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Violação dos estatutos ditou suspensão de Bulha

O secretário para a Mobilização e Propaganda da Frelimo, Edson Macuácua, esclareceu hoje, em Maputo, que a suspensão de Lourenço Bulha do cargo de primeiro secretário provincial de Sofala tem a ver com questões disciplinares e não eleitorais.

Sem especificar o tipo de infracção cometida por Bulha, Macuácua frisou, citando os estatutos do Partido, que “aos membros que violem os estatutos ou o programa, não cumpram as decisões, abusem das suas funções ou de qualquer forma prejudiquem o prestígio do partido, são sancionados com advertência, repreensão registada e a suspensão das funções ou da qualidade de membro de órgão da Frelimo”.

Mas porque Bulha já tinha sido alvo de uma das primeiras duas sanções, segundo Macuácua, coube-lhe, desta feita, a suspensão das funções. Macuácua justificou a não especificação “das infracções” de Bulha, alegando que “não é em sede de conferência de imprensa que vamos descrever questões de disciplina interna do Partido”.

Macuácua falava a jornalistas na sequência da realização entre 17 e 19 de Março em curso, na cidade industrial da Matola, da VII Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, tendo em vista as eleições presidenciais, legislativas e provinciais, agendadas para este ano. Indicando que a pena aplicada a Bulha não foi a máxima, Macuácua excluiu definitivamente a possibilidade de esta decisão ter alguma relação com os resultados eleitorais das autárquicas de 19 de Novembro passado.

Algumas correntes de opinião assumiam que Bulha e seus companheiros, nomeadamente Manuel Cosaminho, primeiro secretário da Frelimo na Beira, a capital provincial de Sofala, caíram na desgraça por causa do seu fracasso em recuperar aquela cidade, a segunda politicamente mais importante do país, das mãos da oposição. Apesar de Bulha não ter conseguido derrotar Daviz Simango, principal objectivo da Frelimo e seu candidato, ele melhorou os resultados da Frelimo em Sofala e na Beira, em particular.

Em 2003, nas segundas eleições autárquicas, a Frelimo que concorreu com Djalma Lourenço, amealhou um pouco mais de 23 mil votos. Já a 19 de Novembro passado, nas terceiras, Bulha conquistou cerca de 42 mil votos (33,7 por cento), entretanto insuficientes para suplantar Daviz Simango, que arrecadou mais de 76 mil votos (61,6 por cento).

Ainda em Sofala, a Frelimo conseguiu “arrancar” da Renamo o Município de Marromeu e consolidou a sua posição no de Dondo. A Frelimo conseguiu ainda vencer folgadamente em Gorongosa, vila recentemente promovida a Município, mas que até então era considerado bastião da Renamo.

Quanto ao surgimento de um novo partido, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), liderado pelo edil da Beira, Daviz Simango, Macuácua disse não crer que seja de facto um novo partido. “Oficialmente surgiu um novo partido mas pelos dados que avultam adensa-me a convicção de que é uma cisão de um partido chamado Renamo.

Estamos perante uma cisão, existindo agora duas Renamos, uma liderada por Afonso Dhlakama e outra por Daviz Simango”, explicou Edson Macuácua. Explicou, porém, que quando a Frelimo decidiu, em 1990, introduzir o multipartidarismo estava a abrir espaço para que toda a sociedade tenha condições para criar partidos políticos.

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