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Afonso Dhlakama insiste que até fim de Março vai governar em seis províncias mas não clarifica como pretende fazê-lo

Moçambique continua mergulhado numa crise política sem um fim à vista. O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, diz, mesmo sem explicar como, que o seu partido vai governar nas províncias onde venceu as últimas eleições gerais. Esta é sua prioridade, que também “é do povo”, e, apesar de o mês de Março estar a mais da metade, defende que “não há nada que esteja fora do prazo”. Ele admite que os seus guerrilheiros protagonizaram algumas emboscadas, em resposta ao facto de a Frelimo ter contratado norte-coreanos e treinado um esquadrão de morte em Maputo, porém, nega a autoria dos ataques a alvos civis.

As províncias de Sofala e Tete são palco de uma guerra não declarada. A população foge em debandada para lugares aparentemente seguros e milhares de outros compatriotas vivem em condições de cortar à faca no vizinho Malawi. No âmbito do diálogo político como vista ao restabelecimento da ordem e tranquilidade no país, o Governo e a Renamo não têm feito nada de relevo, pelo contrário, as partes endurecem a sua prepotência.

“A preocupação da Renamo é a preocupação do povo, sobretudo o povo que tem vindo a votar” neste partido “e no seu líder. Para mantermos a democracia e para evitarmos o pior em Moçambique, porque o povo promete que, se a Renamo não fizer algo, ele, sem liderança, pode sair à rua, prefere mesmo partir tudo e até morrer, e isso pode ser um caos para Moçambique”, disse Afonso Dhlakama numa entrevista à Deutsche Welle (DW).

O líder da “Perdiz”, que não é visto em público desde Outubro do ano passado, após o assalto à sua residência na Beira, pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS), afirmou ainda que a prioridade da sua formação política, “que e que é do povo, é governarmos as seis províncias onde tivemos a maioria nas últimas eleições. Embora tenha havido fraude, resistimos muito, ficámos acima de todos os partidos”.

Dhlakama afirmou,a partir de Gorongosa, na província de Sofala, que pretende governar com democracia e não dividir o país, como a Frelimo alega, “nem reivindicar a independência de cada província”, mas, sim, “governar pacificamente havendo alternância governativa ao nível local. Esta é a preocupação da Renamo e minha neste momento”.

Sobre a data exacta do início da apregoado governação, o presidente do maior partido da oposição em Moçambique defendeu que “a Renamo não disse o dia. Disse que a partir do mês de Março vai iniciar a sua governação. Vamos iniciar essa governação paulatinamente, vamos tomar conta de vários distritos de cada província e estabelecer as normas, as nossas administrações. (…) Posso-lhe garantir que há-de ouvir antes do dia 31 deste mês que a Renamo, nas províncias onde obteve a maioria, já tomou tantos distritos. Foi o que prometemos e não há nada que esteja fora do prazo. (…) Nós não vamos pegar em paus e expulsar a Frelimo”.

Na mesma entrevista à DW África, Dhlakama pronunciou-se sobre as emboscadas em curso entre o rio Save e Muxúnguè, onde morre civis e tantos outros são feridos, para além de ocorrência de danos materiais. De acordo com o líder da Renamo, “o povo moçambicano e a imprensa sabem o que está a acontecer (…). Um e outro frelimista pode tentar transmitir uma imagem negativa”.

“A Frelimo contratou norte-coreanos, treinou um esquadrão da morte em Maputo e esse grupo foi espalhado pelas províncias do centro e norte (…) para impedir a governação da Renamo. E esses grupos andavam de carros de tração a quatro rodas, que durante à noite raptavam membros da Renamo e até apoiantes. Faziam isso num distrito e, no dia seguinte, encontravam-se os corpos no mato. E os embaixadores europeus e africanos acreditados aqui sabem dessa situação. Então, o departamento de defesa da Renamo tomou medidas, fez emboscadas entre o troço rio Save por onde entram do sul para o centro, fez outra emboscada entre o rio Save e Muxúnguè, colocou-se também entre Chimoio e Tete e entre Gorongosa e o rio Zambeze, em Caia, para intercetar esses grupos de raptores. De facto, muitos foram apanhados e a situação já está melhor”.

Segundo Dhlakama, as medidas tomadas pelo seu partido levaram a que a formação política no poder, há 40 anos, criasse colunas militares, “obrigou os transportadores a serem escoltados, porque os militares da Frelimo já não podiam passar com receio de serem atacados, conhecem a capacidade das forças da Renamo”.

Para a “Perdiz”, a Frelimo obrigou os camionistas e transportadores do sul a transportarem soldados dm carros civis. “(…) A Renamo sobrevive graças ao apoio da população. Se a Renamo quisesse matar civis nas suas zonas [já o teria feito], vive com civis. Não era preciso ir escolher uma estrada para atacar os carros civis, porque eles circulam pelos distritos. A Renamo fechou a logística das forças governamentais, mas a Frelimo, para lançar propaganda, com vergonha por estar a sofrer baixas até hoje não consegue dizer que vinte, trinta ou quarenta (soldados) mancebos ou Forças de Intervenção Rápida morrem por dia, e falam da população. Não há população que esteja a morrer, mas um ou outro pode ser vítima dos tiros de um e outro lado. A situação que posso confirmar na província de Tete é o seguinte: Os confrontos fizeram com que grande parte [da população] em Nkondedzi, distrito de Moatize se refugiasse no Malawi. Mas também foi confirmado que as populações fugiram das atrocidades das forças governamentais”.

Num outro desenvolvimento, Dhalakama disse à DW que “não há muitos civis que estão a morrer. Foram três emboscadas: na zona do Zove, no troço entre o rio Save e Muxúnguè, a segunda emboscada na zona do Zonde, Catandica, no troço entre Chimoio e Tete, e a última emboscada foi no troço entre a vila da Gorongosa e a ponte sobre o rio Zambeze, em Caia. Portanto, na áera de Nhamapanza e Nhamajaja”.

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