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Africa do Sul: Lonmim ameaça despedir mineiros em greve há 15 semanas

A terceira maior produtora mundial de platina, a Lonmin, localizada em Marikana, na província sul-africana de North West, ameaça despedir os mineiros que se encontram em greve há 15 semanas caso este não regressem aos seus postos de trabalho.

“Os postos de trabalho terão de ser restruturados com os despedimentos, caso os mineiros continuem com a greve”, disse o director executivo da companhia, Ben Magara. A Lonmin lançou um apelo directo aos mineiros através do envio de mensagens telefónicas (mensagem de texto e de voz), depois de o Sindicato dos Mineiros e dos Trabalhadores do ramo das Construções (AMCU, sigla em inglês) ter rejeitado a proposta patronal de aumento salarial neste mês.

Entretanto, Magara disse ainda que a Lonmin havia recebido garantias por parte dos trabalhadores, para o reinicio da produção a 15 de Maio. “Até ao final do mês teremos uma ideia clara da existência ou não de uma mistura de competências, que nos permitirão o reinicio seguro das operações”.

As companhias mineiras produtoras de platina na África do Sul, nomeadamente a Anglo American Platinum (Amplants), Impala Platinum e a Lonmin, perderam até ao momento cerca de 17 biliões de randes em rendimentos, devido à mais longa greve do sector mineiro no país.

Os trabalhadores, por seu turno, perderam também cerca de 7.8 biliões de randes em salários, segundo o website das três companhias. Os mineiros reivindicam um aumento salarial para cerca de 12 500 randes mensais e subsídios até 2017, enquanto as companhias optam por uma ajuda de custos.

A Lonmim possui trabalhadores qualificados à espera de ordens para iniciarem com a produção dentro deste mês, antes da ruptura de stock, prevista para Junho.

Segundo a vice-directora dos Recursos Humanos da Lonmin, Lerato Molebatsi, entre nove e onze porcento da força de trabalho da companhia teria regressado ao posto no dia 9 de Maio.

Ameaças de violência Três mineiros foram mortos nesta segunda-feira (12) em Marikana. Segundo o sindicato dos mineiros (NUM, minoritário na área da platina), as vítimas recusaram-se a aderir à greve.

Duas das vítimas foram mortas à facada quando se dirigiam ao local de trabalho, e a terceira foi atacada em casa, com a mulher, que também morreu. “Estamos extremamente tristes e chocados pelo assassinato dos nossos colegas”, referiu o porta-voz do NUM, Livuwhani Mammburu, tendo acrescentado que não se podia exigir o regresso dos mineiros ao trabalho e no fim acabarem assassinados.

A fonte propôs que fosse realizado um trabalho conjunto entre a segurança da mina e a polícia para a manutenção da lei e ordem na área.

Moçambicano entre as vítimas

O delegado do Ministério moçambicano do Trabalho na África do Sul, Adelino Espanha Muchenga, contactado pelo @Verdade, confirmou a existência de um moçambicano entre os três mineiros assassinados nesta segunda-feira. A identidade do finado será conhecida nesta terça-feira, segundo Muchenga, que se deslocou a Marikana na tarde de ontem.

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