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Apenas 6,2 por cento da população rural moçambicana trata água antes de beber

Apenas 6,2 por cento das famílias nas zonas rurais moçambicanas tratam sempre a sua água antes de beber, segundo indica o relatório do inquérito aos agregados familiares, realizado, ano passado, no país.

O inquérito foi realizado no âmbito do Programa Nacional de Abastecimento de Água e Saneamento Rural (PRONASAR), segundo disse o representante adjunto do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Moçambique, Roberto DeBernardi, falando durante o seminário regional sobre o Tratamento de Água Familiar e Armazenamento Seguro (HWTS), que arrancou hoje em Maputo.

Igualmente, DeBernardi disse que os resultados do sistema de vigilância de qualidade de água realizado pelo Ministério da Saúde (MISAU), Ministério das Obras Públicas e Habitação (MOPH), com o apoio do UNICEF, em 18 distritos das províncias centrais de Tete, Manica e Sofala, indicam que cerca de 20 por cento das fontes de abastecimento de água apresentam qualidade de água imprópria para o consumo em termos microbiológicos.

“A informação acima apresentada demonstra claramente a necessidade de reforçar as acções de monitoria da qualidade de água e programas de promoção de tratamento de água ao nível das família”, disse a fonte.

Organizado conjuntamente pelo UNICEF, Organização Mundial da Saúde (OMS), bem como pelo MISAU e MOPH, o seminário regional reúne cerca de 50 participantes de Moçambique, Malawi e Zâmbia, e visa fortificar as políticas nacionais, estratégias e regulamentos do HWTS com vista a uma implementação mais eficaz e integração das outras intervenções de saúde ambiental familiar.

No seu discurso de abertura do seminário, a chefe do Departamento de Saúde Ambiental da Direcção Nacional de Saúde Pública do MISAU, Ana Paula Cardoso, disse que o fornecimento de água potável às populações constitui um grande desafio para as autoridades nacionais.

“A água é essencial a vida do homem. As fontes de água como poços, rios, lagos, lagoas, entre outras não seguras, podem constituir fonte de doenças tais como diarreias, cólera, parasitoses intestinais e visicais, entre varias. Daí a importância do tratamento e armazenamento seguro da água a nível das comunidades”, disse Cardoso, falando em representação do MISAU.

Segundo referiu, no quinquénio 2005/2009, as metas das taxa de cobertura de água foram alcançadas, tendo se atingido 60 por cento na zona urbana e 54 por cento nas áreas rurais.

“É nesse sentido que o governo de Moçambique continua a envidar esforços no sentido de melhorar a cobertura de água potável tanto nas zonas urbanas como rurais com a construção de infra-estruturas de abastecimento de água potável e saneamento, bem como promover práticas de higiene seguras que possam reduzir substancialmente o tempo de procura de água, proporcionando-lhes mais tempo para a geração da renda familiar e produção de comida”, acrescentou.

Na sua intervenção, o representante da OMS em Moçambique, Daniel Kertesz, disse que, nos países em desenvolvimento, estima-se que o consumo de água não tratada pode causar a morte de 1.3 milhões de crianças por ano, o que corresponde a cerca de 12 por cento do total de mortes de crianças menores de cinco anos de idade.

“Apraz-nos constatar que os participantes vão poder partilhar as boas experiências sobre o tratamento de água nas famílias, bem como o seu armazenamento seguro ao nível dos vossos países”, disse Kertesz, apontando o exemplo do lançamento, em Moçambique, do colóquio sobre a prevenção da cólera e doenças diarreicas.

No Malawi, o Ministério da Saúde está a trabalhar com os parceiros com vista a integrar nos distritos os kits de higiene, que incluem o tratamento de água das famílias e cuidados pré-natais.

Na Zâmbia, as instituições de Saúde estão a integrar o tratamento de água familiar, assim como a mudança de comportamento.

“O alcance destes resultados tangíveis na intensificação de tratamento de água ao nível das famílias e o armazenamento seguro e na integração em programas críticos de saúde pública nos vossos países dependeu, em larga medida, de um ambiente nacional favorável e de práticas existentes, ao que nós agradecemos”, disse.

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