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Africa pretende universalizar tratamento anti-retroviral

Os países participantes da 7ª Conferência Internacional do “Drug Resource  Enhancement Against Aids and Malnutrition (DREAM)” comprometem-se a multiplicar esforços com vista a garantir, a breve trecho, a universalização do acesso ao tratamento, apesar de reconhecerem as dificuldades que ainda enfrentam na luta contra a pandemia do HIV/SIDA.

O compromisso assumido, sexta-feira, em Roma, capital italiana, no final da 7ª Conferência Internacional do DREAM abre uma nova década na busca de acesso universal para o HIV/ SIDA que afecta um universo de 33 milhões de pessoas das quais 22 milhões estão na África sub-Sahariana.

Na conferência, de apenas um dia e que decorreu sob o lema “Acesso Universal ao Tratamento: O Passo Decisivo para Derrotar o SIDA”, as apresentações feitas retratando o impacto do HIV/SIDA nos diversos domínios social, económico sanitário só para citar alguns exemplos ficou evidente que o flagelo reduziu em pelo menos 25 por cento nos últimos 10 anos, na região sub-Sahariana.

O declínio é fruto de várias intervenções que os governos têm estado a realizar, mas também com um forte contributo do DREAM, programa iniciado em 2002 que, actualmente, contempla 10 países e assiste um universo de 150 mil pessoas.

O DREAM, segundo Papa Bento XVI, deixou de ser um sonho e se tornou realidade que garante a terapia anti-retroviral para um total de 65 mil pessoas e, deste número, seis mil são crianças.

Aliás, o programa da Comunidade Sant’Egídio, organizadora da conferência de Roma, permitiu que 14 mil crianças nascessem sãs, durante os 10 anos de sua implementação.

Ao abrigo do programa foram igualmente instalados 20 laboratórios de biologia molecular, que além de aumentar a capacidade quantitativa de testagem, também permitiu uma melhoria qualitativa e, prova disso, são 276 mil testes de carga viral realizados e 540 mil de CD4, nos 10 países onde o DREAM opera.

Os vários intervenientes do país anfitrião e membros de associações de luta contra a SIDA disseram que o DREAM transmite uma mensagem de elevado valor cultural, porque estabelece uma ligação entre dois continentes que trabalham sem mãos a medir na luta contra a pandemia.

O executivo transalpino, através do Ministro da Saúde, Ferruccio Fazio, renovou a determinação do seu governo de continuar a trabalhar com os governos africanos na mobilização de mais apoios para a luta contra a pandemia.

No entanto, os especialistas que trabalham na área da pesquisa recomendam aos países a continuar a apostar em áreas como a circuncisão masculina que reduz em 60 por cento o risco de infecção, apostar no controlo da transmissão vertical (de mãe para o bebé) e no tratamento das mãe para isolar o flagelo assim como universalizar o tratamento.

O economista da Universidade de Roma, Stefano Orlando, disse que 1,4 por cento de todos os gastos militares que os países fazem é o pacote que seria necessário para a universalização do tratamento.

Orlando apontou, a título de exemplo, que enquanto 22 milhões de pessoas no continente africano padecem de SIDA, os Estados Unidos da América (EUA) gastam anualmente 143,5 biliões de dólares com as guerras no Iraque e Afeganistão.

A fonte acrescentou que uma minúscula fracção deste valor pode ajudar a criar uma África mais sadia e virada para o progresso e prosperidade.

Na 7ª Conferência Internacional estiveram representantes de países como Moçambique (vice-ministra da Saúde Nazira Abdula), o Burundi, Angola, Burkina Faso, Camarões, RDCongo, Gana, Guiné Conakry, Malawi, Nigéria, Quénia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe, dos quais alguns estão entre os 10 em que o DREAM está em implementação.

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