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Acusação de homofobia acirra campanha presidencial na Venezuela

Declarações aparentemente homofóbicas do presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, contra o seu adversário Henrique Capriles acirraram ainda mais a campanha presidencial venezuelana.

Capriles, de 40 anos, já havia sido alvo de insinuações raciais e sexuais na campanha eleitoral de 2012, quando foi derrotado pelo falecido presidente Hugo Chávez. A morte de Chávez, semana passada, levou à convocação de um novo pleito, em que Capriles e Maduro irão enfrentar-se.

Em meio a uma troca de pesados insultos e acusações de lado a lado, Maduro pareceu retomar, em comício esta semana, os ataques alusivos à vida sexual do rival, que é solteiro. “Eu tenho uma esposa, sabem? Eu gosto de mulheres!”, disse Maduro, que também chamou Capriles de “princesinha”.

O comentário causou risos na plateia, e alguns apoiantes de Maduro gritaram insultos explícitos ao líder oposicionista. Isso enfureceu os partidários de Capriles, que, segundo pesquisas de opinião dificilmente sairá vencedor nas eleições de 14 de Abril.

“Acredito numa sociedade em que ninguém se sinta excluído por causa da sua forma de pensar, da raça, das crenças ou da orientação sexual”, disse Capriles, de 40 anos, governador centrista do Estado Miranda. Capriles já teve namoradas conhecidas no passado, e disse que espera encontrar uma esposa e começar uma família em breve.

Ano passado, um comentarista da TV estatal mostrou supostos documentos policiais dizendo que Capriles teria sido flagrado a fazer sexo com outro homem num carro. Mas a oposição também recorre a insultos. Chávez, que era odiado por muitos dos seus detratores, foi várias vezes retratado como um palhaço grosseiro, ou teve a sua imagem associada a macacos.

Desta vez, os grupos da oposição colocaram para circular imagens irónicas em que Maduro é visto a conduzir um autocarro – sua antiga profissão. Por outro lado, a oposição queixou-se formalmente de imagens de armas de fogo apontadas para TVs com a imagem de Capriles.

Uma ONG local, chamada União Afirmativa da Venezuela, disse que Maduro deveria se desculpar por suas declarações. “Há algum tempo, ele chamou a oposição de ‘gayzinhos’. Como defensores dos direitos humanos, protestamos e ele pediu desculpas naquela ocasião”, disse o coordenador do grupo, José Ramón Merentes.

“Agora ele reincidiu e mostrou uma atitude homofóbica que parece apelar à cultura machista da América Latina a fim de denegrir o candidato da oposição e lhe tirar votos.”

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