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Manifestantes e jornalista detidos antes de protesto na Swazilândia

Manifestantes e jornalista detidos antes de protesto na Swazilândia

A polícia Swazi disparou canhões de àgua e balas de borracha sobre manifestantes pró-democracia que se preparavam para realizar uma manifestação contra o último Rei absolutista do continente africano, Mswati III.

Centenas de pessoas foram detidas pela polícia quando se dirigiam para os locais de concentração da manifestação popular agendada para esta terça-feira. Vários jornalistas locais e estrangeiros, assim como repórteres de imagem foram detidos e os seus equipamentos de trabalho confiscados pelas autoridades que tentam a todo custo impedir a realização desta manifestação pacífica, que contudo não foi autorizada pelo governo swazi.

Simantele Mmema, porta voz da Associação Swazi de Professores, informou que mais de 1000 manifestantes que cantavam e dançavam no centro de treino de professores localizado na cidade de Manzini foram dispersados pela polícia que disparou sobre eles jactos de àgua.

Mmema acrescentou que os professores entretanto deixaram o centro e estavam a marchar para o centro da cidade, a segunda mais importante da Swazilândia por ser o centro da actividade comercial.

As manifestações populares agendadas para começarem esta terça-feira foram convocadas através de uma campanha online para coincidirem com a passagem dos 38 anos desde que o Rei Sobhuza II, pai do atual monarca, baniu os partidos políticos e ordenou a suspensão da constituição no reino.

Desde a segunda-feira que há informações da detenção de vários líderes sindicais, que são a face visível e mobilizadora da manifestação um vez que os partidos políticos não existem.

Esta manifestação foi convocada por uma coligação da sociedade civil e vários sindicatos e marcham sob cartazes do Conselho da Coordenação dos Trabalhadores da Swazilândia.

A confederação de sindicatos sul africana, COSATU, manifestou o seu apoio aos swazis e desde domingo que tem feito concentrações na zona fronteiriça que divide a Swazilândia e a África do Sul.

O rei Mswati III, que tem 13 mulheres e uma fortuna estimada em mais de 100 milhões de dólares americanos, governa este pequeno reino, situado no sul do continente africano que é circundado pela África do Sul e Moçambique, onde cerca de 70% da população vive abaixo do limiar da pobreza e recusa-se a abrir este país à democracia.

Segundo a revista Forbes este rei de 42 anos é um dos 15 monarcas mais ricos do mundo e tem uma paixão por carros desportivos, palácios luxuosos e festas extraordinárias.

O comissário da polícia Isaac Magagula afirmou que o os serviços prisionais e o exército estão prontos para enfrentar o mal que representam os manifestantes.

No princípio da tarde desta terça-feira a estação de rádio Bushradio informou que a situação em Manzini havia ficado caótica e o Governo envio para o local os “boinas vermelhas”, um ramo especial do exército swazi e que está preparado para reprimir os manifestantes.

Segundo várias fontes independentes as manifestações aconteceram também em outras pequenas cidade dos reino.

Em Manzini a polícia está a prender pessoas indiscrimindamente. Assim que avista um grupo de mais de três pessoas agentes da polícia e exército interpelam e em várias situações detém os cidadãos.

Há comentários de várias fontes sobre armas novas que estão na mão dos polícias e exército.

Para além de balas de borracha várias fontes independentes referem que a polícia e exército estão a disparar balas verdadeiras sobre os manifestantes pacíficos.

Informações de vários cidadãos na Swazilândia indicam que a MTN Swazi, única operadora telefonia móvel que disponibiliza internet móvel no país, está a ajudar ao Governo impendindo o acesso a internet durante largos períodos. O Rei Mswati III é accionista desta empresa de telefonia móvel, a título individual. Desta forma os manifestantes vêem-se impossibilitados de difundirem as suas mensagens e mobilização.

Entretanto vários operadores de empresas de transporte estão a ser obrigados pelo Governo swazi a não alugarem os seus autocarros a pessoas que possam ter ligações a organização das manifestações, como forma de impedir as novos protesto que estão agendados para os próximos dias.

Por outro lado estudantes da Universidade da Swazilândia, que estão retidos no campus desde a manhã desta terça-feira, manifestaram publicamente o seu apoio às manifestações contra o Rei apesar das intimidações da reitoria daquela instituição de ensino público.

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