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António Marcos – Um músico de sete instrumentos

António Marcos - Um músico de sete instrumentos

Foi escultor, alfaiate e pugilista, tendo-se, no boxe sagrado campeão nacional, em 1980. Mas, é a música que lhe votou o nome pelo qual é, carinhosamente, tratado pelo público: “Antoninho Mahengane”.

No bairro que é considerado o berço de muitas estrelas, Mafalala, o músico com 38 anos de carreira e mais de seis discos editados, prepara o seu terceiro DVD. Algo que acontece depois de ter ganho o prémio de música da Rádio França Internacional e o Ngoma 2004/2005.

 

O autor dos sucessos “Garakunya”, “Ntsantsantsa” e “Mahengane”, disse ao @ Verdade que já tem pronto o novo DVD, composto por dez temas do seu mais recente álbum intitulado “Ntsantsantsa Volume 6 – Xiwelele”. Segundo o músico o disco-vídeo será lançado ainda este ano e sairá sob a chancela da Vidisco, editora com a qual trabalha desde a altura em que a discográfi ca J & B Recording deixou de operar.

Como forma de dar mais condimentos à sua música, António Marcos tem trabalhado tanto nos estúdios como em concertos, com nomes não menos importantes na arena musical, tal como Bernardo Domingos, Inácio e Sérgio Marcos (seu fi lho), na guitarra e as irmãs Belita e Domingas, Puresa Wafi no e Florência Joaquim, nos coros.

“Não discrimino os meus companheiros, trabalho com músicos de todas as gerações. As pessoas podem ser velhas ou jovens, mas a música é sempre música, nunca envelhece”. Não quiz falar sobre a sua saída do Projecto Mabulo, mas garantiu que está em boa forma, sente-se bem como independente e que é um músico de verdade, “tenho boa capacidade vocal e sou um guitarrista completo, não tenho medo de afi rmar isso”, disse.

Natural de Xai-Xai na província de Gaza, António Marcos começou atocar em 1963, mas os primeiros contactos com os microfones deram-se 1970. Embora tenha uma incontornável paixão pela música, em alguns momentos da sua carreira dividiu-se entre outras actividades como a escultura, a marcenaria, a alfaiataria e o boxe, modalidade que o levou ao título de campeão nacional em 1980. “Levei ao tapete Domingos Francisco do ferroviário, mas a música é a minha ocupação principal, nunca parei de fazer música”.

O músico revelou ainda que nunca se sentou na carteira de uma escola de música, foi sempre autodidacta, “comecei tocando uma viola de lata velha de azeite”. Lembra-se de ter participado num seminário sobre noções básicas de música em 1980, altura em que já tocava.

Para Mahengane, a grande luta dos músicos no momento é de acabar com os concertos em “PlayBack” e revitalizar a execução da música através de concertos ao vivo. O músico considera que há falta de percepção da parte dos cantores mais novos dos conceitos de música comercial e música criativa, enquanto a comercial é consumida num determinado e curto espaço de tempo e com pouca expressão em termos temáticos, a criativa é aquela que dura para sempre devido ao seu carácter educativo e de relatar o dia-a-dia das pessoas. “A música carregada de mensagem criativa é que vai viver nos próximos tempos, o resto é passageiro”, considera o músico.

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