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UA confirma anulação da cimeira no Malawi

A União Africana (UA) confirmou a anulação da sua cimeira de Julho no Malawi, depois da declaração feita pelas autoridades deste país segundo a qual elas preferem perder o direito de acolher a reunião do que permitir a entrada do Presidente sudanês, Omar el-Béchir, devido à sua inculpação pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra.

“A UA soube da informação divulgada pelo Vice-Presidente do Malawi, Khumbo Kachali, na rádio e na televisão e, por conseguinte, confirmou que a próxima cimeira terá lugar em Addis Abeba”, anunciou ao telefone à PANA um responsável da UA.

Os responsáveis da UA participaram numa reunião de urgência em Addis Abeba, Sexta-feira, para discutir a transferência da cimeira de Lilongwe para a capital etíope, que alberga a sede da organização panafricana.

A decisão do Malawi de renunciar aos seus direitos de organização é considerada um “tsunami de investimentos” para os empresários. “Em resumo, estamos muito tristes e não sabemos o que fazer,” disse sexta-feira à PANA Mike Mlombwa, diretor da sociedade de aluguer de veículos Chie e presidente da Associação dos Empresários do Malawi.

“Tenho a certeza de que se não tomarmos as boas decisões isto poderá provocar a falência de algumas das empresas no país”, acrescentou.

Os observadores disseram, todavia, que a decisão do Malawi de não acolher a cimeira pode permitir a sua aproximação com os países doadores ocidentais. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha indicaram claramente que haverá “consequências” para os países beneficiários de ajuda que acolherem o Presidente el-Béchir.

Respondendo a uma carta do Secretariado da UA segundo a qual o Malawi não tem o direito de decidir quem deve ou não participar na cimeira, o Vice-Presidente, Khumbo Kachali, afirmou, num discurso especial à Nação divulgado, Sexta-feira, na rádio e na televisão nacional:

“Ao sermos obrigados a respeitar as decisões da União Africana, somos igualmente em relação aos outros acordos internacionais, incluindo o Tratado de Roma que criou o TPI.

O Malawi não vai acolher a cimeira da União Africana”. Cartum escreveu, Quinta-feira, à UA que dada a recusa do Malawi de acolher o Presidente el-Béchir ela deverá pensar em deslocar a cimeira de Lilongwe para a sua sede em Addis Abeba, na Etiópia.

A recusa das autoridades malawianas de acolher Omar el-Béchir poderá ser motivada pela próxima visita que vai efectuar a Presidente Joyce Banda, Sexta-feira, a Washington, durante a qual ela vai avistar-se com a secretária de Estado, Hillary Clinton.

Na agenda da visita figura a reconcessão de 350, 7 milhões de dólares americanos do Millennium Challenge Account (MCA) suspensos pela administração Obama, entre outras razões, devido à decisão do Malawi de acolher el-Béchir em 2010.

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