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Águas da Região de Maputo está no limite da sua capacidade para prover o precioso líquido a novos clientes

Águas da Região de Maputo está no limite da sua capacidade para prover o precioso líquido a novos clientes

Imagem cedida pelas Águas da Região de MaputoSe o leitor é residente na capital moçambicana, ou nos municípios da Matola ou Boane, e está a espera de uma nova ligação da empresa Águas da Região de Maputo(AdeM) para receber o precioso líquido na sua habitação bem pode continuar a desesperar pois o sistema de abastecimento está no limite da sua capacidade para admitir novos clientes revelou a nova Administração da instituição num encontro com jornalistas. José Ferrete, recém nomeado presidente do conselho de administração da instituição privada que explora o sistema de abastecimento de água a área Metropolitana de Maputo, esclareceu ainda que os cortes de energia eléctrica à Estação de Tratamento(ETA) do Umbelúzi, assim como aos centros distribuidores, continuarão a afectar o normal fornecimento de água pois seria oneroso para os clientes a instalação de geradores de electricidade.

O desenvolvimento urbano que se assiste todos os dias na cidade e província de Maputo, entre os vários desafios que impõe aos serviços básicos que devem ser disponibilizados pelo Estado, demanda cada vez mais ligações de água canalizada e energia eléctrica. Enquanto no urbe, onde antigamente estavam ruínas, estão a ser construídos novos e grandes edifícios nos bairros periféricos e suburbanos crescem como cogumelos novas habitação e outras construções que ultrapassam em grande medida as projecções feitas de crescimento da população.

A nova Administração da AdeM explicou, num inédito encontro informal com jornalistas, que a empresa não é a proprietária do sistema de abastecimento de água à capital moçambicana, e municípios arredores, mas sim tem uma concessão para o explorar, até 2019, com a missão de “Contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população da área servida através do abastecimento de água potável de forma sustentável”.

Erroneamente os munícipes de Maputo, Matola e Boane demandam da AdeM novas ligações de água canalizada mas na verdade a responsabilidade é do Fundo de Investimento e Património de Água(FIPAG).

Novas ligações de água só quando a ETA de Corumana estiver operacional

De acordo com a Administração das Águas da Região de Maputo na sequência dos investimentos efectuados pelo Governo, através do Ministério das Obras Públicas e do FIPAG, particularmente no aumento de mais uma conduta de transporte desde a ETA, há cerca de seis anos foi possível aumentar a capacidade de água canalizada disponível, na altura existiam cerca 135 mil clientes.

Rapidamente novos clientes entraram para o sistema de abastecimento de água canalizada que hoje totalizam cerca de 250 mil clientes, mais metade deles nas áreas operacionais da Matola e da Machava, servindo cerca de 1,4 milhão de munícipes do universo de 2,2 milhões de cidadãos residentes nos três municípios, e a capacidade para novos clientes está quase no limite.

Além de não haver espaço para novas ligações esta situação contribui para a redução do número de horas de distribuição diária.

Actualmente, segundo a Águas da Região de Maputo, nas cinco áreas operacionais existentes o preciso líquido é distribuído, em média, entre 6 a 13 horas diariamente.

De acordo com os gestores da AdeM só em 2018, quando a Estação da Tratamento de Água que está a ser construída na barragem de Corumana ficar concluída e as condutas de transporte estiverem conectadas aos centros de distribuição, é que será possível voltar a levar água canalizada para um grande número de munícipes, cerca de 100 mil são as estimativas.

Roubo de água e sistema pré-pago

Dos três desafios que a Águas da Região de Maputo enfrenta quiçá o mais relevante seja a redução de perdas e aumento da sua facturação e cobrança. Dos 208 mil metros cúbicos de água captada, tratada e bombeada todos os dias cerca de 42 a 43% do precioso líquido perde-se nas canalizações velhas e com fugas mas principalmente parte significativa é roubada por consumidores ilegais.

Sem apresentar dados específicos a AdeM afirma que os ladrões de água canalizada, ao contrário do que se possa pensar, não são os munícipes mais pobres.

Relativamente a melhoria da facturação e cobrança a empresa que explora o sistema de água da área metropolitana de Maputo projecta cobrar os seus serviços através de um sistema pré-pago, conceptualmente similar ao da electricidade. Todavia a água pré-paga ainda não será uma realidade a curto prazo, o projecto está em estudos conclusivos e deverá ainda passar por uma fase de testes antes de ser implementada.

Geradores seriam onerosos para os clientes

Foto de ArquivoEmbora a AdeM não assuma como desafio seu, afinal as infra-estruturas não são suas mas do FIPAG, o repto lançado no ano passado pelo primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, de que era inconcebível a dependência que o sistema de Águas da Região de Maputo tem em relação a energia fornecida pela Electricidade de Moçambique(EDM) foi explicado por José Ferrete.

O pca das Águas da Região de Maputo clarificou que um simples corte de cinco minuto no fornecimento de electricidade à ETA do Umbeluzi implica 1 hora para a religação da estação de tratamento e bombagem de água. Posteriormente, de acordo com o gestor, são necessárias mais 3 horas para o líquido bombeado chegar ao município da Matola e outras horas para seguir até a capital do País.

Ferrete acrescentou que a Estação de Tratamento de Água do Umbeluzi tem de produzir durante 24 horas para que consiga garantir a médias de distribuição de 6 a 13 horas diárias, menos tempo de trabalho origina necessariamente menos água disponível para os munícipes de Maputo, Matola e de Boane.

Questionado se não poderiam ser instalados geradores de energia para evitar os cortes de energia e assim evitar as quebras de produção José Ferrete declarou que devida a dimensão dos equipamentos do sistema de abastecimento de água seriam necessários vários geradores de electricidade de grande dimensão primeiro na ETA e outros nos centros de distribuição o que implicaria o aumento da actual tarifa de água, para custear principalmente o combustível necessário para o funcionamento dos geradores, o que seriam bastante oneroso para os clientes das Águas da Região de Maputo.

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