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À frente da Pompeia, a supervulcão ameaça a região de Nápoles

Junto à baía de Nápoles, perto de Pompeia, onde milhares de pessoas morreram incineradas pelo monte Vesúvio no ano 79, há um “supervulcão” oculto que pode matar milhões de pessoas numa catástrofe muitas vezes pior, segundo os cientistas.

As fissuras com lama borbulhante e erupções sulfurosas da região a oeste de Nápoles são uma importante atracção turística, conhecida como Campi Flegrei, nome com origem na palavra grega para “queima”.

Mas a zona de intensa actividade sísmica, que os antigos pensavam ser a entrada do inferno, também pode representar um perigo de proporções globais, uma vez que milhões de pessoas vivem literalmente em cima duma possível futura erupção.

“Essas áreas podem dar origem às únicas erupções com efeitos catastróficos globais comparáveis a impactos de grandes meteoritos”, disse Giuseppe de Natale, chefe dum projecto que irá perfurar um buraco de 3,5 quilômetros de profundidade para monitorar a caldeira subterrânea de 13 quilômetros de diâmetro.

Com isso, esperam poder saber antecipadamente duma eventual explosão. Os Campi Flegrei são semelhantes à caldeira vulcânica existente em Yellowstone (EUA), mas preocupam mais por estarem numa área habitada por 3 milhões de pessoas.

“Felizmente, é extremamente raro que essas áreas entrem em erupção com a sua capacidade plena, assim como é extremamente raro que grandes meteoritos atinjam a Terra”, disse De Natale à Reuters.

“Mas algumas dessas áreas, especialmente os Campi Flegrei, são densamente populosas, e portanto mesmo as erupções pequenas, que felizmente são as mais prováveis, podem representar riscos para a população”, disse De Natale, que trabalha no Observatório Vesúvio do Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia.

“Por isso os Campi Flegrei precisam de ser totalmente estudados e monitorados. Eu não diria como os outros, mas muito mais do que os outros, exactamente por causa do perigo, dado que milhões de pessoas vivem no vulcão.”

Mas o projecto, financiado pelo Programa Internacional de Perfuração Continental Científica, foi criticado por alguns cientistas locais, que temem que a própria perfuração cause uma erupção ou terremoto.

A prefeitura de Nápoles suspendeu o projecto em 2010, mas um novo prefeito autorizou a sua retomada, mês passado. De Natale disse que a perfuração não provoca riscos de instabilidade geológica.

“Já houve dezenas de perfurações no passado, com instrumentos muito menos seguros, por motivos industriais, e ninguém disse nada”, afirmou ele.

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