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Bolsas de estudo geram polémica

Estudantes da maior e mais antiga instituição de ensino superior de Moçambique exigem revisão do critério de atribuição de bolsas de estudo e dos 100% de aproveitamento pedagógico para a sua renovação.

 

A Universidade Eduardo Mondlane é dos poucos estabelecimentos de ensino superior em Moçambique que atribui bolsas de estudo a estudantes que demonstrem não ter condições económico- financeiras para frequentarem os cursos de graduação que ministra. A UEM atribui os seguintes tipos de bolsas: completa, reduzida e de mérito. Segundo o Regulamento de Bolsas de Estudo da instituição, a bolsa completa habilita o beneficiário ao alojamento, alimentação, assistência médica e medicamentosa, gastos correntes e isenção de pagamento de propinas. A bolsa reduzida contempla os benefícios acima indicados, mas exclui o alojamento.

 

Segundo o mesmo regulamento, a bolsa completa tem por beneficíário o estudante que, comprovadamente, demonstre não possuir meios económico-financeiros para suportar o acesso, decurso e conclusão do curso de nível superior.
A UEM adoptou por este mecanismo como forma de ajudar e apoiar a esmagadora maioria de moçambicanos que, não por escolha, mas por destino, nasceu na esteira da pobreza quase absoluta.
O @Verdade ouviu Cláudio Emerson, estudante do 3º ano do curso de Sociologia. Emerson é órfão de pai e mãe, por isso não tem condições para arcar com as despesas do diaa- dia e, principalmente, do curso que frequenta. Emerson conta ainda que arrenda um quarto com três colegas do curso, contribuindo mensalmente com 275 meticais.
Respondendo à questão como consegue esse valor, Emerson esclarece que no 2º ano do curso conseguiu uma vaga de professor de Filosofia numa Estudantes da maior e mais antiga instituição de ensino superior de Moçambique exigem revisão do critério de atribuição de bolsas de estudo e dos 100% de aproveitamento pedagógico para a sua renovação. escola privada. Contudo, acusa a UEM de ser uma instituição burocrática porque, na sua óptica, aquela universidade recolhe os documentos das candidaturas às bolsas, avalia e publica os resultados, só tratando por conseguinte de papelada burocrática, nunca se envolvendo com o candidato para avaliar se as declarações prestadas são verdadeiras ou não. Como consequência desta “papelarização” da atribuição de bolsas, acaba por conceder bolsas a quem tem meios, excluindo quem realmente precisa. “Tenho todos os requisitos. Candidatei-me à bolsa de estudo duas vezes, mas nunca fui seleccionado. A UEM não tem pesssoas específicas que velem pelas diferentes áreas,” rematou Emerson.

No entender do nosso entrevistado a falta de informação sobre as bolsas é outra pecha do sistema. “Só afixam pautas de resultados e ponto final. Não sabemos a quem nos devemos dirigir para reclamar.”
Acerca dos 100% exigidos para manter a bolsa completa, Emerson diz que é praticamente impossível fazer o curso em “tempo recorde”. Sugere que a UEM crie mecanismos com vista a resolver questões relacionadas com as bolsas porque estes problemas constituem uma grande preocupação para os estudantes.
Duarte Patrício, estudante do 4º ano do curso de Ensino de Francês na mesma universidade, acha que as condições de renovação da bolsa são difíceis, pois os 100% fazem com que a maioria de estudantes perca a bolsa, resultando daí stress e decepção na vida. Duarte sugere que a bolsa deveria estender-se por todo o curso, porque quando o estudante chumba uma cadeira a bolsa é imediatamente reduzida, perdendo-se o direito ao alojamento, ficando o subsídio reduzido a 1250 meticais/ mês. Este valor pouco ajuda, uma vez que é necessário alugar-se um quarto e atender a outras necessidades básicas do dia-a-dia.
Firmino Assis Gonçalves, outro estudante entrevistado, é natural de Tete e informanos que perdeu a totalidade da bolsa após ter chumbado a três cadeiras. Firmino acha que este regulamento não é justo, particularmente no seu caso, já que não tem familiares em Maputo que o auxiliem, correndo assim o risco de ter de deixar de estudar.

 

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