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Apreciação do Metical ou efeito “guerra cambial”?

Apreciação do Metical ou efeito “guerra cambial”?

Não será a aparente tendência para a apreciação do metical em relação ao dólar dos Estados Unidos da América o efeito da política norte-americana de manter a sua moeda artificialmente desvalorizada para exportar de forma mais barata? A resposta a essa pergunta poderá definir o futuro da economia do país e, quiçá, do mundo.

Em cinco meses consecutivos, de acordo com as últimas informações do Banco de Moçambique, a divisa nacional – o metical – mostrou, em Janeiro último, tendência para apreciação face ao dólar americano, ao fixar-se em 32, 10 MT/USD, depois de a paridade ter estado em 32,83 MT/USD, em Dezembro de 2010.

A apreciação do metical não é mais do que efeito da política norte-americana de desvalorizar a sua divisa, visto que as exportações não aumentaram.

Aliás, esta tendência do metical para apreciação em relação ao dólar verifica-se pouco tempo depois de os Estados Unidos, campeões em défices, anunciarem a emissão de 600 biliões de dólares para escaldar a sua economia. Trata-se de uma medida que contribuirá sobremaneira para a tendência de queda na cotação da divisa americana.

“A emissão de 600 biliões de dólares norte-americanos anunciada pelo Washington está – e irá – a provocar uma grande erosão no valor da divisa americana, por sinal a principal moeda de troca mundial”, comenta o economista Jacinto Ribaué.

Com o dólar depreciado, as exportações norte-americanas vão crescer e, consequentemente, tal acto vai prejudicar as nações que exportam para os Estados Unidos. Os especialistas do mundo financeiro olham para esta medida como uma prática comercial “destrutiva e predatória”, ou seja, chamaram a isso “matar de fome o vizinho”.

Além de desestabilizar o comércio, a moeda norte-americana destabiliza o câmbio a nível mundial e não só. Também o dinheiro americano irrompe sobre os mercados emergentes, onde os investidores americanos vão em busca de melhores taxas de juro, fugindo dos lastimosos 0,03 porcento que os EUA oferecem.

Na década de ‘80, frágeis e pequenas economias asiáticas foram devastadas, quando foram inundadas por investimento norte-americano. Os economistas dizem que, agora, esse processo volta a acontecer, devastando a moeda de outros países, cujas exportações perdem competitividade.

No ano passado, sobretudo nos meses de Outubro e Novembro, o dólar norte-americano caiu mais de 6 porcento em relação às principais moedas, levando os investidores a correr para o ouro, que valorizou 17 porcento em 60 dias. “Os EUA pretendem exportar infl ação para todo o mundo, com o intuito de reduzirem a enorme dívida que têm, pagando os credores com dólares desvalorizados”, afirma Ribaué.

Na Cimeira do G-20, em Seul, Coreia do Sul, na qual se encontravam reunidas as principais economias desenvolvidas e emergentes, viu-se claramente que as nações, tanto as defi citárias – aquelas que, no fim do ano, receberam menos capitais externo do que entregaram no que respeita à balança comercial e remessas – como as superavitárias – as que registaram excedente de recursos -, estão furiosas com os Estados Unidos.

Os EUA criticaram o Governo chinês por manter a sua divisa, o iuan, desvalorizado em relação às demais. A China, um país superavitário, contra-atacou, reclamando em relação à inundação de dólares feita pelo Governo americano, mas Washington defendeu-se dizendo que “é fundamental para reanimar a economia”.

A moeda chinesa está demasiado baixa, o que está a afectar não só o Ocidente mas também outros países em vias de desenvolvimento, especialmente aqueles que têm taxas de câmbio flutuantes.

E a decisão tomada pelos Estados Unidos segue o mesmo caminho, ameaçando a estabilidade fi nanceira e o comércio global. Diversos países têm vindo a tomar medidas de política monetária, uma espécie de barreiras, contra o investimento considerado por muitos economistas “predatório”.

Em reacção a estes fl uxos de capital estrangeiro, muitos governos, sobretudo os de países em desenvolvimento, intervieram na compra de divisas estrangeiras ou aplicaram impostos à entrada de capitais estrangeiros, para não deixar que as suas taxas de câmbio disparem.

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