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Após deposição de Mursi, promotor egípcio manda prender líder da Irmandade

Um promotor egípcio determinou nesta quinta-feira a prisão do líder da Irmandade Muçulmana, ampliando a repressão contra o movimento islâmico depois que o Exército depôs o primeiro presidente eleito livremente na história do país, Mohamed Mursi. Mas o presidente interino do Egito, Adli Mansour, prometeu na sua posse buscar a conciliação com a Irmandade.

“A Irmandade Muçulmana é parte deste povo e está convidada a participar da construção da nação, já que ninguém será excluído, e se eles responderem ao convite serão bem-vindos”, afirmou Mansour.

A calma voltou ao Cairo nesta quinta-feira (04), depois de uma madrugada de festa popular na praça Tahrir por causa da deposição de Mursi, após vários dias de grandes manifestações populares.

A dramática queda de Mursi, após um ano no governo, marca outra reviravolta na crise que envolve a mais populosa nação árabe desde a revolução popular que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 2011.

A ONU, os Estados Unidos e outras potências mundiais não condenaram a derrubada de Mursi como sendo um golpe militar, já que isso poderia desencadear sanções. A intervenção militar teve o apoio de milhões de egípcios, incluindo líderes liberais e personalidades religiosas que esperam a convocação de novas eleições, sob regras revisadas.

ISLÃO POLÍTICO

A queda do primeiro líder a ser eleito depois das revoluções da Primavera Árabe gerou questionamentos sobre o futuro do islamismo político, que recentemente parecia triunfar na região. Profundamente divididos, os 84 milhões de egípcios parecem ser novamente foco de preocupação no mundo árabe, já traumatizado pela guerra civil na Síria.

Pelo menos 14 pessoas morreram e centenas ficaram feridas em confrontos nas ruas de todo o Egito na quarta-feira, e emissoras de TV simpáticas a Mursi foram tiradas do ar. O presidente deposto está sob custódia militar, segundo fontes do Exército e da Irmandade.

O Ministério Público determinou também a detenção do principal líder da Irmandade, Mohamed Badie, e do seu adjunto, Khairat el-Shater, segundo fontes judiciais e militares. Os dois são acusados de incitar a violência contra manifestantes que estavam em frente à sede da Irmandade, no Cairo, atacada na noite de sábado.

Em frente à Corte Constitucional, onde Mansour tomou posse, o engenheiro Maysar el-Tawtansy, de 25 anos, resumia o estado de espírito dos egípcios que elegeram Mursi em 2012 e se opunham à intervenção militar. “Fizemos fila durante horas na eleição, e agora nossos votos são anulados”, disse ele. “Não se trata da Irmandade, trata-se do Egito. Retrocedemos 30, 60 anos. Agora os militares governam de novo. Mas a liberdade irá prevalecer.”

Destacando o papel central do Exército na derrubada de Mursi, a Força Aérea fez vários voos sobre o centro do Cairo nesta quinta-feira, tomado por um nevoeiro, para “celebrar o triunfo da vontade popular”.

Um governo interino tecnocrata será formado, junto a um painel para a reconciliação nacional, e a Constituição será revisada. Mansour disse que novas eleições parlamentares e presidenciais serão realizadas, mas não especificou uma data. O liberal Mohamed ElBaradei, ex-chefe da agência nuclear da ONU, disse que o plano irá “continuar a revolução” de 2011.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cujo governo fornece 1,3 bilhão de dólares por ano aos militares egípcios, expressou preocupação com a derrubada de Mursi e pediu um rápido retorno a um governo civil democraticamente eleito. Obama, no entanto, não condenou uma decisão militar que poderia bloquear a ajuda dos Estados Unidos.

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