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60 segundos com Margarida Jola

60 segundos com Margarida Jola

Começou por fazer um curso básico de enfermagem. Pouco tempo depois, ingressou nas fileiras da PRM na província de Nampula, em 1992. Hoje é uma das pouquíssimas mulheres do país que se pode orgulhar de ter protegido o mais alto magistrado da nação e outras figuras. Afinal, a escolta não é só para homens. Que o diga Margarida Jola!

Quem é Maria Jola?

Sou uma mulher como todas as outras, mas com a particularidade de ser simpática e sensível ao sofrimento alheio, sobretudo relativamente às crianças da rua.

Professa alguma religião?

Sim. Sou crente da Igreja Católica Romana.

Qual é a sua naturalidade?

Nasci em Lichinga, província do Niassa, há pouco mais de quarenta anos.

Quais são os seus defeitos e virtudes?

Não sei exactamente. Mas, lembro-me de ser um pouco nervosa e muito corajosa. Gosto de enfrentar os desafios.

É casada?

Sim.

E como vai a relação conjugal?

Normal.

Em que trabalha o seu marido?

É polícia também.

Onde e como é que se conheceram?

Em Nampula quando ambos trabalhávamos lá.

Deve ter sido ele que a incentivou a seguir o ramo…

Não! Conhecemo-nos quando eu já estava nas fileiras. Praticamente ele pertence à primeira geração de polícias. Aqueles que treinaram em Nachingueya. Posso dizer que está prestes a entrar para a reforma.

Tem filhos?

Sim. Quatro meninas.

Incentivaria uma delas a seguir as suas pegadas?

Não. Acho que os pais devem deixar os filhos seguir a área que lhes convém e tiverem mais inclinação.

Quando é que entra para a polícia?

Em 1992.

É isso com que sempre sonhou?

Digamos que não. Primeiro estava a fazer um curso de saúde para ser enfermeira, mas um primo polícia fez-me o convite e aceitei.

Porque aceitou?

Não sei exactamente.

Nunca se arrependeu?

Não. Com o tempo fui descobrindo que fiz a escolha certa.

Já agora, tendo em conta que comummente a sua profisão é encarada como sendo tipicamente masculina, o que tem a dizer sobre isso? É difícil ser mulher polícia?

É normal que as pessoas pensem assim. Mas, ser mulher polícia não é difícil. Basta ter coragem e, acima de tudo, muita força de vontade. Não vejo muita diferença em relação a todas as outras profissões.

E quais são as qualidades que uma mulher polícia deve ter?

Gostar do seu trabalho e não encarar a profissão como algo exclusivo para os homens.

Qual é a sua especialidade?

Actualmente sou polícia de trânsito, mas já trabalhei em quase todos os ramos da corporação.

Pode explicar melhor?

Primeiro cumpri o tempo de estágio, fui para a patrulha, trabalhei no laboratório criminalístico, que é a PIC, e de lá parti para a primeira esquadra onde trabalhei como oficial adjunta de permanência e depois com um grupo fiquei na companhia. Mais tarde parti para o ramo da polícia de trânsito, tudo isso em Nampula.

Como é que veio para Maputo?

Em 1998, o meu marido foi transferido de Nampula para Gaza e ficámos lá durante cinco anos. Em 2003 fui transferida para cá.

E como foi na capital do país?

As coisas correram sem sobressaltos. Ambientei logo me no trabalho e fui uma das primeiras mulheres a andar de mota e a fazer uma escolta presidencial na tomada de posse em 2005.

Não é comum as mulheres escoltarem o Presidente?

Penso que não. Éramos apenas duas. Eu e uma colega que faleceu no parto. Mas, há dois anos que deixei de andar de mota.

Por acaso é uma ordem interna que as mulheres não andem de motas ou escoltem altas figuras do Estado?

Não. Acho que falta-lhes coragem. Veja que até hoje ainda não conseguimos formar uma sequer.

E como é que a senhora ganhou essa coragem?

Foi a minha falecida colega que me incentivou, assim que vim de Gaza. Convidou-me a experimentar um motociclo. Apesar de já ter andado antes, eu tinha medo de começar.

E depois?

A minha relação com os motociclos melhorou quando participei num curso ministrado por uns espanhóis, onde o uso de motas era obrigatório. Fui praticando e habituei-me. Quando voltei ao sector de trabalho, deram-me a mota, com que circulei seis anos.

Em quantas escoltas participou?

Penso que foram duas. Uma na tomada de posse do PR e outra na última cerimónia que decorreu em Mbuzine. Nesta escoltei a comitiva dos ministros a partir de Maputo passando por Ressano Garcia. Mas parei há dois anos.

Porque parou?

Acho que já sou adulta e a minha idade não ajuda.

E o que faz agora?

Sou polícia de trânsito e trabalho na área social.

O que quer dizer com área social?

Refiro-me a um projecto denominado Unidade de Género, que lida com questões da mulher polícia aqui no comando da cidade. Trabalhamos com crianças órfãs, viúvas e igualmente lutamos para a promoção da mulher. Foi através desse projecto que o ano passado fui a Luanda participar num curso de comando e liderança. Desde a sua criação até hoje, temos ajudado muitas mulheres.

Tem tido dificuldades como mulher polícia?

Praticamente não. Já ando nisto há bom tempo e conheço o trabalho.

E como é a sua relação com os automobilistas?

Salutar. Felizmente, nos tempos em que trabalhava mais no terreno conseguia disciplinar a todos, incluindo os “chapeiros”.

Para terminar, o que faz nas horas livres?

Convivo com os vizinhos. Em termos de lazer, gosto de sair para o teatro. Adoro uma boa peça teatral.

E qual é o grupo teatral e a sua música preferida?

Companhia de teatro Gungu. Música angolana, a semba. Em Moçambique gosto de ouvir Júlia Mwito.

Cozinha?

Sim.

Qual é o seu prato preferido?

Aprecio uma boa verdura e mariscos. Não gosto de carne.

Sonhos?

Depois de feita a Licenciatura em Planificação, Administração e Gestão de Educação pela Universidade Pedagógica, o meu sonho é fazer o mestrado em Administração Pública e Governação na UEM.

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