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Veneno contra a monotonia

Veneno contra a monotonia

Em imagens que deram volta ao mundo, via-se o ministro das Finanças do Japão, Shoichi Nakagawa, com sérios indícios de ter abusado do sake. Imediatamente, os moralistas de serviço, levantaram-se das suas poltronas de santidade num misto de nojo e indignação. Devem ter sido tantas ou tão poucas que, apesar do bom do japonês se ter desculpado com remédios e cansaço, teve de pedir a demissão do cargo que ocupava.

Eu, se fosse o Primeiro-Ministro do Japão, não aceitava que o homem se fosse embora.

Imagine o leitor, que tinha de passar horas a fio no meio dos maiores chatos do universo – o episódio ocorreu no encontro do G7 – a discutir planos e mais planos, políticas monetárias e financeiras, preços do ouro e do petróleo e não sei que mais coisas aborrecidíssimas, sem que pudesse beber um copinho que fosse?

Para ser franco, a mim espanta-me é não aparecerem todos cambaleantes a dizer umas piadolas, bêbados que nem cachos.

Também não percebo porque diabo, de há uns anos a esta parte, os políticos têm todos de parecer uns rapazes muito bem comportados. Mas será que eles também não são feitos de carne e osso? Serão os seus desejos, anseios ou medos diferentes dos de todos nós?

No que me diz respeito, jamais votaria num político que não gostasse de beber um trago e de dar o seu “pezinho” de dança. E, então, se não for apreciador de mulher ou homem bonito ou bonita, menos hipóteses tem de levar o meu voto.

Aliás, esta moda de querer que os nossos dirigentes sejam uma espécie de santos e santas não tem dado os melhores resultados.

Os ditadores eram, na sua esmagadora maioria, tipos abstémios e puritanos – pronto, está bem, o Estaline será a excepção que confirma a regra. Basta lembrar o Hitler, o Franco, Salazar e outros figurões de má catadura.

Por outro lado, imagine o que podia ter acontecido ao mundo se tivessem tirado o vinho e os charutos ao Churchill? O mais certo era ele dizer bye-bye, ir para a sua casa de campo e depois os outros que se amanhassem com o Hitler e quejandos.

E, claro está, só estamos a falar de políticos. Imagine o que seria da cultura do nosso mundo sem o álcool, cigarros e outras drogas. Devemos mais a estes produtos do que queremos e podemos imaginar. Não seriam necessários exemplos mas se nos lembrarmos do Hemingway, Mozart, Rimbaud, Fernando Pessoa e tantos, tantos outros, deixamos de ter conversa.

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