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ISTO É: @Verdade sobre O País…

Há muitas verdades que eu já devia ter revelado ao País. O problema é que sempre que alguém escreve poesia, neste País, as pessoas pensam que ele se tornou um ser sublime, hipersensível e/ou sagrado. Quer porque, antes de mais, se acredita que o dito poeta era tudo o que, presentemente, se nos mostra ser; quer ainda porque só agora (na percepção deles) é que se tornou o que devia ser. Portanto, veio a ser o que é. Subentende-se nisto uma espécie de predestinação.

Ora, se existe algo que nessa matéria da escrita poética me incomoda, é exactamente esta percepção: pessoas que pensam que o poeta – uma vez que se tornou isso – trava uma constante e intensa relação com os deuses; entidades que argúem que o poeta se tornou nefelibata, lunático ou um ser extraordinário. Para mim, grosso modo, isto chega a ser depreciativo. Quem acha que – da maneira como vivem neste País –, se pudessem, alguém dentre eles teria escolhido ser poeta?

Ninguém se torna no que é, porque escreveu poesia. Aliás, para já, ninguém escreve poesia. A poesia, como acontece com a verdade, é escrita por ninguém. Ela é o acontecimento antes de suceder. É a verdade em torno da realidade.

Percebamos algumas diferenças entre o que se nos apresenta, nos órgãos de comunicação social, como sendo a verdade, isto é, a notícia e a poesia: a notícia é escrita por alguém. Mas esse alguém, por limitações de natureza humana, incluindo as impostas pelas orientações políticas da organização em que colabora, manifesta determinada parcialidade.

Queda-se a partidos. Toma posições e vacila. Nos últimos dias, exemplos de figuras que se tornam carismáticas nisso – na exposição de merdices para os leitores – se tornaram fecundas.

Por exemplo, por vezes, quando a pessoa (não) tiver interesse – no assunto que pretende veicular – economiza a presumida verdade e noutras narra até o inenarrável. E se a suposta notícia, efectivamente, for verdade quem perde?

A própria verdade, desta vez mutilada, é que perde. Portanto, manifestando-se de forma contrária a essa, a poesia expõe-se e, por essa via, impõe-se. Cria e estabelece as suas próprias leis e governa-se a si mesma. Afinal, ela é de ninguém.

A poesia, por ser e para ser isso, não escuda nenhuma mentira na verdade. Revela todas as verdades incluindo as suas mentiras. Se não compreendermos a dimensão das verdades que ela nos reporta, a poesia não se responsabiliza pelas nossas limitações na interpretação.

A poesia é uma pura notícia, com todas as qualidades a ela inerentes. É a notícia da verdade. A verdade da notícia, sem nenhuma limitação político-editorial.

Quando se refere a um ser humano, por exemplo, a poesia revela todas as verdades sem escamotear as suas qualidades. Digo, a verdade. Sim! Aquelas que também fazem do suposto homem um ser profano, hediondo, miserável e insensivelmente sensível.

Compreendendo a verdade que há em tudo isso, no dia em que eu enlouquecer – porque neste País essa é a única liberdade que se me podem limitar – vou escrever poesia. Parece que algo é contraditório aqui – porque a poesia é de ninguém. Então, deixarei de seu eu, vou-me tornar ninguém.

A poesia, para se manifestar, precisa de um instrumento. Que seja eu – ninguém – filho, neto, tio, sobrinho, vizinho, primo, enteado, namorado, colega, companheiro, camarada, par de ninguém.

Isto, sim, é que será uma (verdadeira) notícia.

A partir daí vou revelar-vos, tintim por tintim, a verdadeira história sobre aquele célebre artista plástico a quem todos consideram um deus- -homem no País.

Asseguro-vos! No dia que se me permitir escrever poesia, irei revelar- -vos (ainda que tarde demais) que a mais íntima informação que todos possuem em relação ao mais ecléctico actor de cinema deste País – o que na minha notícia-poesia constitui a sua verdadeira camuflagem – é mentira. Vou expô-lo publicamente – como acontece com as suas belíssimas obras de arte – para que todos, finalmente, saibam a mentira da verdade. Nenhum biombo poderá protegê-lo.

Nesse dia, ignotos, pasmos, perplexos, desonrados e inconformados, todos ficarão boquiabertos, porém, felizes com a verdade.

Quando se incendiarem as máscaras que perpetuam a miséria deste País, ninguém, mesmo o radical, irá pensar em incendiar O País. Porque nessa altura O País irá expelir poesia em todos os cantos. Digo, a notícia, efectivamente, como verdade. Ou, por outra maneira, a verdade como notícia.

Mas antes, por favor, desnudem-se dos estereótipos e preconceitos que têm em relação à poesia. Ou seja, em relação à verdade, O País sofre!

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