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2011: um ano de choros e ranger de dentes

2011: um ano de choros e ranger de dentes

Para a economia de milhares de moçambicanos, 2011 não será mais um ano nem sequer um mau ano. Será, todavia, um exercício de sobrevivência mais difícil. Nunca na história recente de Moçambique coincidiram tantas notícias más para o consumidor e contribuinte médio: a subida generalizada do preço.

O custo de vida está a ficar alto, dizem os consumidores que já sentem na pele esta realidade desde o ano passado. Os preços dos produtos atingem níveis insustentáveis e o moçambicano pacato, e não só, vê-se obrigado a “apertar o cinto” mais do que já está.

Que o poder de compra do consumidor é débil já é de senso comum, mas o que os moçambicanos não sabem é que o mesmo tem vindo a decrescer ao longo dos anos, sobretudo para as pessoas que auferem entre um e pouco mais de cinco salários básicos nacionais, diga-se.

Os salários mínimos actuais, ajustados na última Concertação Social no ano passado, rondam em torno de 1680 a 3500 meticais, longe dos 6 mil meticais que propunha a OTM-Central Sindical. Este ano, os consumidores vão continuar a fazer “malabarismos” de modo a ajustar o orçamento doméstico à nova realidade dada a imperiosa necessidade de adquirir bens de consumo, material escolar e pagar a conta de água e luz.

O cabaz, para o sustento de um agregado familiar-tipo em Moçambique (com cinco pessoas) durante um mês, custa um pouco mais de 5 mil meticais, pondo de lado despesas de higiene, carne vermelha e entretenimento. A cesta básica desenhada para a fixação do salário mínimo nacional é composta por arroz, farinha de milho, óleo vegetal, açúcar, amendoim, feijão manteiga, peixe, sabão, hortofrutícolas e pão. O salário mínimo nunca chegou a cobrir tal necessidade. Este ano espera-se mais um reajuste e certamente não irá fazer diferença no bolso do consumidor como tantas outras vezes.

Só no princípio do segundo semestre do ano passado, a inflação chegou a atingir dois dígitos ao fixar-se acima de 14 porcento, tornando mais débil do que já estava o poder de compra dos moçambicanos, que se viram sufocados com o custo de vida. Em suma, 2010 foi um ano difícil para os moçambicanos, pois, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), a subida de preços atingiu 3.4 porcento – a maior escalada de custo de vida dos últimos anos – e os alimentos tiveram um peso importante.

Em Dezembro, o tomate custava 35 meticais o quilo, o amendoim era comercializado a 42 meticais, batata reno (35MT), peixe (70MT), cebola (37) e óleo alimentar (75MT/litro). Segundo o INE, o preço do tomate subiu (28,6%), do coco (44,2%), do frango vivo (10,0%), do peixe fresco congelado (8,4%), da cebola (7,2%), da batata reno (7,3%) e do amendoim (3,0%), o que contribuiu no total da inflação mensal com cerca de 2,42 pontos percentuais positivos.

Este ano não se vislumbram sinais de refracção no que toca à subida de custo de vida, embora o Governo tenha anunciado que as medidas de austeridade mantêm-se até Março próximo. A conjuntura internacional continua a pôr a nu as fraquezas na produção, ao fortificar o dólar, o euro e o rand – as principais moedas com as quais transaccionámos –, deixando o metical muito frágil. Na taxa de câmbio médio dólar/metical, do Banco de Moçambique, em 201o, um dólar comprava 35 meticais, contra os 25 meticais em 2009. Actualmente, a moeda nacional registou uma apreciação sendo que o dólar é cotado a 32 meticais.

As medidas de austeridade ainda não tiveram os efeitos desejados na vida dos moçambicanos, dos quais cerca de 70 porcento enfrentam uma situação de extrema pobreza nas áreas suburbanas e rurais e com um deficiente acesso aos serviços básicos. Mas o Executivo de Armando Guebuza garante que conseguiu poupar 3,9 milhões de meticais como resultado do congelamento do aumento dos salários e subsídios dos dirigentes superiores do Estado, da redução de viagens aéreas dentro e fora do país, das ajudas de custo e dos subsídios para combustíveis, lubrificantes e comunicações.

Volvidos cinco meses após o anúncio de medidas de austeridade, o povo continua a pagar o arroz mais caro, apesar de que o Governo decidiu baixar o preço deste cereal (3ª qualidade, que até então ninguém viu no mercado) em 7 porcento, deferindo os direitos aduaneiros sobre o produto. As panificadoras continuam a reduzir o peso do pão. As contas de luz e água continuam caras, pois os 100kWh já não duram um mês e é impossível viver com cinco mil litros de água mensalmente, sobretudo para um agregado familiar composta por cinco pessoas.

Custo de material escolar

No início de ano, os pais e encarregados de educação começam a afligir-se, pois faltam vagas nas escolas e dinheiro para inscrever ou matricular os seus filhos e/ou educandos. A isto vem juntar-se o elevado custo de aquisição do material escolar básico que se revela um verdadeiro calcanhar de Aquiles para inúmeras famílias moçambicanas que sobrevivem na dependência dos magros salários. “Para se tornar um povo vencedor é preciso estudar”, dizia Samora Machel. Mas parece que, para os moçambicanos, tornarem-se vencedores não passa de uma miragem, visto que o material escolar custa os olhos da cara.

Aliás, os livros escolares são comercializados nalgumas papelarias e livrarias da cidade de Maputo a valores “asfixiantes” para o bolso do moçambicano de baixa renda e até mesmo para quem aufere um salário de nível médio, comprometendo, assim, o grau (numérico) de escolarização no país. Os preços de materiais escolares variam de papelaria para papelaria.

A título de exemplo, as pessoas que (sobre) vivem com uma renda mensal que varia entre 1680 e 3500 meticais e que tenham um filho a frequentar o ensino primário (1º e 2º graus) despenderão, no mínimo, entre 3350 e 4670 meticais para a aquisição de uniforme escolar, cadernos, pasta, caneta, lápis, réguas, borracha e afiador.

Para os encarregados com um filho a frequentar o primeiro ciclo do ensino secundário as despesas escolares deverão, no mínimo, rondar nos 4365 meticais. Os que tiverem um educando no ensino pré-universitário, a educação do mesmo custar-lhes-á, no mínimo, 5900 meticais.

Preço médio de material escolar

Livros, custo por unidade:

1ª Classe 200 MT

2ª Classe 250 MT

3ª Classe 300 MT

4ª Classe 300 MT

5ª Classe 350 MT

6ª Classe 350 MT

7ª Classe 350 MT

8ª Classe 320MT

9ª Classe 450 MT

10ª Classe 500 MT

11ª Classe 500

12ª Classe 500 MT

Caderno 45 MT

Caneta 7 MT

Régua 10 MT

Borracha 10 MT

Lápis 7 MT

Afiador 10 MT

Pasta 200-1600 MT

Compasso 175 MT

Tesoura 25 MT

Corrector 70 MT

Réguas 20 MT

Cola 60 MT

Afiador 12 MT

Lápis de cores 50 MT

Referência: Papelaria e Livraria Maputo, Rex e Académica

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