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Abate de arvores ameaça exploração comercial de florestas

A exploração comercial excessiva de algumas espécies de madeira em Moçambique ultrapassa a quota de corte anual admissível, facto que já esta a ameaçar a sustentabilidade, pondo algumas espécies madeireiras em risco de extinção, refere uma auditoria citada pelo matutino “Notícias”.

Conduzida pela empresa “Eurosis”, a pedido da Inspecção-Geral de Finanças, a auditoria concluiu que algumas espécies tais como o mondzo, messassa, jambire e chanfuta, que constituem 58 por cento do volume global abatido, encontram-se sob muita pressão, facto exacerbado pela exploração de material lenhoso para fins energéticos.

De acordo com a auditoria, aplicando a estimativa conservadora de 2,7 milhões de metros cúbicos de material lenhoso convertido em carvão, o volume extraído é quase seis vezes ao Corte Anual Admissível (CAA).

O CAA expressa a capacidade de produção de uma floresta, isto é, o que pode ser extraído sem prejudicar a sua capacidade de reposição e, na situação actual, o corte não permite a reposição pela regeneração e crescimento natural.

O estudo sublinha que se não forem tomadas medidas para travar o corte excessivo de madeira, atingir-se-á uma situação em que o recurso ficará exausto e, como resultado, perda de receitas para o Estado.

Segundo um inventário florestal de 2007, o CAA é de 515,7 mil metros cúbicos por ano e aquelas quatro espécies ocupam apenas 25 por cento do “stock” comercial, o que implica que o corte anual se situe em 132,6 mil metros cúbicos de madeira anuais.

A auditoria aponta para vários desvios entre as normas e as práticas na operação dos serviços florestais, destacando que os dados apresentados nos relatórios da Direcção Nacional de Terras e Florestas não são consistentes em relação ao volume de madeira em toros extraído, exportado e transformado.

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