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Água potável continua a ser uma miragem em Nacala-Porto

Água potável continua a ser uma miragem em Nacala-Porto

Cinco meses depois da inauguração da barragem de Nacala-Porto, na província de Nampula, o abastecimento de água potável àquela cidade continua a ser uma miragem. A população daquele município ainda percorre longas distâncias à procura de fontes alternativas instaladas na região para ter acesso ao precioso líquido.

 

O fornecimento do precioso líquido, através do Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG), à cidade de Nacala, continua a registar uma série de restrições, uma vez que as obras de reabilitação e ampliação da barragem daquela urbe portuária não foram concluídas.

Alguns munícipes ainda percorrem mais de cinco quilómetros para obterem pelo menos 20 litros de água potável para o seu consumo e higiene individual. Grande parte da população recorre a fontes alternativas, sobretudo os pequenos riachos e as danificadas condutas de abastecimento de água.

Numa ronda efectuada pelo @Verdade, a alguns bairros de Nacala-Porto, foi possível ver dezenas de mulheres e crianças a disputarem fontes de água imprópria para o consumo humano.

Paulino Daniel, residente no bairro de Triângulo, disse que na sua zona residencial as torneiras não jorram água há duas semanas, facto que obriga a população local a percorrer mais de dois quilómetros à procura de pelo menos 20 litros daquele precioso líquido, nos locais onde a edilidade instalou tanques com elevada capacidade de abastecimento.

O Hospital Geral de Nacala-Porto é, igualmente, abastecido de água através de dois tanques com a capacidade para cerca de cinco mil litros, que é transportada do sistema de Intuge e Npaco.

A problemática de abastecimento de água na cidade de Nacala-Porto afecta, com maior preocupação, os bairros da zona alta da urbe, onde se encontra concentrada grande parte dos munícipes.

O presidente da Conselho Municipal, Rui Chong, reconhece as restrições, no que tange ao fornecimento de água, com a cidade de Nacala-Porto se debate, mas ele assegurou que, enquanto se aguarda pela expansão da conduta adutora da barragem, a edilidade vai ampliar a instalação de tanques nos bairros de Ntupaia, Muanona e Mujuca, tidos como os mais carenciados.

A conclusão do projecto de fornecimento de água é da alçada do Governo central”

António Pilale, administrador do distrito de Nacala-Porto, disse que a expansão da conduta adutora da barragem, numa extensão de cerca de 30 quilómetros, depende, exclusivamente, do Governo central.

O nosso entrevistado assegurou, igualmente, que o Executivo moçambicano já anunciou a existência de fundos para a conclusão das obras da referida conduta da barragem.

Dourante o período em que o principal sistema de fornecimento de água à cidade de Nacala-Porto registou restrições, o FIPAG accionou os dois subsistemas de Mutuzi e Mpaco, localizados na zona alta daquela cidade costeira, que vão continuar a abastecer o precioso líquido à população, além de alguns tanques, em número de quatro, instalados nalguns bairros considerados mais críticos.

Com uma população estimada em cerca de 220 mil habitantes, apenas um terço da mesma tem acesso a água potável.

“Estas fontes por si só não serão suficientes para responderem à actual demanda do precioso líquido a nível do distrito. Já foram adquiridos mais quatro tanques com capacidade para 10 mil litros, e estamos a mobilizar meios circulantes para o efeito”, disse o administrador.

O nosso interlocutor referiu, igualmente, que, a partir dos subsistemas de Nutuzi, decorrem obras de expansão da rede de abastecimento de água para o bairro de Mahelene, numa extensão de 3,5 quilómetros, esperando-se que, a breve trecho, o mesmo venha a ser concluído. “Enquanto a barragem não bombeia água à cidade, vamos usando meios alternativos”, sublinhou Pilale.

Com a reabilitação da barragem, a Estação de Bombagem e Tratamento de Água (ETA), subiu de 7.220 metros cúbicos para actuais 25 mil metros cúbicos por dia, e terá uma conduta adutora para o transporte de água com uma extensão de 31 quilómetros. O custo da obra foi avaliado em 18 milhões de dólares norte-americanos e os trabalhos estiveram a cargo dum consórcio chinês denominado Tecnofab e Gammon.

O projecto tinha como propósito prover melhores serviços de água à Zona Económica Especial de Nacala, e garantir o abastecimento de água sem limitações à cidade de Nacala-Porto e arredores.

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