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A utopia de VDL: “Quero que a minha música se eternize!”

A utopia de VDL: “Quero que a minha música se eternize!”

Se considerarmos que o registo de um trabalho discográfico é o marco que legitima (e oficializa) a existência de um artista, nessa lógica, nada mais nos resta senão reiterar que, na música moçambicana, Versino Mário Janguia ainda não existe. No entanto, as fantasias que alimenta em relação à área despertam a nossa atenção: “Quero que a minha música se eternize”.

Quando no ano 2005, altura em que de forma inglória concorreu na primeira edição do Fama Show, onde além de ter sido obrigado a abandonar a academia precocemente, foi “acusado” de ser imprestável para a música Versino da Lúcia (ou simplesmente VDL) ganhou um domínio intelectual enciclopédico em relação a um saber popular: “há males que vêm para o bem”, aliás, como acrescenta, “Deus escreve certo por linhas tortas”.

Muito recentemente, a nossa repórter sociocultural travou uma conversa amena com o músico que, nos dias que correm, além de ter uma grande auto-estima possui muitos planos para o futuro.

Na cavaqueira mantida, tivemos a oportunidade de descobrir que a alcunha VDL não é nada mais do que uma homenagem à sua mãe Maria Lúcia, pelo profundo amor que nutre por si: “o amor de filho”.

Versino é um jovem cantor maconde, originário da província nortenha de Cabo Delgado, em Moçambique. Nasceu a 11 de Fevereiro de 1987, em Lichinga, onde passou quase toda a sua infância.

Membro de uma família humilde, VDL considera que iniciou o seu percurso artístico-musical quando tinha quatro anos, como pianista, acompanhando o seu irmão mais velho que era baixista com o qual trabalhou durante um período de 12 anos. No entanto, a sua relação com o piano foi aperfeiçoada na banda Os Incríveis, sob a orientação do professor Bonifácio, com quem trabalhou durante três anos.

Em 1996 VDL passou a integrar a decana banda Massukus, a partir da qual teve a oportunidade de participar num dos grandes concertos do grupo em 1998, até que entre os anos 2002/2003 passou a viver na cidade de Pemba, abandonando, consequentemente, o agrupamento.

Gestor de Sistemas de Informação de formação, relativamente à sua desclassificação precoce no Fama Show, VDL considera que, ainda que o tenha desencorajado, não foi totalmente negativa. Basta que se considere que lhe serviu de estímulo para continuar o desafio de cantar, o que se materializou na medida em que os seus concertos, realizados nalgumas casas nocturnas e hotéis da cidade de Pemba, se tornaram intensos.

Dois anos depois de regressar à província de Cabo Delgado, em 2007, Versino passou a viver definitivamente em Maputo, onde corre atrás de dois objectivos principais: concluir os estudos e dar um novo (e melhor) rumo à sua carreira musical.

Carreira a solo

Com um vídeo publicado, Esquece Esse Amor, sob a edição de uma agência angolana de nome KLS, desde 2008 VDL persegue uma carreira a solo e, a par disso, afirma que se sente orgulhoso com a relação que mantém com os seus produtores, até porque serve de um instrumento não somente para “me tornar um artista de fibra que actualmente sou” como também para provar que “valho alguma coisa na música”.

Entretanto, apesar de a sua dedicação fundamentar-se no amor que nutre pela arte, o nosso interlocutor considera que, nos dias que correm, é difícil garantir a sobrevivência por via da música, daí que a sua prioridade é trabalhar noutra área.

“A música não nos oferece uma vida condigna em Moçambique”, afirma acrescentado que “se com os recursos ganhos na música eu pudesse proporcionar melhores condições ao ensino, à habitação e à segurança da minha filha, penso que me dedicaria exclusivamente a ela”.

Foi assim que VDL criou condições para fundamentar o seu aparente desaparecimento nas noites dançantes em Maputo: “O meu sumiço deve-se ao facto de estar mais empenhado na realização de outras tarefas que me ajudam a sustentar as despesas da minha carreira artística, bem como a materializar (outros) planos pessoais”.

Tribalismo

Ainda que o discurso político nacional consiga promover alguma homogeneidade no seio do povo moçambicano, o nosso interlocutor queixa-se da existência do fenómeno do tribalismo nas lides da música.

Considera que já foi vítima de tal comportamento, o que considera um dos piores tipos de preconceitos, de modo que a ideia de desistir da música não lhe faltou. Para si, tudo isso, “deve-se ao simples facto de eu ser nortenho”.

O artista, que está a recuperar das mágoas de um amor perdido há três anos, recorda-se de que “há cerca de dois anos, recebi uma ameaça de morte por telemóvel através do serviço sms, em que se escrevia que caso não parasse de cantar seria deportado de volta para a cidade de Pemba, ao mesmo tempo que utilizaram outros termos obscenos e pejorativos para me intimidar”.

“Quer sejamos macondes, quer machanganas ou massenas, a verdade é que o país é de todos os moçambicanos. Ninguém é mais moçambicano que o outro, como algumas pessoas insinuam”, comenta em jeito de desabafo.

Primeiro álbum

Na conversa, VDL referiu que o processo da gravação do seu primeiro trabalho discográfico está quase a terminar, devendo ser publicado ainda no ano em curso. É a margem disso que nos garante que está a ser feito um trabalho sério de modo a garantir uma assinalável qualidade artística nas suas composições.

Aliás, como refere, as possibilidades de as pessoas não gostarem do álbum são reduzidas. Afinal, “estou a tentar eternizar as minhas músicas”. O disco é intitulado Lágrimas De Um Homem e possui um total de 17 músicas.

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