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“A guerra não pode acabar, as pessoas falam de diálogo, mas metem mais militares” para bombardear Gorongosa

“A guerra não pode acabar

@VerdadeO diálogo político entre o Governo e a Renamo, que estava suspenso desde a última semana de Julho passado, por alegadas questões logísticas por parte dos mediadores estrangeiros, retomou na segunda-feira (08) e não houve nenhum avanço. Neste dia, o partido liderado por Afonso Dhlakama voltou, supostamente, a mandar passear tudo e a todos, e mostrou musculatura intensificando, durante a madrugada, na província do Niassa, os ataques e a pilhagem que lhes são recorrentemente atribuídos. Enquanto as partes em conflito não se entendem, os confrontos militares não param. Um membro das Forças de Defesa e Segurança (FDS) revelou ao @Verdade que os bombardeamentos em Gorongosa (Sofala) estão longe de cessar nem há sinais para tal, uma vez que, enquanto na metrópole se fala de diálogo, mais militares munidos de artilharia pesada são enviados à guerra.

“A guerra aqui já não pode acabar, as pessoas falam de diálogo, mas metem mais militares para fazer uma força mista que vai bombardear. A artilharia que está em Gorongosa não vale a pena, nem se pode pensar que aqui é Moçambique”, relatou à nossa Reportagem um elemento das FDS.

@Verdade“Garanto-te que não haverá paz”, prossegue a nossa fonte, que desde 2014 participa em ataques a vários pontos das províncias moçambicanas, onde o Governo acredita que estão reagrupados os antigos guerrilheiros da Renamo.

“No mês passado fizemos deslocações para Tete, Gorongosa e Manica. A missão é só” realizar visitas “porta-à-porta”, afirmou o nosso interlocutor e esclareceu que esta operação consiste em ir a casas indicadas pelos líderes comunitários/tradicionais, ou pelas outras autoridades locais, onde batem à porta e disparam à queima-roupa contra o alvo que atendê-los. “E já não são militares (da Renamo) que capturamos, são pessoas que fazem parte da Renamo”.

O militar das FDS contou ainda que a caça ao presidente da Renamo tem sido incessante, desde que ele regressou às matas e revela que artilharia pesada de fabrico russo têm sido usada na tentativa de destruir as montanhas onde se acredita que Afonso Dhlakama esteja escondido. “São canhões AZP S-60 de 57 mm, lançadores múltiplos de foguetes BM 24, aqueles obuses grandes. Está-se a tentar destruir aquela montanha, mas estamos a ver que não é possível”.

“Já se tentou entrar (na montanha), mas o grupo que entrou não saiu. Não se sabe o que tem lá, nunca ninguém voltou. Naquela zona pode-se chegar de dia, mas está sempre escuro, há nuvens na montanha. Quando as pessoas lá entram não voltam mais. De lá não se ouve som de balas”, disse-nos o militar.

“Há uma arma tipo tractor e quem opera são os chineses”

Segundo o nosso entrevistado, os ataques à montanha repetem-se. “Outra vez requisitou-se material novo da China, começou-se a fazer lançamentos e disparos, das 18 horas às 23 horas, sem vermos ninguém”.

@VerdadeNum outro desenvolvimento, a nossa fonte acrescentou que “usámos também mísseis teleguiados, como se fosse para abater aviões, e vem da artilharia anti-aérea, tem tipo asas”, porém sem efeito desejado. E acrescentou que parte do equipamento tem vindo do vizinho Zimbabwe, mas é originário da China.

“Há uma arma tipo tractor e quem opera são os chineses. Estes são vários, mais de 50. Eles andam em grupos e têm radares nos carros deles”.

A nossa fonte revelou ainda um dos artifícios a que as FDS recorrem para tentar capturar ou abater os guerrilheiros da Renamo. “Nós, agora, estamos a usar carros com escritas MISAU (abreviatura do Ministério da Saúde). O comandante (nome omitido) requisitou ambulâncias para se poder entrar naquelas picadas e até máscaras”, para parecer que “somos da saúde). As escolas também são destruídas, para dizer que é a Renamo”.

“Sabe que a Renamo já tem armas pesadas agora, recolhem as abandonadas. Quando o pessoal (as FDS) foge ela recupera”, explica a nossa fonte que não vê como a guerra, que há muito se desenrola para lá das províncias de Sofala, Manica e Tete, poderá ter um fim.

Diálogo político permanece em impasse

Recorde-se de que desde 2013 que o Governo moçambicanos tem reforçado o seu poderio bélico e acredita-se que parte do dinheiro proveniente das dívidas contraídas pelas empresas Proindicus, MAM e EMATUM tenha sido usado para custear estas despesas militares.

Embora o Presidente Filipe Nyusi reitere a sua vontade no alcance da paz têm sido visível o aumento dos fundos para gastos militares e forças paramilitares nos Orçamentos de Estado.

Entretanto, a Comissão mista criada para preparar o encontro entre o Presidente de Moçambique e o presidente do partido Renamo voltou a reunir-se em Maputo, sob o olhar de mediadores internacionais que tinham deixado o nosso país no passado dia 27, e deixaram como “trabalho de casa”, para o Governo do partido Frelimo e a Renamo, a revisão das suas posições intransigentes relativamente aos pontos a serem negociados.

O Executivo de Nyusi, que mantém as FDS à caça de Dhlakama e dos seus homens, exige o cessar-fogo imediato e o desarmamento dos antigos (novos) guerrilheiros do partido Renamo.

Por seu turno o maior partido de oposição quer governar, ainda este ano, seis províncias onde alegadamente obteve maior votação nas Eleições Gerais de 2014 e exige a reestruturação dos vários ramos das forças governamentais (desde o Exército, passando pelos Serviços de Informação e Segurança do Estado, a Unidade de Intervenção Rápida até a Polícia de protecção pública).

A sessão de diálogo de segunda-feira (08), que não contou com a presença de todos os mediadores internacionais, não produziu resultados e os intermediários manifestaram-se algo decepcionados pelo facto de as comissões do Governo e da Renamo não terem alcançado nenhum entendimento.

@VerdadeAs partes estiveram reunidas durante hora e meia à porta fechada e os mediadores abandonaram a sala do encontro sem nada de relevo por declarar e, aparentemente agastados com a estagnação do processo no período em que estiveram ausentes.

Findo o intervalo, apenas a comissão mista indicada por Filipe Nyusi e Dhlakama regressaram à sala e reuniram-se, de novo, à porta fechada. À saída, ninguém falou a jornalistas.

Quett Masire, ex-Presidente do Botswana, disse que o encontro prossegue esta terça-feira (09).

Refira-se que o partido Renamo indicados como seus mediadores a União Europeia, Igreja Católica e a África do Sul, enquanto o Governo nomeou o ex-Presidente do Botswana Quett Masire, a Fundação Global Leadership (do ex-secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos Chester Crocker), a Fundação Faith, liderada pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, e o antigo Presidente da Tanzânia Jakaya Kikwete.

 

ESTE ARTIGO FOI ESCRITO NO ÂMBITO DO PROJECTO DE MEDIA PARA O DESENVOLVIMENTO DE ÁFRICA DA VITA/Afronline( de Itália) E O JORNAL @VERDADE.
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