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Xavier Machiana – Um músico com coragem

Xavier Machiana - Um músico com coragem
Para quem o vê tocar – em vários palcos que tem pisado e incendiado – dificilmente poderá pensar que estamos em presença de um músico não profissional. Ele próprio fica na dúvida. Prefere dizer que “a música para mim é um hobby bastante sério”. Mas quem tem algo como um hobby bastante sério, então esse alguém estará a viver na periferia do profissionalismo. E este, provavelmente, será o caso de Xavier Machiana.
 
Juntou-se aos Rockfeller´s (banda moçambicana de Rock) em finais de 1997, em substituição de Wilson (filho do músico já falecido João Paulo), que estava de abalada. E a partir daí o grupo ganhou novo impulso, com a voz deste jovem como catalizador importante. Tornando-se, assim, pela sua força e disciplina, um jovem a seguir-se-lhe os passos.
 
Xavier Machiana – para além de músico – é um homem ligado à causas importantes da juventude, como a sua inserção num programa de combate ao HIV, coordenado pela PSI-Jeito. “Para mim é importante estar integrado numa equipa que se preocupa com o futuro da juventude. Mais do que um trabalho que estou a fazer, é uma missão importante que estou a cumprir”.

O PSI-Jeito, no seu projecto de travar um combate de sensibilização aos jovens sobre o perigo que correm devido aos seus comportamentos de risco, achou por bem eleger algumas figuras que são paradigma da juventude. E será nesse azimute que foi chamado Xavier Machiana. “É uma grande responsabilidade para mim abraçar este desafio. Há muitos jovens que estão completamente perdidos e se eu fui uma das pessoas escolhidas para ajudar, então vou entregar todas as minhas energias”.

Como músico, Xavier Machiana recusa ser considerado líder dos Rockfeller´s, como toda a gente pensa. “Eu apenas entrego a voz, porque tudo o resto é feito em grupo. O líder do nosso conjunto somos todos nós. Trabalhamos de forma democrática”.
 
Mesmo que ele não queira, será a sua cara uma das peças mais visíveis do conjunto. Ele tem influências portuguesas, onde viveu, ainda muito jovem, cerca de oito anos. A música que ouvia em Portugal era o Rock e o Funk, e isso afectou-lhe bastante. Voltou a Moçambique, terra que o viu nascer, andou pela escola de música e, quando descobriu os Rockfeller´s, foi a correr para eles. Diz-se feliz por lá estar.
“Somos orientados por uma filosofia de vida que nos une a todos. Acho que temos algo de comum que nos orienta. Somos uma família, por isso damo-nos bem e perseguimos os mesmos objectivos. Todos nós do grupo gostamos do Rock como nosso ponto de orientação. Estamos juntos há doze anos e a química continua a mesma”.
 
A última vez que o vocalista dos Rockfeller´s foi visto a tocar num grande palco foi em 2008, quando estiveram cá os “Irmãos Verdade”. De lá para cá as aparições de Xavier Machiana são muito poucas. “Por vezes vou ao ´Gil Vicente´ dar uns toques. Às vezes faço a minha prestação em programas muito pontuais. Sou uma pessoa que trabalha noutros projectos na sensibilização dos jovens sobre a necessidade de levarem uma vida responsável – para além da música, por isso o meu tempo tem de ser gerido em função disso tudo. Gosto de interagir com os jovens. Estou a fazer isso no PSI-Jeito e já vinha trabalhando nessa linha com a minha banda”.
 
Mesmo ocupado em trabalhos que envolvem o lado humano, este músico está a compor – na sua casa – alguns trabalhos que poderão ser conhecidos futuramente. “Não há pressa em chegar. O facto de não estar a aparecer regularmente em espectáculos é também uma questão estratégica”.
Amor pelo filho
Xavier Machiana já foi casado. “Nós passamos a vida a dar trambolhões, porém há sempre uma oportunidade para recomeçarmos e corrigirmos os erros que cometemos. Neste momento tenho o meu filho, que amo muito e gosto de estar com ele. Gosto de estar em casa onde aproveito alguns momentos para cozinhar, compor os meus trabalhos musicais e conversar com o meu filho”. 
Contudo, este músico não perde a oportunidade para sair e estar com as pessoas e com elas conversar.
Xavier Machiana – para além de músico – é um homem ligado a causas importantes, sobretudo aos programas de prevenção do HIV. Actualmente é um dos músicos que está a apoiar uma nova campanha da PSI sobre aconselhamento e testagem de HIV, especificamente direccionada aos homens.
“O medo de fazer o teste do HIV é uma realidade,” disse. “Confesso que não foi fácil, levou algum tempo, mas também senti-me motivado pelo facto de estar a trabalhar numa organização também ligada aos programas de HIV. Contudo, posso dizer que o momento mais difícil foi a espera do resultado para saber se sou ou não seropositivo.”
 
Afirmou que buscou a coragem pelo facto de ter filhos e estar preocupado com o seu futuro. Decidiu que ao saber do seu estado podia adoptar um comportamento que lhe permite viver mais tempo. No seu ponto de vista, fazer o teste do HIV deve ser como fazer um teste de hipertensão ou outro qualquer que permite ter uma conduta saudável.
 
“A minha participação nesta campanha é devida ao facto de que eu acredito que nós os homens temos a responsabilidade de proteger a nós mesmos, aos nossos filhos, às nossas mulheres, às nossas famílias. Acima de tudo, como alguém que faz música, tenho a responsabilidade social de alertar as pessoas para este perigo e encorajá-las a fazer o teste como forma de conhecer o seu seroestado. Sei que há muitas pessoas como eu que têm medo. Outros venceram o medo e fizeram, mas há ainda muitos que continuam com medo de fazer o teste. Por isso, participar nesta campanha foi uma forma de partilhar esta a minha experiência”.
 
Xavier salientou também que teve um sentimento de alívio e tranquilidade total depois de saber o resultado. “Independentemente do resultado, é um ponto de partida para uma vida em que, de acordo com o resultado, podemos saber que conduta devemos ter para ter uma vida consciente, uma vida saudável, porque não é sabendo que nos torna saudáveis, o mais importante é que, a partir daí, podemos adoptar uma conduta de vida mais duradoira.”
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