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Um jogador ímpar

Um jogador ímpar

Em 2004 ganhou o seu primeiro título de campeão nacional. O primeiro dos três conseguidos até hoje. O primeiro de um jogador que quis brilhar no Desportivo, mas acabou por ser MVP no Maxaquene: Fernando Silvestre Mandlate, vulgo Nandinho.

O grito de Nandinho, na final da Liga Nacional de Basquetebol Vodacom (LNBV), mais do que uma explosão de alegria, era uma resposta aos que lhe davam como acabado. Até aquele momento, Augusto Matos, do Desportivo de Maputo, tinha sido uma “pedra na sapatilha” do herdeiro natural de Kaimane de Deus.

Tinham passado quatro jogos, frente ao Desportivo, na época regular, e igual número de prestações discretas de Nandinho. Depois da vitória, as palavras do mágico do Maxaquene, segundo as quais o sucesso é corolário do trabalho, eram mais do que justificadas.

Como tudo começou

Nandinho cresceu a admirar Gilberto Tamele e foi pela mão dele que chegou ao Desportivo. Treinou três meses sem nunca ser opção. Frustrado, mudou-se de armas e bagagens para o arqui-rival Maxaquene. “Fui para o Maxaquene porque queria jogar e o José Moiana (treinador dos escalões de formação) deu-me uma oportunidade. Por ironia, o meu primeiro jogo foi contra o Desportivo. Ganhámos e tive uma boa prestação”. Acrescenta: “no final do jogo queriam que voltasse, mas já me sentia integrado no Maxaquene”.

Campeão precoce

Os títulos na carreira de Nandinho vêm desde os escalões de formação. Ganhou tudo o que havia por disputar. Conquistou o Nacional de juvenis, mas foi no de juniores, ainda com idade para jogar num escalão mais abaixo, que Nandinho mostrou que poderia ser o que quisesse na bola ao cesto nacional. Foi melhor jogador, marcador e campeão nacional.

Ainda miúdo, Nandinho mostrou ser um jogador letal. A sua média de 23 pontos revelou, no Nacional de Quelimane, um atleta diferente, único, para além de ter sido a referência daquele Maxaquene campeão. Aos 18 anos, porém, chegou ao seniores. Mas teve de esperar dois anos para ser campeão nacional. Só em 2004, já com 20 anos ergueu o seu primeiro título nacional da categoria.

Adversários difíceis

Controlar jogadores como Augusto Matos não é fácil. “Este foi um dos atletas mais complicados com que me bati”. É um jogador que admiro pela sua entrega”. Mas também há o Gerson Novela, um atleta que sabia perfeitamente como “anular o meu jogo”. “Tinha de me aplicar ao máximo para jogar contra o Novela”, conta.

MVP

Em 2008 Nandinho foi MVP da LNBV. Porém, o Maxaquene perdeu o título para o Ferroviário de Maputo. No dois anos seguintes o Maxaquene voltou ao lugar mais alto do pódio.

O jogador que cresceu a querer ser Kaimane de Deus e chegou à selecção aos 18 anos de idade voltou a ser MVP em 2010. Mas antes teve de calar as bocas que apregoavam o declive do seu talento. Durante os playoffs Nandinho protagonizou das melhores exibições que se recordam na LNBV. Esteve na mó de cima e, no final obteve, o prémio merecido.

Com uma actuação que ainda hoje perdura na memória dos amantes da bola ao cesto é lógico que, aos 26 anos, Nandinho ainda tem muito a dar ao basquetebol nacional. “Ainda posso jogar mais quatro anos”, diz.

O basquetebol compensa?

“Não diria que compensa, ajuda”. Num país em que a modalidade não é profissional pagar os estudos, diz, é um aspecto que acaba por compensar os atletas. Até porque o desporto não dura a vida toda e “a educação acaba por ser o mais importante. Não digo que não podia ser melhor”.

Nandinho não se revê fora do desporto. “O basquetebol deu-me uma forma de estar diferente. Deu-me bens materiais, mas o maior ganho foi ter-me feito crescer como pessoa”.

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