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Vela: Moçambique não obteve bons resultados no “Mundial”

Vela: Moçambique não obteve bons resultados no “Mundial”

Dois velejadores moçambicanos participaram, pela primeira vez, no Campeonato Mundial de Vela, na categoria de juniores, entre os dias 13 e 20 de Julho, em Chipre. Nesta prova, Moçambique não obteve bons resultados ainda que a nível dos países africanos tenha terminado na terceira posição.

Velik José Manhiça, de 15 anos de idade, terminou a prova na 49ª posição, enquanto a sua compatriota, Neide Nhaquila, não conseguiu fugir da inevitável última posição, ambos na classe Laser, ou seja, barcos tripulados por um velejador, velozes e adaptados para planar em dias de vento muito forte. Os dois atletas pertencem ao Clube Marítimo de Maputo. No que ao ranking africano diz respeito, com esta participação Moçambique alcançou o pódio, terceiro lugar, tabela até hoje liderada pela República da África do Sul.

Adriano Cândido, treinador de apenas 26 anos de idade, cuja estreia como tal teve lugar neste “Mundial” de Chipre, disse ao @Verdade que a presença de Moçambique nesta competição, sendo a primeira vez, foi mais para ganhar experiência neste tipo de provas, com vista a melhorar alguns aspectos técnicos inerentes à modalidade.

“Foi uma aventura bastante interessante. Estivemos diante de treinadores adultos e bastante experimentados, com uma média de idades que ronda entre os 60 e os 70 anos, com cerca de 30 a 40 de experiência. Por se tratar de uma primeira vez, tanto eu como treinador e eles como velejadores, estávamos praticamente num mundo estranho. Mas soubemos estar, até porque contámos com a ajuda dos nossos oponentes em situações com que não estávamos familiarizados” afirmou o nosso interlocutor.

Aquele técnico revelou, ainda, que o intercâmbio que teve com os vários velejadores e treinadores que participaram neste “Mundial” foi muitíssimo benéfico, no sentido em que o país terá a possibilidade de ganhar assistência técnica de países cuja modalidade está desenvolvida, como é o caso da Espanha, do Brasil e de Portugal.

No que diz respeito aos resultados, Arnaldo sossega os moçambicanos para que não se alarmem pelas posições ocupadas pelos atletas, pois as mesmas espelham a capacidade que o país tem. “Foi o que podíamos conseguir, fruto do que se oferece aos atletas a nível interno, como, por exemplo, o número de competições, a sua regularidade e as respectivas condições técnicas. Num ‘Mundial’ vão os maiores e temos de estar claros de que fomos para competir com os melhores países do mundo”.

“Daqui em diante temos de trabalhar arduamente em todos os erros que cometemos neste Campeonato Mundial de Vela. A nossa perspectiva agora é estar no próximo certame, agendando para o próximo ano, não para obter experiência, mas sim para mostrar o que aprendemos”, avançou Arnaldo, para a seguir acrescentar que “já conversámos com a direcção do Clube Marítimo de Maputo e da Federação Moçambicana de Vela e Canoagem sobre as nossas reais necessidades com vista a progredir na classificação, tendo eles demonstrado abertura nesse sentido. Exigimos, por exemplo, maior rodagem a nível internacional através da participação em mais regatas, ainda que dentro das nossas capacidades como país”.

Quem é Velik José Manhiça?

Velik José Manhiça é um velejador moçambicano de 15 anos de idade. É natural da cidade de Maputo e iniciou-se na vela aos seus 12 anos, acompanhado pelo irmão, graças à sua vizinha, curiosamente funcionária administrativa do Clube Marítimo de Maputo.

Tinha muito medo do mar e chegou a pensar em desistir da vela nos primeiros dias de aulas, quando na altura tinha de aprender a nadar. É velejador de larga experiência nos escalões de formação: três vezes consecutivas campeão nacional e com um registo de participação nos décimos Jogos Africanos que tiveram lugar em 2011 em Maputo, bem como a conquista de uma medalha de prata no Campeonato Africano de Vela da classe Optimist no ano passado na Tanzânia.

No “Mundial”de Chipre, Velik apontou como razões do insucesso o facto de se ter registado um problema na popa (parte traseira da embarcação que serve, também, para dar velocidade) que, aliado aos ventos fortes que se fizeram sentir no mar, atrasaram a sua celeridade nos quatro dias que durou a prova.

Velik, que também divide a sua vida desportiva com a escola, estando neste momento a frequentar a nona classe, é experiente na prova à bolina (navegar contra o vento) e quer, um dia, ser treinador de vela. Mas enquanto atleta ele sonha em ser campeão do mundo. Para além do próprio mar, Velik teve de superar o medo dos golfinhos.

Nota: Por motivos alheios à nossa vontade, não foi possível trazer, nesta edição, o perfil de Neide Nhaquila devido à sua indisponibilidade. No entanto, lembre-se que ela terminou na última posição neste “Mundial” que teve lugar no Chipre.

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