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VIH contaminou mais adolescentes nos últimos 15 anos no mundo

As mortes por VIH/SIDA, nos adolescentes, triplicou nos últimos 15 anos e a maior parte dos doentes ficou infectado quando era bebé, para além de que os casamentos prematuros, que em Moçambique são uma realidade problemática, concorrem para esta situação. “Dentre as populações afectadas pelo VIH, o grupo dos adolescentes é o único no qual os números da mortalidade não estão a diminuir”, segundo um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), tornado público na última sexta-feira (27).

No país, o Inquérito Demográfico e de Saúde (11) 2011 refere que “o conhecimento abrangente sobre o VIH/ SIDA entre mulheres e homens de15-49 anos é baixo” e “o nível de escolaridade e as condições socioeconómicas estão igualmente relacionados com o nível de conhecimento abrangente” sobre esta doença, sendo, nas mulheres, as províncias de Tete (10%), Nampula (21%) e Gaza (23%) com níveis baixos de conhecimento abrangente e Cabo Delgado (14%), Inhambane (30%) e Gaza (37%), nos homens.

A África Subsariana é a “região com maior prevalência. (…) As raparigas são, de longe, as mais afectadas, representando sete em cada 10 novas infecções na faixa etária entre os 15 e 19 anos”.

“As crianças casadas prematuramente são menos propensas a terminar os seus estudos, são mais susceptíveis de serem vítimas de violência e de serem infectadas pelo VIH. As crianças nascidas de mães adolescentes apresentam um maior risco de nascer prematuramente, morrendo logo após o nascimento, e de ter baixo peso à nascença. As crianças casadas prematuramente muitas vezes não têm as habilidades necessárias para a obtenção de emprego”, indica um outro documento publicado a 26 de Novembro.

Dos 2,6 milhões de crianças menores de 15 anos com VIH, só uma em cada três recebe tratamento. Craig McClure, do UNICEF, responsável dos programas globais da instituição, considerou ser crucial que os jovens seropositivos tenham acesso a tratamento, cuidados e apoio, enquanto os seronegativos devem ter “acesso aos conhecimentos e aos meios que os ajudem a manter-se assim”.

No que tange à prevenção da transmissão doença de mãe para filho, os ganhos alcançados são louváveis, e “devem ser celebrados”. Todavia, “são necessários investimentos imediatos para proporcionar a crianças e adolescentes infectados o tratamento que salvar vidas”, indicou Craig McClure.

Relativamente a Moçambique, o IDS 2011 indica que as mulheres que vivem na área rural apresentam um baixo nível de conhecimento (75%), comparativamente às mulheres que vivem na área urbana (81%). “As províncias de Inhambane (91%) e Maputo província (84%) apresentam os níveis mais elevados de conhecimento e as províncias de Cabo Delgado (59%) e Nampula (65%) apresentam níveis mais baixos e muito abaixo da média das mulheres. Nos homens, as províncias de Nampula (93%) e Zambézia (91%) apresentam níveis mais elevados e as províncias do sul, com excepção de Inhambane, apresentam níveis mais baixos. O nível de conhecimento aumenta com o nível de escolaridade (…)”.

Num outro desenvolvimento, o documento a que nos referimos sublinha que o estigma e a discriminação contra as pessoas infectadas pelo VIH é um dos principais desafios para a prevenção e controlo da epidemia. “Pessoas vivendo com VIH (PVHS) enfrentam discriminação e por vezes abandono, devido a atitudes hostis. Mais importante ainda, o estigma leva ao sigilo e à negação que impedem as pessoas de procurarem aconselhamento e testagem para a saúde (ATS), incluindo testagem para o VIH, que é um dos primeiros passos cruciais no combate ao VIH e SIDA”.

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