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EDITORIAL: Alice no país das maravilhas

Quase todos os contos encantados começam com o famigerado “Era uma vez…” e terminam com a não menos famosa frase “…e viveram felizes para sempre!”. E esta história dá volta a esse lugarescomuns, apesar de ter (quase) tudo de (des)encantada. Mas, antes de mais, há que contá-la.

Lá para o sul das terras negras de África, existia um reino encostado às águas do Índico que se orgulhava de alcançar, manter a Paz, a Democracia e a liberdade de expressão e de as pessoas filiarem-se a quaisquer partidos dentro daquele reinado.

Porém, na prática, as coisas eram muito diferentes. Na verdade, diga-se, era um país “faz-de-conta” mergulhado no pântano do “tanto faz” e cujos programas de desenvolvimento não passavam de meros mitos habilmente concebidos para um grupo de doadores designados G-19 ver – e aplaudir, também.

Mas a realidade era obscena: O povo vivia a pão e água, aliás, alimentava-se de banalidades a granel e a sua utilidade era meramente cosmética – encher urnas de votos e, esporadicamente, campos de futebol para ouvir promessas infundadas e irrealizáveis – e, por isso, grande parte morria a catadupas de fome.

Desamparados pelo Governo e à mercê do que a terra podia dar, as populações eram atormentadas pelos fantasmas da fome. Paradoxalmente, o Rei e um punhado de gente que conquistou aquele reino prosseguiam prosperando em lume brando.

Numa pequena e pobre povoação, mais ao centro do reino, nasceu, entre os altos palmares, um menino a que lhe foi atribuído o nome de Araújo (não se sabe se este é o seu verdadeiro nome). O rapaz cresceu, como toda a criança daquele submundo e foi para a escola. Deixou o seu povoado para formar-se e, mais tarde, abraçou a política.

Anos depois, voltou para a sua terra natal para colocar em marcha alguns projectos de modo a reanimar a economia daquele pequeno pedaço de chão votado ao abandono – e a desgraça – pelo Governo de turno. Investiu milhões e milhões de dinheiro num empreendimento e convidou o líder local – autoridade máxima, por sinal – e uma figura influente (designado primeiro-ministro) daquele reino para procederem a sua inauguração, que, não se fazendo de rogados, aceitaram o apelo.

Num belo dia, e não se sabe por que carga de água, o lugar onde o rapaz nasceu acordou sem o seu pequeno líder. Ambicioso e experimentado na política, o jovem decidiu candidatar-se à condução da nau daquele povoado. A notícia repercutiu longe, provocou malestar e insónia na escumalha que governava o reino há pouco mais de três décadas. A informação também chegou aos ouvidos de primeiro-ministro e do chefe máximo local, tendo ambos desfeitos o compromisso.

Triste e desapontado com a situação, Araújo pôs-se em prantos. Enquanto ele prosseguia em lamentações, o primeiro-ministro, com todo o seu ar sacerdotal, marcava a sua presença num evento de uma congregação espírita, dizem as más línguas, especializada em entrar nos bolsos de pessoas sedentas e famintas de milagres que nunca acontecem em busca de algum trocado.

Enfim, no reino das escumalhas a partidarização do Estado está de volta. E as crónicas incompatibilidades dos DONOS DO PAÍS com qualquer um opte por trilhar um outro caminho que não seja o Vermelho.

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