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As partes do corpo humano, as novas estrelas do design

Espremer limões em um par de seios ou jogar o lixo em uma gigante lixeira em formato do corpo humano. Loucura? Não para os designers de hoje. Depois de artistas contemporâneos como Damien Hirst – que recriou um crânio humano banhado em platina e coberto de diamantes – terem conseguido preços recordes por suas obras no mercado de artes, os designers têm cada vez mais projetado objetos do dia-a-dia baseado em partes do corpo humano.

“O corpo humano se transformou em uma fonte de inspiração”, explica o caçador de tendências, Francois Bernard, na Maison & Objet trade fair, uma das maiores feirass do mundo, que acontece esta semana em Paris. Há cadeiras loiras e morenas, cobertas com cabelo da Áustria, órgãos internos como ainda vivos formando garrafas d’água da Dinamarca, e mãos e unhas de porcelana para serem usadas como ganchos para pendurar casacos ou chapéus.

Uma enorme lata de lixo da Holanda, entitulada “Fill Bill”, tem a forma de um homem de quatro, com a coluna aberta, onde você pode jogar o lixo. “O corpo está muito em foco na sociedade ocidental, na cirurgia plástica e na obsessão por exercícios, mas apenas recentemente ficou forte nas artes”, acrescenta Bernard. “O corpo, a natureza e as formas de vida são as principais influências”, disse ainda. Entre um banco em formato de cérebro e uma cadeira de crânio, peças famosas do designer ucraniano Vladi Rapaport, estão outras peças mais próximas dos terráqueos do que da Mãe Natureza.

A última criação do famoso designer Philippe Starck é um assento em formato de útero com um espaço para plantas no topo e que pode ser usado em pequenos apartamentos, pendurado de cabeça para baixo e deslocado por todo jardim, produção da empresa francesa GreenWorks. “Após a crise econômica, as pessoas querem ser protegidas e envolvidas.

Os designers são inspirados pela suavidade da natureza”, diz o revelador de tendências Vincent Gregoire. Explorando as possibilidades de lâmpadas que gastam menos energia, enquanto o mundo se prepara para o fim das lâmpadas incandescentes, uma jovem dupla holandesa conectou dentes-de-leão a um circuito de lâmpadas eletrônicas de LED (light emitting diode) para produzir um “rio” de luz natural e suave. “A pequena escultura luminosa reconcilia natureza e tecnologia”, segundo a empresa Drift Design.

Outro objeto de tecnologia em iluminação, “Fiat Lux” (a bíblica frase “Faça-se a luz”) usa uma lâmpada esférica que parece levitar no ar quando a luz é acendida e se acopla ao abajur com a luz é apagada. “O usuário se transforma em um mágico”, diz o designer Constance Guisset.

Outras inovações na feira incluem uma torradeira transparente que mostra o pão sendo aquecido, um tecido tridimensional para móveis exteriores impermeável que seca em minutos e uma parede de concreto que funciona como sistema de som. “As pessoas querem estar perto da mãe natureza, da autenticidade, do passado” diz o premiado arquiteto Vincent Van Duysen em entrevista à AFP. “Elas são atraídas pela pureza.”

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