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A Democracia na Guiné-Bissau

As eleições legislativas do passado dia 16 de Novembro na Guiné-Bissau demonstraram claramente duas realidades.

A primeira tem a ver com a vitória esmagadora do PAIGC, a qual prova o desejo da população guineense de estabilidade. Esta votação maciça no partido de Calos Gomes Júnior mostra que os votantes já não se deixam enganar por promessas mirabolantes de alguns partidos ou não cedem às campanhas de “charme” através de presentes pré-eleitorais. Esta última técnica foi especialmente utilizada pela campanha do Partido Republicano para a Independência e Desenvolvimento (PRID). Apesar de ser muito recente, o PRID, cujo líder é o antigo Primeiro-Ministro Aristides Gomes, gozou de um apoio implícito do Presidente Nino Viera. A forte campanha eleitoral que desenvolveu por todo o país teve fracos resultados, com o PRID a eleger apenas 3 deputados.

 

A segunda realidade que se pode retirar destas eleições é que, apesar de ter havido um claro vencedor, o PAIGC, que elegeu 67 deputados numa Assembleia de 100, a sua governação será tudo menos pacífi ca. Uma das principais razões para os tempos difíceis que o PAIGC enfrentará, advém do facto de ter havido dois claros derrotados nestas eleições: o PRS de Kumba Ialá, que após a conversão ao islamismo se intitula Mohamed Ialá, e o PRID de Aristides Gomes.

Estes dois partidos reagiram mal à derrota, acreditando que a sua sobrevivência política e eventualmente física poderá estar em causa com a vitória do PAIGC. Esta convicção demonstra até que ponto a democracia guineense ainda está longe de estar consolidada. As eleições foram encaradas como um jogo de soma zero, ou seja, aquilo que uns ganham é proporcional ao que os outros perdem. Em vez de entenderem o jogo democrático como um ciclo de vitórias e derrotas, estas últimas são entendidas como uma verdadeira catástrofe e potencialmente muito perigosas para os derrotados.

Esta concepção da democracia guineense por parte dos principais intervenientes explica o clima de instabilidade que o país viveu logo após o conhecimento dos resultados eleitorais. Mohamed Ialá reagiu violentamente aos resultados, acusando o PAIGC de todo o tipo de fraudes, não apresentando provas concretas e contrariando a opinião das missões de observação eleitoral internacionais presentes no país. O atentado à vida do Presidente Nino Viera, 48 horas depois de conhecidos os resultados cujos verdadeiros cabecilhas ainda são desconhecidos, é uma outra prova de que a situação continua instável.

Todos estes acontecimentos são, infelizmente, prova de que os meios não democráticos de alcançar o poder ainda têm muita força e adeptos na Guiné-Bissau. Perante tudo isto, é de prever que novos capítulos se deverão seguir em breve.

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