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15 mil mulheres seropositivas deram à luz mais de 5 mil bebés seronegativos no país

Em Moçambique, segundo os dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), aproximadamente 85 bebés são infectados diariamente pelas suas mães devido à falta de medidas de prevenção da transmissão vertical do vírus do SIDA da mãe para o filho. Entretanto, os centros DREAM da Comunidade de Santo Egídio para o tratamento desta enfermidade assistiram, em 2012, 15.122 mulheres grávidas seropositivas, das quais 5.730 crianças nasceram livres da doença.

Os centros da Comunidade Santo Egídio implantados nas províncias de Maputo, Gaza, Zambézia, Sofala e na capital do país assistem somente pessoas seropositivas, adultos, crianças e mulheres grávidas. Estas beneficiam de medidas de prevenção da transmissão vertical, com o intuito de diminuir a mortalidade materno-infantil.

Segundo a coordenadora nacional do Programa DREAM da Comunidade Santo Egídio, Inês Zimba, o tratamento consiste na aplicação de vários processos de cura, das quais a triterapia anti-retroviral para as mulheres grávidas infectadas pelo vírus do SIDA. Este tratamento incluiu a suplementação nutricional das pacientes.

O sucesso dos trabalhos desenvolvidos deve-se ao esforço empreendido por um grupo de pessoas que apoiam na assistência às mulheres seronegativas.

“Esses grupos dão o seu testemunho, ajudam nas actividades diárias nos centros e fazem com que as mulheres compreendam a importância do tratamento, do cuidado a ter com as crianças e com a nutrição, por exemplo”, disse Inês Zimba.

A nossa interlocutora acrescentou que nas mulheres que são submetidas o tratamento, a taxa de transmissão do HIV/SIDA da mãe para o filho tem sido igual ou inferior a 2% em Moçambique e noutros países africanos. Há também experiências de sucesso a um nível de contágio de zero porcento noutras regiões de África.

“A redução da mortalidade materna é uma das nossas grandes preocupações. Queremos que as crianças e as mães vivam por muitos anos e tenham uma boa saúde. Foi comprovado que as crianças quando nascem com o HIV e os pais morrem devido à mesma doença, elas não conseguem sobreviver, mas nós tentamos inverter esta situação, garantindo a vida dos dois”, explicou Zimba.

“O mais importante para nós é a qualidade dos serviços oferecidos, especialmente no atendimento às mulheres grávidas. Garantimos a adesão e a retenção das pacientes como uma das formas de evitar o estigma e a discriminação na sociedade. Quando falo da qualidade no tratamento refiro-me, primeiro, aos cuidados que oferecemos. As unidades sanitárias estão devidamente organizadas e a monitoria laboratorial também. O controlo laboratorial do CD4 e carga viral são os principais factores de risco para as mulheres infectadas, por isso fazemos o seguimento periodicamente num calendário bastante regular. E todo o nosso sistema de atendimento é informatizado para garantir celeridade ao processo”, acrescentou a coordenadora nacional do Programa DREAM.

Nas palavras da nossa interlocutora, as mulheres que são tratadas do HIV/SIDA têm de ser aconselhadas sobre como evitar a contágio da doença nas crianças e nos seus parceiros logo que entram para uma unidade sanitária. “Acima de tudo apostamos na educação delas. Essa medida reduz a transmissão para o companheiro em 96%. Ou seja, a probabilidade de contaminação é de apenas 4%.”

De acordo com Inês Zimba, por diversas razões, dentre elas as culturais, sociais e económicas, a mulher africana tem de amamentar o seu bebé.

“Encorajamo-la a aleitar constantemente também por motivos científicos, tais como a vantagem de a criança crescer saudável e a probabilidade de redução da transmissão do vírus que causa o SIDA. Essas mães transmitem isso a outras mulheres e a várias pessoas. Tornam-se agentes educadores na família e na sociedade. Esses são os elementos atractivos para garantir a adesão ao tratamento”, considerou a fonte.

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