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ACLLN e governadora de Sofala juntam-se ao ministro da Justiça e “atiram-se” contra Lusa e seu delegado

O Secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN), Fernando Faustino, deixou transparecer o seu ódio visceral pela Lusa, por ter veiculado que existe uma vala comum contendo 120 corpos em Gorongosa, na província de Sofala, e se dependesse de si o delegado desta agência portuguesa de informação, Herinque Botiquilha, arrumaria “as suas malas e sair de Moçambique”. Por sua vez, a governadora de Sofala, Helena Taipo, considerou que este órgão de comunicação social denegriu a imagem deste ponto do país e sugeriu que indicasse as suas fontes, o que é contra o preceituado na Lei de Imprensa moçambicana e demais normas que impõem a preservação das fontes.

Fernando Faustino afirmou, em entrevista à Rádio Moçambique, que o delegado da Lusa, “em situações normais, devia arrumar as suas malas e sair de Moçambique, pois em nenhum momento, que a gente saiba, denunciou as atrocidades da Renamo e do seu líder (…)”.

Para o dirigente daquela agremiação social da Frelimo, a referida “vala comum é inexistente”, mas a informação já correu o mundo e choca a todos, porque deixar transparecer que o Estado moçambicano promove massacres e as vítimas são enterradas em valas comuns.

“Hoje [Henrique Botiquilha] aparece a dizer que não existem valas comuns. Para ele pensa que basta; os combatentes dizem que não basta. O melhor bastar era amarrar a bagagem dele e dirigir-se para o país de origem, porque em nenhum momento eu ia chegar no Algarve, no Porto, em Lisboa, e dizer que no Algarve existe uma vala comum e depois apareço em público a pedir desculpas; não, não, nós condenamos”, disse Fernando.

Não é a primeira vez que um membro da Frelimo, partido no poder há sensivelmente 41 anos, trata cidadãos estrangeiros sem decorro.

No ano passado, o constitucionalista francês Gilles Cistac, que vivia em Moçambique há anos e assassinado a 03 de Março, em Maputo, foi considerado “ingrato e mal-agradecido” à “hospitalidade e ao acolhimento dos moçambicanos”, por ter declarado que à luz do número 04, do artigo 273 da Constituição, a Renamo pode criar “regiões autónomas” nas seis províncias que diz ter ganho nas últimas eleições gerais.

O sentimento de ódio e repúdio em relação aos pronunciamentos de Gilles Cistac, foi manifestado pelo ex-porta-voz da Frelimo, Damião José, segundo noticiou, na altura, a Folha de Maputo, a 19 de Fevereiro deste ano.

“Ele tem a consciência de que está a faltar à verdade (…) com a deliberada intenção de criar confusão nas pessoas em defesa de interesses que ele sabe que são alheios à vontade do povo moçambicano”, disse Damião José, referindo-se a Cistac, que fundamentou que aquela cláusula era suficiente para as pretensões da “Perdiz” e não havia necessidade de mexer a Lei-Mãe, tal como alguns analistas pró-regime defendiam. Ex-porta-voz da Frelimo perguntou: “Será que o académico Cistac se estivesse na Argélia ou na França teria a coragem de assumir a postura que tem estado a assumir, que é uma ofensa e desafio aberto à vontade do povo moçambicano?

Na segunda-feira, a governadora de Sofala, Helena Taipo, disse que as informações sobre a existência de uma vala comum na região de Canda “são infundadas” e não passam de “uma pura mentira” com o “objectivos inconfessáveis”.

Para a governante, que respondia a perguntas da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade da Assembleia da República (AR), na segunda-feira (30), a Lusa tem de dizer qual foi a sua fonte e deve ser responsabilizada por aquilo que fez, porque “denegriu a nossa província”.

Na semana passada, o ministro da Justiça Assuntos Constitucionais e Religiosos, Isac Chande, declarou que caso não haja provas sobre a alegada existência de uma vala comum na zona indicada, o Governo vai intentar uma acção judicial contra a agência Lusa.

“Em face das investigações levadas a cabo pelas procuradorias provinciais de Sofala e Manica, e pelas autoridades policiais locais, com os técnicos ligados ao sector da Justiça, se se chegar à conclusão de que a informação tinha como objectivo denegrir a imagem do país podemos accionar mecanismos de responsabilização”, afirmou Isac Chande.

“Pelo trabalho realizado até agora, a notícia da existência da vala contendo corpos humanos não corresponde à verdade”, declarou o governante, ajuntando que “do trabalho que está a ser desenvolvido pelas procuradorias provinciais de Sofala e Manica, envolvendo as autoridades locais e comunidades” serão apurados mais elementos.

Por conta da suposta existência de uma vala comum na região indicada, a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade ouviu, também na semana passada, o delegado da Lusa em Moçambique, Herinque Botiquilha.

Ele explicou que a informação foi dada a conhecer ao seu órgão, na condição de anonimato, pelos camponeses, tendo mais tarde ter sido usada de forma abusiva por alguma imprensa nacional e estrangeira.

Segundo o delegado da Lusa, há momentos em que “perdemos o controlo das notícias quando elas são publicadas. Entretanto, reiteramos que a nossa responsabilidade é de zelar pelas notícias que estão em nossa posse””.

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