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Apenas 20 por cento dos adultos moçambicanos possui conta bancária

Em Moçambique, apenas 20 por cento da população adulta possui conta bancária de depósito e crédito, uma fasquia muito abaixo da média registada ao nível dos países da Comunidade para o Desenvolvimento da Africa Austral, que em 2010 era de 38,9 por cento.

Este número representa um crescimento assinalável se se considerar que em 2005, a proporção da população adulta detentora de contas bancárias, era de apenas seis por cento segundo dados do Banco de Moçambique.

Estes dados mostram claramente que um número elevado de pessoas, algumas das quais potenciais empreendedoras, bem como muitas pequenas e médias empresas ainda estão excluídas do sector financeiro, impedindo-as de aproveitarem oportunidades para crescerem e prosperarem economicamente.

Esta situação deve-se ao facto de a rede bancária ser ainda ineficiente, cobrindo apenas 63 dos 128 distritos do país.

A expansão da rede bancária, que contribuiria substancialmente para o alcance de um dos objectivos do Governo que é a inclusão financeira de todos os moçambicanos, está condicionada a factores como natureza socioeconómica, densidade populacional e infra-estruturas existentes nos distritos, segundo mostra um estudo realizado pelo Banco de Moçambique sobre desafios da inclusão financeira em Moçambique.

As agências de instituições financeiras tendem a posicionar-se nos locais onde há electricidade e telecomunicações, isto porque a representação bancária pelos distritos do País também depende da existência e do padrão de distribuição de infra-estruturas, tais como estradas de qualidade, revestidas ou com nível aceitável de transitabilidade, e a existência de pontos que garantam a comunicação.

No entanto, existem distritos que pos- suem estas infra-estruturas exigidas sem presença bancária. São os casos de Ile, Gilé, Murrupula, Lichinga e Guru.

No que tange à componente socio-económica, o estudo frisa que existe florescimento notório da actividade económica ao longo do País, o que constituiu um factor potencial a considerar na abertura de agências.

Apesar de existirem regiões que tenham assinalável volume de actividade económica e potenciais clientes, designadamente: pessoal ao serviço das unidades económicas, a disponibilidade de serviços e produtos financeiros é incipiente.

“Tal deve-se ao facto de os únicos provedores destes serviços e produtos, tais como organizações de poupança e empréstimo, cuja actividade tem enfoque na comunidade, e operadores de micro-crédito com enfoque nos particulares, não serem intermediários financeiros convencionais”.

Dos distritos com alguma dinâmica na actividade económica e sem representação bancária destacam-se Zumbo, Marávia, Chifunde, Sanga, Muembe, Mecula, Majune, Mavago, Maúa, Nipepe, Namuno, Macomia, Quissanga, Mecuburi, Ribaue, Moma, Pebane, Chinde, Mopeia, Namarroi, Machanga, Mossurize, Macossa, Massangena, Mabalane, Chigubo, Mabote, Funhalouro e Panda.

Em termos demográficos, destaca-se o papel preponderante que a densidade populacional exerce sobre o padrão de distribuição da rede bancária, caracterizada por uma tendência geral para as agências se concentrarem nas regiões de maior densidade populacional.

Contudo, existem distritos como Metuge, em Cabo Delgado, e Lichinga, em Niassa, que com elevada densidade popula- cional, mas sem cobertura bancária.

Face a estas situações, o estudo defende que “torna-se necessário abordar os desafios que ainda prevalecem relacionados com a inclusão financeira dos moçambicanos, com destaque para os aspectos que concorrem para o alargamento da disponibilidade e utilização dos serviços e produtos financeiros do lado da oferta”.

A expansão dos serviços e produtos financeiros a nível do País constitui um dos principais objectivos assentes nos documentos estratégicos do Governo sendo de destacar as estratégias de Desenvolvimento Rural, de Finanças Rurais e Plano Estratégico do Banco de Moçambique, bem como no lançamento da Campanha Nacional de Promoção da Poupança.

Nos últimos anos, o acesso aos serviços financeiros tem estado a melhorar no país, apesar da maioria dos pontos de acesso de serviços financeiros continuar concentrada nas principais cidades.

Assim, em termos geográficos, o acesso de agências passou de 2,9 por 10.000 quilómetros quadrados em 2005 para 6,6 em 2012. Em termos demográficos, o acesso aos serviços financeiros passou de 2,2 agências por 100 mil adultos em 2005 para 4,1 em 2012.

Segundo o estudo, tal facto deveu-se ao incremento dos pontos de acesso físico, nomeadamente as agências bancárias, ATM e POS, ao crescente número de organizações de poupança e empréstimo, operadores de micro-finanças bem como dos agentes de instituições de moeda electrónica colocadas nos distritos.

Até ao final de 2012, o sector financeiro nacional sob a supervisão do Banco de Moçambique, em termos institucionais, era composto por 18 bancos, oito microbancos, sete cooperativas de crédito, uma instituição de moeda electrónica, 11 organizações de poupança e empréstimo e 202 operadores de microcrédito.

Até finais de 2005, o país contava com 12 bancos, dos quais nove eram des- ignados comerciais, três de micro-finanças e seis cooperativas de crédito.

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