde eles estavam foi atingido”, disse o comandante rebelde Ahmed Ghazali à TV libanesa Al Jadeed. “Pudemos retirar sete dos escombros. Eles estão feridos, e alguns dos ferimentos são graves.”

Os insurgentes sírios pertencem principalmente à maioria sunita da população, ao passo que o governo de Bashar al Assad está dominado pela seita alauíta, uma variação do islamismo xiita.

Catar, Arábia Saudita e Turquia, onde os sunitas também são maioria, apoiam os rebeldes, enquanto o xiita Irão mantém a sua aliança com Assad. O Iraque e o Líbano já tiveram sangrentos conflitos sectários entre sunitas e xiitas, e as potências ocidentais temem que a violência sectária espalhe-se pelo Oriente Médio.

Sequestro sectário

No Líbano, pistoleiros ligados a um poderoso clã xiita sequestraram mais de 20 homens, incluindo pelo menos um turco, um saudita e vários combatentes rebeldes sírios, em retaliação pela captura dum membro do clã por rebeldes em Damasco.

O incidente ocorreu numa área do Líbano controlada pelo grupo xiita Hezbollah. O clã Meqdad ameaçou sequestrar mais catarianos, turcos e sauditas se Hassan al Meqdad não for libertado em Damasco.

Os governos da Arábia Saudita e Emirados Árabes aconselharam os seus cidadãos a deixarem o Líbano, o que pode acarretar um duro golpe para a retomada do sector turístico libanês.

Em Damasco, uma bomba explodiu no estacionamento dum hotel onde hospedam-se os monitores da ONU, mas nos arredores há várias instalações militares. Não ficou claro qual era o alvo do ataque.

Nenhum funcionário da ONU ficou ferido na explosão, que incendiou um camião de combustível. A imprensa estatal disse que três pessoas ficaram feridas no atentado, e que vários rebeldes foram mortos ou detidos num incidente à parte no bairro de Mezze, na zona oeste da capital.

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