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Xïkwembo – A papo dado não se olha ao dente

Na festa:

– Afinal és tu!? Sabes que ele ligoume e disse que estava completamente apaixonado!? Muito bem! Sabes que não é fácil ele apaixonar…

– Yá, mas mesmo agora não é paixão! Eu desconfio dos homens – ela medita um momento – Yá, aí tens razão… yá, não deve estar apaixonado…

No estacionamento:

– Senhora, leva lá meu contacto. Pode ser para business ou para pessoal, tás a entender? Pode não ser business…

Na entrada do hotel:

– Senhora não pode parar aqui, pode vir carro. – Sim, mas estou só à espera de uma pessoa. – Ok, se vier carro avança. – Ok. – Ok, vem buscar marido? – Nada, é colega. – Aaahhh, mas colega de serviço ou colega, colega? – Colega de colega. – Ok… vou-te pedir uma coisa mas não sei se vais aceitar. – O quê? – Dá-me lá teu contacto.

No restaurante: – Mas essa tua brada, ela anda com maningue manos, aquele Jonh, aquele cota! Ela anda com ele! – Ei, nada, também não é assim, ele lhe paga universidade, namorado dela não tem taco, é para pagar como, afinal? No salão: – Alô, tudo bem? – Tudo, e aí? – Nos conhecemos daqui daquele dia, não é? – Nada, eu nunca vim aqui. – Ah, foi com a tua irmã. – Não tenho irmã. – Ok… sabes, Paula. – Joana. – Yá, Joana, eu confundo nomes. Eu… eu às vezes organizo umas festas e gostava de te convidar, dá-me lá teu contacto.

No mercado:

– Vamos lá dar uma volta. – Mas, afinal porque não vais convidar a tua namorada? – Ah, mas de que namorada estás a falar? – Não sei, tens quantas? – Aaahhh, estás a falar daquela Lígia do outro dia? – … Quem é Lígia? Na festa, com ele: – Vejo que estás bem acompanhado, muito bem? Vocês voltaram? – Não, não, mas somos amigos, percebes? Ela também precisa de sair, convidou-me, saímos. Mas voltar? Não isso nunca, nós não funcionamos, sabes? É complicado. E tu quando sais comigo? Na festa, com ela: – Alô! Tudo bem?

– Sim, tudo BEM, já viste que estou com ele? – Sim… já vi… – Cada vez que me lembro daqueles problemas que tivemos… até te contei não foi? – Sim, eu lembro-me. – Mas agora estamos bem, sabes? Estamos muito bem, acho que encontrámos um certo equilíbrio. – Sim… parece-me equilibrado… No café, ela aproxima-se da mesa: – Posso pedir-te uma coisa? Eu estou a trabalhar aqui, meu horário é aquele das 16, o lugar é público, não posso te impedir mas peço que não apareças no meu turno porque eu não consigo olhar para a tua cara. – Mas… – Não é para dizeres nada, tu sabias que ele era meu namorado e saíste com ele!

– Mas ele é meu amigo, porque não havia de sair? – Porquê? Tu ainda perguntas? Ele, tu lhe deste papo!!! Agora deixou-me. – Mas… – Não quero falar contigo, não venhas aqui! Aproxima-se da mesa II: – Eu não te disse para não vires aqui essa hora? – Mas, eu não te fiz nenhum mal, estou a te incomodar? Estou aqui no meu canto… – Não venhas, eu não consigo olhar para a tua cara! – Mas então porque é que vens falar comigo!!!??? Conversa da mesa ao lado: – Anda, eu já estou aqui! Sim, eu e maningue pitas, duas bonitas! Sim, tem namorado, mas se estão aqui? Queres falar? Assim mesmo no celular? Yá, fala lá! – Gramaste? Tás a vir, né? Ok. Te esperamos. Ele vem bater ao vidro do carro: – Posso falar contigo?

Acreditas em amor à primeira vista? Acabou de acontecer, guarda lá meu contacto, faz bip para mim, hás-de acreditar!

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