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2013 em Retrospectiva: mês de Maio

2013 em Retrospectiva: mês de Maio

Para o mês de Maio em retrospectiva apura-se a greve por melhores condições de trabalho, o Festival de Teatro de Inverno que celebrou 10 anos, o financiamento do desporto moçambicano pelo governo, a criação de novas autarquias e início do recenseamento eleitoral e a renúncia de Arão Nhancale ao cargo de edil da Matola.

Uma greve por melhores condições de trabalho

Em Maio desde ano, milhares de profissionais de saúde desencadearam uma greve liderada pela Associação Médica de Moçambique (AMM), exigindo melhores condições de trabalho, tais como o incremento de salários, a aprovação de um estatuto médico que dignificasse a classe e a resolução de uma série de problemas considerados um revés para a sua tarefa de cuidar dos compatriotas e salvar vidas.

Ao longo dos 27 dias da greve, o crónico problema da falta de médicos e enfermeiros, por exemplo, agravou-se nas diversas unidades sanitárias do país. Houve doentes deixados à sua sorte e a intenção do Governo de depreciar ou desdramatizar os efeitos negativos da ausência desse pessoal dos seus postos de trabalho não passou de uma tentativa frustrada de tapar o sol com a peneira. Tratou-se da primeira greve de uma classe de trabalhadores que durou mais tempo na história de Moçambique.

Por um lado, o Executivo foi acusado de insensibilidade face aos problemas da classe e, por conseguinte, de estar a ignorar o sofrimento do povo. Por outro, Jorge Arroz, presidente da AMM – que nos meses posteriores se tornou um grande xiconhoca quando foi visto em Tete a fazer campanha pela Frelimo – chegou a ser detido sob acusação de sedição. Nesse dia, aqueles profissionais de saúde que por diversas razões não podiam abandonar os seus postos para aderirem à greve, tiveram uma oportunidade soberana para paralisarem as suas actividades e juntarem-se ao movimento de cidadãos que, defronte da 6ª esquadra da PRM em Maputo, exigia, a libertação do líder dos médicos.

Festival de Teatro de Inverno celebra 10 anos

A cidade de Maputo acolheu, entre Maio e Junho, a realização do X Festival de Teatro de Inverno com a participação de grupos de teatro de Angola e do Brasil. Nessa edição realizada em quatro salas culturais, o Festival de Teatro de Inverto projectou uma imagem imperial falsa, à margem da qual o director, Joaquim Matavel, reitera que, com este evento, se desmistificou o teatro em Maputo. Se os seus argumentos são válidos, facto também é que as transformações operadas puniram os actores. Pela primeira vez, ao longo dos 10 anos da sua existência, o Festival do Teatro de Inverno ocorreu em mais três salas, nomeadamente os Teatros Avenida, Gilberto Mendes e o Centro Cultural Franco-Moçambicano que se juntaram ao Teatro Mapiko da Casa Velha, totalizando quarto. À semelhança do que aconteceu em algumas edições precedentes, é a participação de grupos estrangeiros. Desta vez, tivemos os Pitabel, de Angola, e o Teatro Mundo do Brasil. Os Mutumbela Gogo e Gungu, os profissionais tradicionais do país, também participaram, expondo as suas criações, como nunca antes havia acontecido.

Governo financia o desporto moçambicano

O Ministério da Juventude e Desportos (MJD), através do Fundo de Promoção Desportiva (FPD), procedeu à entrega de fundos às federações nacionais no quadro dos contratos-programa assinados para o presente ano de 2013.

A Federação Moçambicana de Futebol (FMF) e a Liga Moçambicana de Futebol (LMF), esta última entidade gestora do Moçambola, receberam, cada uma, 10 milhões de meticais, o maior “bolo” alocado pelo Governo às associações desportivas nacionais. A seguir encontra-se a Federação Moçambicana de Basquetebol (FMB) com um orçamento de cinco milhões e quinhentos mil meticais.

As federações de atletismo e voleibol receberam, respectivamente, três milhões e um milhão e setecentos e cinquenta mil meticais, enquanto à patinagem coube um milhão e quinhentos mil. Com um milhão e duzentos e cinquenta mil meticais ficou a Federação Moçambicana de Boxe (FMBoxe). A Federação Moçambicana de Judo (FMJ) recebeu um milhão e cem mil.

Um dado curioso é que neste ano o valor global orçamentado pelo Governo para o desporto sofreu um aumento, passando dos anteriores 51 para os 63 milhões de meticais. No entanto, algumas federações não obtiveram os valores pois os mesmos não foram desembolsados pelas autoridades moçambicanas.

Criação de novas autarquias e início do recenseamento eleitoral

A Assembleia da República aprovou a lei que cria as dez novas autarquias no país, submetida pelo Governo. Assim, passam a ser considerados municípios a vila de Boane (província de Maputo), vila da Praia do Bilene (Gaza), vila de Quissico (Inhambane), vila de Nhamatanda (Sofala), vila de Sussundenga (Manica), vila de Nhamayábuè (Tete), vila da Maganja da Costa (Zambézia), vila de Malema (Nampula), vila de Chiúre (Cabo Delgado) e vila de Mandimba (Niassa).

Com a criação destes novos municípios, o país passou a contar com 53 autarquias, pois, em 1997, foram criadas 33, tendo sido adicionados 10 em 2008. Para o seu funcionamento, o Governo moçambicano vai alocar 500 milhões de meticais. Ainda em Maio, teve início o recenseamento eleitoral de raiz com vista à realização das eleições autárquicas de 20 de Novembro. O processo foi marcado pela avaria das máquinas e incompatibilidade destas com os tinteiros, nos primeiros dias.

Arão Nhancale renuncia ao cargo de edil da Matola

A 06 de Maio, o então edil da cidade da Matola, Arão Nhancale, apresentou à Assembleia Municipal uma carta renunciando ao cargo no último ano do seu mandato, alegando “razões de força maior”, embora não as tenha especificado. Nhancale seguia assim a onda de renúncia de outros edis cujas candidaturas foram suportadas pela Frelimo, designadamente de Quelimane, de Pemba, e de Cuamba.

A renúncia de Nhancale ocorre numa altura em que ele era alvo de forte contestação por parte dos munícipes que o acusavam de inoperância, aliada à incompetência, na gestão e busca de soluções para os problemas básicos da edilidade. O relatório de desempenho de Nhancale tinha sido aprovado por consenso pela Assembleia Municipal, mesmo assim ele não convenceu a direcção da Frelimo naquela autarquia que moveu uma moção de censura contra ele.

Na altura, o secretário-geral da Frelimo, Filipe Paunde, de visita à província de Maputo, afirmou que a censura não tinha efeitos suspensivos, mas que não era bom sinal para uma possível continuação de Nhancale à frente dos destinos da autarquia.

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