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Armadores boicotam início da campanha de pesca

Quase a totalidade da frota de pesca industrial e semi-industrial dedicada a captura do camarão no banco de Sofala – a mais importante área para a pesca daquela espécie marinha de águas pouco profundas em Moçambique – pelo menos até a noite desta terça-feira mantinha-se fundeada nos principais portos de pesca do país, nomeadamente Quelimane, Beira e Maputo. O governo, entretanto, decretou o início da campanha de pescas 2011 para o passado dia 14 de Março corrente, contra a vontade do principal sector das pescas no país, designadamente o industrial e semi-industrial que detém mais de setenta por cento da frota activa empregue na captura do camarão.

Os armadores que actuam no banco de Sofala, onde se concentra a maior frota nacional de pesca industrial e semi-industral, com instalações de congelação a bordo, reuniram-se com o Ministro das Pescas no último fim-desemana na Beira, tendo solicitado o governo o adiamento do início da campanha de pescas por alguns dias, até que fossem criadas condições de segurança contra os piratas da Somália que em Dezembro do ano passado sequestraram a embarcação Vega 5 ao serviço da Pescamar.

Desde do período que ocorreu o sequestro do Vega 5, se implantou um ambiente de medo e tensão no seio dos armadores, os quais condicionam o início da época pesqueira a garantia de condições de segurança pelas autoridades governamentais. No encontro de sábado último, na Beira, entre os armadores de pesca industrial e semi-industrial e o Ministro das Pescas, Víctor Borges, a Pescamar, baseada na capital provincial de Sofala e referida como sendo a maior empresa de pescas em Moçambique, através do seu director geral, Felisberto Manuel, anunciou que as suas embarcações não se aventurariam à pesca sem que as condições de segurança estivessem garantidas pelas autoridades governamentais.

Posteriormente, viria a associar- se a mesma posição a Crustamoz, baseada em Quelimane e tida como a segunda maior empresa pesqueira no país, depois da Pescamar. Ao que tudo indica, depois da manifestação destas duas principais empresas de pesca em Moçambique, de que não aventurariam suas embarcações à pesca enquanto não tiverem sido garantidas condições de segurança pelo governo, os demais armadores também enveredaram pela mesma via – representando, segundo interpretação de alguns analistas abordados pelo nosso jornal na cidade da Beira, uma autêntica derrota ao Ministério das Pescas que não teve o senso necessário para compreender a preocupação do maior sector das pescas no país.

Um jornalista vinculado a um órgão de comunicação social impresso e controlado pelo governo, que efectuou uma ronda ao porto de Pescas da Beira ontem a noite, comentou ao nosso jornal que “aquilo” parecia uma cidade, insinuando a presença de quase toda frota industrial e semi-industrial que aporta naquele cais. O director provincial das Pescas de Sofala, João Saíze, disse ao nosso jornal, ontem a noite, não dispor de dados que lhe permitem confirmar a saída de alguma embarcação à pesca.

Entretanto, sabe-se que a Pescamar financiou a aquisição de dez lanchas militares para equipar a marinha de guerra nacional nas operações de patrulhamento do Ocêano Índico. O primeiro lote composto por cinco lanchas construídas na Espanha chegou a Beira esta segunda-feira, transportado via área, esperando-se que as restantes cinco desembarquem ainda esta semana, para permitir o mais rápido possível os fuzileiros navais moçambicanos iniciem o patrulhamento do Ocêano Índico. Só a partir dessa altura o principal sector de pescas em Moçambique planeia iniciar a campanha.

Refira-se, entretanto, a contribuição do sector pesqueiro em Moçambique para o Produto Interno Bruto (PIB) ronda actualmente os três por cento. Em termos de rendimentos económicos a relevância centra-se na pescaria de camarão de águas pouco profundas (79%), ao que se segue a pescaria da gamba (9%), a kapenta (sardiha de água doce) 4% e o restante provém da aquacultura principalmente da cultura do camarão marinho e das pescarias de caranguejo e de peixe de profundidade.

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