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Água de coco: cada vez mais procurada em Inhambane

Agora que atravessamos a época do verão, a procura é maior. Nas cidades de Inhambane e Maxixe, os vendedores – maioritariamente mulheres – sabem disso, por isso acordam cedo, vão aos coqueirais onde lhes esperam, ávidos de dinheiro, os homens que já deitaram abaixo os cachos. A negociação é rápida, quase sem regateios porque o preço está estabelecido, e logo a seguir as bacias são levadas à cabeça, rumo à cidade onde os consumidores não faltam.

É um triângulo de belo efeito, por um lado temos o homem que trepa a “árvore da vida” para colher o fruto, e vende-o porque precisa de dinheiro. No segundo vértice estão as mulheres, algumas delas com bebés às costas, que também precisam desse metal provedor de guerras. Então, estas, por sua vez, compram o fruto para revendê-lo. Depois, no fim, subjazem aqueles que adquirem o coco com o propósito de usufruirem da sua água. E prescindem da polpa. Geralmente.

É um ritual diário a que se assiste diariamente na urbe, sem que os polícias camarários consigam plenamente sensibilizar as vendedoras a não sujarem o espaço. Mesmo assim os resultados não são de todo condenáveis. Porque estas mulheres que lutam pela vida, esforçam-se para, no fim, levarem consigo a casca nas suas bacias, ou deitando-a em lugares apropriados acondicionados pelo Conselho Municipal.

Na verdade o que conquista no coco fresco (lanho), é a água. Refrescante. Hidratante. Com um vasto benefício para a saúde humana. Por exemplo, segundo estudos, a água de coco tem componentes tais como, açúcares, vitaminas, sais minerais, electrólitos (potássio, magnésio, cálcio, sódio e fósforo), enzimas, aminoácidos, citocininas e fito-hormonas (hormonas naturais). Ela também é muito baixa em calorias e não tem gordura, o que o torna um execelente alimento.

A água de coco é uma bebida muito adorada para se consumir durante o verão, não só porque é muito refrescante, mas porque alguns dos seus componentes, como açúcares, aletrólitos e sais minerais, fazem dele uma excelente isotónica bebida natural. Ajuda a restaurar os níveis de energia do corpo e aumentar o metabolismo.

Outros estudos ainda, sobre propriedades da água de coco, têm mostrado que as citocininas que estão entre os seus componentes, têm grande antioxidante, antiticancerígena e antitrombótica. Por sua vez, há indicações de que a água de coco possui antiviral, antribacteriana e anti-inflamatóroria. Os seus nutrientes lhe tornam uma bebida muito boa para regular a pressão atretrial, o açúcar no sangue, e os níveis de colesterol.

O modo mais comum de utilizar a água de coco é ingerindo-a, ou seja, corte o coco e beba o líquido do seu interior, puro, ou misturar com outro sumo. No entanto, também pode ser usado para o tratamento de manchas da pele, eczema, celulite, rugas ou estrias.

Coqueiral inesgotável

Depois da Zambézia, o maior palmar vai ser encontrado na província de Inhambane. A partir do distrito de Massinga, junto à costa, até Inharrime, a vista não consegue abarcar todo aquele manancial de floresta abençoada. Nunca será difícil termos acesso a um coco fresco (lanho) para nos refrescarmos com a sua água. E cada vez que esse fruto é retirado lá de cima, parece haver mais coco.

É espantoso, por exemplo, que nas cidades de Inhambane e Maxixe, haja coco fresco todos os dias. Haja água de coco diariamente para saciar a sede de muitos, ao preço de 10,00 (dez meticais) cada. E não estaremos muito longe da verdade se dissermos que mais vale investir esse pouco valor (é relativo), do que pagar 15,00 MT (quinze meticais) ou mais, por uma coca-cola, que nos parece, apesar disso, ter baixado muito de qualidade. Vozes inúmeras se reguem dizendo que os produtos da Coca-cola que que se consomem em Moçambique, não se podem comparar com os da mesma marca produzidos na África do Sul, que são de elevado nível.

Infelizmente há poucos moçambicanos que já se aperceberam disso, os quais, no lugar de virar goela abaixo uma “coca”, preferem um lanho, sem dúvida mais compensador, em todos os sentidos, no preço e nos benefícios para a saúde. É verdade que a água de coco será mais agradável gelada, mas mesmo ao natural não fica retirada das suas qualidades.

Existe porém um medo de que ao se colher o lanho, poderemos estar numa situação de devastação do palmar, porque existem outros interesses na “árvore da vida”. Alguns dizem que podem estar prejudicados aqueles que preferem deixar o produto secar, para depois ser usado no tempero da comida, ou no processamento da copra. É verdade. Mas também é irrefutável que tudo isso pode ser feito, bastando para o efeito que haja uma boa gestão por parte dos donos dos palmares, e de outras entidades entendidas na matéria das comunidades. Seja como for, a verdade é que a água de coco continua a ser consumida com agrado na cidade de Inhambane, provendo renda para as famílias e matando a sede, com saúde, aos demais.

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